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Mercado de energia solar deve abrir 700 vagas até o fim do ano no CE
9 de agosto de 2019 às 11:32
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O primeiro contato do estudante de Engenharia Mecatrônica, Mikael Lopes (24), com a geração de energia através de placas fotovoltaicas foi ao ser contratado como estagiário para o setor administrativo da empresa Helio Energia, há quatro anos. Ele diz que “caiu de paraquedas” na profissão. À época, Mikael era estudante de Secretariado Executivo, mas já tinha cursado um semestre de Engenharia e acabou sendo inserido nas atividades de montagem e instalação dos projetos.

“Já tinha uma noção de desenhos de projetos, mas o que foi decisivo para eu entrar nesse ramo foi o fato de saber inglês. Naquela época, quase não tinha literatura em português, então eu pegava os manuais dos softwares e relatórios de empresas estrangeiras e traduzia”, conta. Depois de ser incorporado à equipe técnica, Mikael fez diversos cursos para se aprofundar no assunto. “Nunca pensei em trabalhar com geração distribuída. Peguei gosto e hoje é o que me move”.

O estudante faz parte dos cerca de 1,65 mil profissionais que estão empregados no setor de energia solar no Estado, segundo estimativa do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia). Conforme projeção do diretor executivo, Ribamar Carneiro, a instalação de cada megawatt (MW) gera 30 novos empregos diretos. Atualmente, o Estado possui cerca de 55 MW instalados, valor que deve passar dos 70 MW até o fim do ano, gerando aproximadamente 700 novos postos de trabalho.

Volatilidade

“Hoje, nós temos 350 empresas que lidam com geração distribuída no Ceará. Desse total, 50 são associadas ao nosso sindicato. A maioria delas são micro e pequenas empresas, que são abertas no nome do proprietário e emprega uma ou duas pessoas além do dono”, afirma Carneiro. Ele pondera que, apesar da constante crescente do mercado, ainda há um abre e fecha significativo de estabelecimentos.

“A Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) possui uma estimativa de que novas 500 empresas do segmento são abertas todos os meses no Brasil. Mas, ao mesmo tempo, cerca de outras 400 fecham. Isso porque as pessoas abrem uma empresa sem estrutura e fecham rapidamente, porque não conseguem sobreviver”, aponta o diretor executivo.

Na Helio Energia, Mikael revela que já foram contratadas sete pessoas com carteira assinada, em posições de engenheiro a técnicos. “É uma área interessante para quem pensa em se especializar. O mercado está crescendo muito, temos visto pelos leilões que tem acontecido, pelas empresas de outros ramos que estão aderindo à geração de energia solar fotovoltaica, pela alta demanda. E ainda não há muitos profissionais especializados, então é uma boa oportunidade”, recomenda o estudante.

Outras cadeias

Além dos empregos diretos, a instalação de novos painéis fotovoltaicos beneficiam outras cadeias produtivas, como a indústria e até mesmo o segmento educacional. Ribamar Carneiro destaca que as vagas diretas são principalmente para desenho e instalação dos projetos. Já os indiretos, ficam responsáveis pela manutenção dos equipamentos.

“Muitos consumidores que antes não tinham alguns equipamentos por conta do alto custo da energia elétrica passaram a colocar aparelhos de ar-condicionado e outros eletrodomésticos após adquirir as placas. Isso aumenta o consumo da indústria”, ressalta o diretor do Sindienergia.

Capacitação

Carneiro ainda cita que o segmento educacional tem sido um dos mais beneficiados. “Hoje, há universidades que já ofertam cursos de Engenharia voltados para energias renováveis. Ou seja, todo semestre temos profissionais sendo formados e que irão desenvolver projetos com a melhor qualidade possível”, afirma.

No âmbito do ensino técnico, o representante do Sindienergia aponta o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) como um dos principais provedores de treinamentos. Somente no Ceará, a Instituição já formou 547 alunos nos cursos do segmento de energia solar fotovoltaica desde 2016, totalizando 39 turmas. Atualmente, duas turmas estão em andamento e outras 16 estão recebendo matrículas, somando 128 vagas.

Entre os cursos disponíveis estão os de montador e de montagem de sistemas fotovoltaicos, de eletricista de redes de distribuição de energia elétrica presencial, de termografia aplicada à manutenção elétrica, de dimensionamento, de comissionamento e de especialização técnica em sistemas fotovoltaicos. Os valores variam de R$ 270 a R$ 4.350. A pré-inscrição para as turmas podem ser feitas no site da Instituição.

Diário do Nordeste

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