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Ceará é o estado que mais reduziu o número de homicídios no 1º bimestre de 2019
18 de abril de 2019 às 05:50
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Depois de ter batido recordes nos números, o estado do Ceará apresenta redução de homicídios. De acordo com estatísticas do Monitor da Violência do G1, que analisa números de assassinatos em todo o Brasil, o Ceará foi o estado com maior diminuição de mortes no primeiro bimestre de 2019, seguido pelo Rio Grande do Norte.

Os dados apontam que, em janeiro e fevereiro deste ano, o estado apresentou queda de 57,9% no índice de mortes violentas. Nos dois primeiros meses de 2018, foram assassinadas 844 pessoas, enquanto no mesmo período de 2019 foram 355 mortes.

A diminuição entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano foi de 60,2%, enquanto na comparação entre os meses de fevereiro a queda é de 55%.

‘Conjunto de ações’

Para o titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), André Costa, a diminuição é resultado de um conjunto de ações e estratégias iniciadas ainda em 2017. Já para o estudioso da violência no Ceará Luiz Fábio Paiva, a redução ocorreu devido a um acordo entre facções criminosas, que se uniram para atacar órgãos do estado no início do ano.

Conforme o secretário, os resultados positivos só chegaram porque os policiais civis e militares passaram a confiar e acreditar no trabalho que foi pensado pela cúpula da pasta.

“Inicialmente, a gente combateu a chamada mobilidade do crime, identificamos que, para muitos crimes graves, o criminoso se utiliza de veículos e, normalmente, de veículos roubados, furtados, clonados, para dificultar o rastreamento do usuário do carro. Ampliamos o motopatrulhamento. O motopatrulhamento chega muito mais rápido quando o sistema detecta a presença desse veículo”, citou André Costa dentre as ações adotadas.

Os investimentos feitos na tecnologia aliada à Segurança Pública é outro ponto destacado pelo secretário. De acordo com o gestor, o Ceará tem sido pioneiro e referência no Brasil.

“Trouxemos a Universidade Federal do Ceará com seu Departamento de Computação para trabalhar dentro da Secretaria, uma metodologia diferente, que não foi utilizada antes no Brasil. A gente tem esse trabalho com 130 pesquisadores, desenvolvedores dessa tecnologia, sendo 100 da Universidade e 30 da polícia”, disse.

O pesquisador do Laboratório de Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC) Luiz Fábio Paiva pondera que os números devem ser observados em um prazo maior. O especialista garante que os últimos anos foram intensos em termos de violência de grupos armados que protagonizaram diversos homicídios, inclusive chacinas e invasões territoriais.

“Boa parte da nossa população que morreu em confrontos armados, pelo menos, nos últimos cinco anos, com intensidade maior em 2017 e 2018, [morreu como parte de um fenômeno] muito colado ao fenômeno das facções criminosas. Obviamente, em algum momento, isso ia retroceder, até pela dinâmica do próprio conflito”, afirma.

“Eu tenho chamado muita atenção quanto a isto: de que os resultados deste ano não significam uma mudança no trabalho do governo do estado, que vem realizando uma política de enfrentando há alguns anos, e a diferença agora é que estamos passando por um processo de acomodação”, esclarece o pesquisador.

“Os eventos de janeiro, quando Fortaleza ficou sob ataques de grupos armados, demonstram que esses grupos continuam existindo e atuando, e exercendo o domínio territorial nas periferias urbanas.”

“O que nós estamos experimentando agora é a reacomodação das forças. Dizer isso não é desqualificar os serviços de segurança pública, as forças policiais e o sistema de Justiça, mas reconhecer que eles não têm como serem os responsáveis por um processo que é muito maior. Os grupos continuam existindo e atuando e impondo o seu mando nas periferias de todo o estado do Ceará”, pontuou o pesquisador.

G1

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