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Dólar fecha acima de R$ 5 pela 1ª vez na história
16 de março de 2020 às 16:07
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Nesta segunda-feira (16), a cotação do dólar fechou em alta de 4,59%, a R$ 5,0500, novo recorde histórico nominal (sem contar a inflação). O turismo é cotado a R$ 5,1880 na venda. Em algumas casas de câmbio, chega a ser vendido acima de R$ 5,28.

Em termos reais (corrigidos pela inflação), a moeda americana ainda está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.

A alta da moeda é impactada pela aversão a risco do mercado com o avanço do coronavírus e seus efeitos na economia global e por uma expectativa de corte de juros no Brasil. Em 2020, o dólar ficou mais de R$ 1 mais caro.O dólar é considerado como um dos investimentos mais seguros do mundo, ao lado de ouro e títulos do Tesouro americano. Em momentos de forte aversão a risco, investidores tendem a comprar dólares ou fundos atrelados à moeda como forma de proteção.

O mercado espera que o Banco Central (BC) brasileiro corte juros nesta semana em, pelo menos, 0,5 ponto percentual, o que levaria a Selic à mínima histórica de 3,75% ao ano.

A taxa básica de juros nesta faixa contribui para o dólar elevado por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os EUA, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil. Com a Selic no atual patamar de 4,25%, essa operação deixa de ser vantajosa e estrangeiros retiram seus recursos, em dólar, do país, o que eleva a cotação.

Nesta segunda, a Bolsa brasileira teve o quinto circuit breaker do mês. As negociações foram interrompidas por 30 minutos logo na abertura do pregão, quando a Bolsa caiu mais de 12%. No fechamento, o Ibovespa despencou 13,92%, a 71.168 pontos, menor nível de junho de 2018, antes da corrida eleitoral que levou Jair Bolsonaro (sem partido) à Presidência.

À época, Lula ainda era candidato do PT para a disputa e contava com a maioria da intenção de votos, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 10 de junho. Bolsonaro tinha 17%. Considerando um cenário sem Lula, Bolsonaro liderava com 19% das intenções.

A turbulência do mercado financeiro desta segunda é fruto do segundo corte de juros extraordinário feito pelo Fed, banco central americano, neste mês. No domingo (15), o banco antecipou sua reunião marcada para esta quarta (18) e cortou a taxa básica de juros em um ponto percentual, incentivo monetário semelhante ao adotado em 2008, ano da crise financeira. Agora, os juros no país estão na faixa de 0 a 0,25% ao ano.

Investidores veem o movimento como uma maneira de proteger bancos e empresas do risco de não serem capazes de honrar dívidas devido à paralisação da atividade econômica. Com juros próximos de zero e injeção de US$ 700 bilhões de liquidez, as companhias tem maior margem para contornar as dívidas.

Além disso, em novo pronunciamento, o presidente americano, Donald Trump, disse que a pior fase do coronavírus deve ser entre julho, agosto, ou depois. O presidente pediu que pessoas evitem aglomerações por quinze dias.

Com a piora da perspectiva, Bolsas americanas tiveram o seu terceiro pior dia da história. A Bolsa de Nova York também acionou o circuit breaker no início do dia, quando o índice S&P 500 caiu 8%. No fim do pregão, o índice caiu 11,98%. Dow Jones recuou 12,93% e foi ao menor patamar em dois anos. Nasdaq despencou 12,32%. Na Europa, Bolsas voltaram aos patamares de 2012. O índice Stoxx 50, que reúne as maiores empresas da região, caiu 5,25%.

Diário do Nordeste

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