JPMotos
Em novo disco, Nando Reis exalta a natureza e questiona Deus
26 de novembro de 2016 às 11:09

20161126092347_7564_capa

Sinta o cheirinho de disco novo e a textura do título, impresso também em braile na capa. Veja o colorido vivo do encarte. Ouça as 13 canções, inéditas, e saboreie “Jardim-Pomar” como fruta fresca, que acabou de sair ao pé do ouvido. Após quatro anos de hiato, Nando Reis lança um CD a ser experimentado pelos cinco sentidos.

— Minha relação com a música é muito sensorial. Sou um “fazedor de discos”. Disco é coisa muito diferente dessa coisa isolada e quase inexistente de música digital. Tem um grau de sofisticação; a sequência de músicas conta uma história, gradativamente. Disco exige calma para que você se envolva com ele e ele permaneça na sua vida… Acho que sou um homem nascido em outro século (risos) — filosofa o músico, que encerra a turnê “Voz e violão” em show neste sábado (26), no Metropolitan, na Barra.

Amante da natureza, Nando concedeu esta entrevista se deliciando com grumixamas, fruta abundante no jardim de um de seus refúgios, em São Paulo.

— Já plantei dezenas de árvores na vida. A coisa que mais me aterroriza na vida urbana é a pouca quantidade de verde. Nada mais lindo do que uma flor, nada mais saboroso do que uma fruta — divaga o cantor e compositor, de 53 anos, justificando a escolha do título do lançamento.

“Jardim-Pomar” questiona o divino, em “Deus meu”, e reafirma o amor ao longo da maioria das faixas.

— Embora eu fale muito de Deus, não tenho uma relação com um formatado, monoteísta. O misterioso é o que simboliza pra mim o divino na vida, é justamente a gente não saber quando vai morrer. Viver é uma descoberta, você não tem controle sobre isso. E não acho que haja um Deus que nos controle, nos comande. Para mim, destino é sinônimo de futuro — explana.

Ao menos quatro músicas — “4 de março”, “Só posso dizer”, “Pra musa” e “Concórdia” — celebram a psicóloga e escritora Vânia Reis, com quem Nando se casou há 31 anos:

— Eu a conheço desde os meus 15. Vânia é a matriz da minha relação amorosa com tudo. Ela me deu quatro filhos (Theo, Sophia, Sebastião e Zoé) e até o que tive fora do casamento, num momento em que nos separamos (Ismael), o recebeu como dela.

Do quinteto de herdeiros, Theo, Sebastião e Zoé fazem coro na louca canção “Azul de presunto”, que ainda conta com as vozes de Luiza Possi, Tulipa Ruiz e Pitty, além dos ex-companheiros de Titãs Arnaldo Antunes, Branco Mello, Sérgio Britto e Paulo Miklos. Todo mundo junto e misturado.

— Essa música me remete a uma espécie de humor desconcertante, que a gente fazia em grupo. Há 25 anos, não entrávamos num estúdio juntos. E foi uma delícia reencontrá-los! Nos vemos pouco hoje em dia, mas grandes amizades são assim: na hora em que se encontram, parece que o tempo não passou — afirma Nando.

Também no novo disco, Nando retoma a antiga e vitoriosa parceria com Samuel Rosa na música “Como somos” (também são da dupla os hits “Dois rios”, “Sutilmente” e “Resposta”, do Skank):

— Foi assim: ele fez a melodia e, num primeiro momento, odiou a letra que compus. Fiquei desconcertado, é claro, nunca tinha me acontecido isso. Mas depois percebi que Samuel tinha razão. A crítica foi por respeito a mim e ao nosso trabalho, por procurar o melhor. Aí me tranquei no quarto, me empenhei e fiz uma letra sofisticada, que eu amo. Acho que essa é uma das grandes coisas que escrevi na vida.

Fonte: Extra Online

ComentáriosComentários