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43,8% das armas apreendidas com registro eram do Ceará
3 de agosto de 2018 às 06:05
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Quase metade das armas com registro prévio apreendidas no Ceará pelas forças de segurança estaduais, no intervalo entre janeiro de 2016 e junho de 2017, havia sido legalizada no próprio Estado. Neste intervalo, foram recolhidos 1.984 armamentos com identificação. As informações constam no levantamento realizado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e divulgado pelo Instituto Sou da Paz.

O estudo detalhou o local de registro dos equipamentos por unidade da federação. No ranking, o Ceará sucedido por São Paulo (14%) e Distrito Federal (8%). O resultado sugere que o mercado do tráfico de armas no Estado é mais alimentado localmente do que se imaginava, sendo a maioria desses equipamentos de calibres comuns e uso permitido.

“Indica que esse fluxo de tráfico de armas que chega ao crime é muito mais curto do que se imagina. Existe esse ´senso comum´ de que elas vêm de fora, de grandes fluxos internacionais, mas não. Há duas possibilidades: ou ela só circula internamente no mercado nacional, ou uma arma que é nacional, foi exportada e voltou.”, ressalta Natalia Pollachi, coordenadora de projetos do Sou da Paz.

Outra informação relevante do estudo é que a maioria das armas apreendidas, sendo 1.281 (64,6%) delas, tinha registro em situação “regular”, o que também aponta para duas situações: ou as armas estavam sendo usadas no cometimento de crimes diretamente por seus proprietários, ou a notificação obrigatória, em casos de roubos, furtos ou extravios, não está sendo cumprida.

Além disso, 11,5% das armas constavam como “apreendidas”, o que também indica duas possibilidades, sendo a primeira a não atualização dos casos em que as armas foram apreendidas e devolvidas a seus proprietários. A segunda, e ainda mais grave, aponta para desvios, roubos ou furtos de armas custodiadas pelo poder público, como nos casos de ações contra fóruns, por exemplo, onde ficam confinadas, durante determinado período, as armas que integram processos judiciais.

O Instituto também identificou fragilidade na forma como alguns equipamentos são registrados pela Polícia Federal. Conforme a pesquisadora, 13% do cadastro das armas registradas não especificava o endereço do proprietário e 28% deles não tinham sequer informações básicas, como a profissão do dono da arma. O POVO solicitou informações à PF, mas não obteve retorno.

“Muitas vezes, quando esse registro é feito, ele é feito de forma não satisfatória. Esse é um dado mínimo para o controle da circulação de armas no País. Essas são falhas graves de cadastro que precisam ser apuradas”, destacou Pollachi.

Fonte: O Povo

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