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Brasileiros ainda são relutantes ao exame que detecta o câncer de próstata
21 de agosto de 2018 às 20:05
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Mesmo o exame de toque retal sendo essencial para a detecção do câncer de próstata, uma nova pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo, em parceria com a Bayer, mostrou que 49% dos brasileiros acima dos 45 anos nunca realizou esse exame. Para 24%, esse cuidado é pouco másculo da parte deles, e para outros 13% o procedimento não é necessário para a detecção precoce do câncer.

Com o avanço das tecnologias médicas, é comum acreditarem que o exame de sangue pode substituir o de toque, mas ambos funcionam de forma complementar. “O câncer de próstata pode se apresentar mesmo com o PSA ainda em níveis normais, e por este motivo o exame de toque realizado de forma rotineira pode detectar alguma anomalia de forma precoce”, explica o médico oncologista Fábio Schutz, coordenador médico da Oncologia Clínica do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Problemas na próstata

O exame é indolor, dura poucos segundos e pode detectar diversos problemas na próstata – glândula responsável por produzir o fluído que protege e nutre os espermatozoides. Os problemas benignos vão desde prostatite – dor e inchaço da próstata – até hiperplasia prostática benigna – o aumento da próstata que pode causar dificuldade para urinar. Porém, o mais importante é a detecção da fase inicial do câncer de próstata, que é o que mais atinge homens no Brasil, atrás apenas do de pele não melanoma.

Esse tipo de câncer é tão comum que 35% dos entrevistados da pesquisa SBGG-SP respondeu que conhece ao menos um homem que tem ou já teve o câncer de próstata, mas 23% não sabem que esse também se trata do tipo que se manifesta mais comumente entre os homens com mais de 50 anos.

“Quando os exames de rotina com o PSA e/ou o de toque dão resultados anormais, é necessário um teste adicional de biópsia para entender se o homem tem ou não o câncer. Em caso positivo, esse câncer normalmente terá sido detectado antes de dar sinais de que estava lá, tornando seu tratamento mais efetivo”, explica o médico.

Valores culturais

Mesmo com os benefícios da detecção precoce, o exame de toque ainda é tabu entre os homens. Diferentemente das mulheres que fazem exames ginecológicos ou mamografias de prevenção com maior frequência, os valores culturais que prezam pela “força e resistência do homem” e as crenças machistas que parecem não aceitar um exame desse tipo ainda são um grande impeditivo no caminho para uma vida mais longa e saudável.

Não leva mais de 20 segundos para o exame acabar. A posição mais comum é deitado de lado. O médico utiliza luvas e lubrificante para examinar a próstata. O exame tem como principal objetivo verificar a existência de alguma alteração na glândula.

Para aqueles que têm histórico familiar ou são negros, é importante que o exame comece a ser feito a partir dos 45 anos de idade. Para o restante da população masculina, o procedimento deve ser feito a partir dos 50 anos.

Medo de envelhecer

A mesma pesquisa mostrou que os homens entendem que o câncer tem mais tendência de acomete-los conforme o avanço da idade. “O câncer de próstata ocorre com probabilidade maior com o envelhecimento. Por isso a prevenção é melhor arma”, reforça Dr. Fábio Schutz.

O caminho que leva até a velhice também importa: alimentação balanceada e exercícios físicos durante boa parte da vida garantem uma terceira idade mais proveitosa e saudável e com isso os homens da pesquisa concordam: 74% sabem que hábitos saudáveis podem ajudar a prevenir o câncer. Ainda assim, 43% veem o próprio estilo de vida como não saudável.

Além da próstata

O exame de toque serve para detectar outras doenças do ânus, do reto e do intestino grosso. Por esse motivo, é preciso quebrar a relutância dos homens em relação ao assunto e fazê-los entender que, em questão de segundos, o exame pode ser definitivo para determinar se há ou não doenças e iniciar um tratamento que pode salvar vidas.

Fonte: Diário do Nordeste

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