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Filha de Solange Couto revela que sofreu abuso e estupro, e atriz desabafa: ‘Revolta’
29 de outubro de 2016 às 11:35

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Há quatro anos, a atriz Solange Couto convive com um drama familiar. Desde quando sua filha, Morena Mariah, de 25 anos, revelou à mãe ter sido vítima de dois casos de violência sexual. O primeiro aconteceu quando ela tinha apenas 11 anos. No outro, mais recente, ela foi estuprada pelo namorado. Segundo a jovem, o abuso sexual aconteceu com um familiar dentro da sua própria casa, enquanto a mãe saía para trabalhar. Elas falaram pela primeira vez sobre o assunto em entrevista exclusiva ao EXTRA.

“Minha mãe trabalhava em outro estado e designou um familiar para tomar conta de mim nos períodos de ausência. Durante esse tempo em que ele ficou responsável por mim, ocorreram os episódios de abuso. Ele morava comigo na minha casa”, relata a jovem. “As pessoas acreditam que estupro só acontece na rua, com um estranho que se aproxima numa rua escura. E não é assim. Passei por dois episódios de abuso e nenhum dos dois foi com pessoas desconhecidas”.

Solange diz que sabe quem foi a pessoa que abusou da filha, mas esperava que a própria fosse à polícia fazer a denúncia.

“Fiquei absurdamente indignada. Isso me revolta de tal maneira, porque eu não posso fazer nada, nem justiça, porque a Morena só veio me contar isso anos depois, quando ela já era maior. Então, não tive o que fazer. Me sinto amarrada, de pés e mãos. Não posso chegar na cara da pessoa e dar um murro, nem apontar o dedo na cara e esculachar. Não posso nada porque nada foi dito, nada foi aclarado, e ela não quer denunciar, tem medo”, desabafa a atriz.

O segundo caso de violência sexual aconteceu quando Morena já era adulta.

“Namorei um rapaz, e ele se aproveitou de um momento em que eu estava embriagada e adormeci para me estuprar. Sexo sem consentimento é estupro. Mesmo que o sujeito que faça isso seja cônjuge”, diz ela. “Demorei algum tempo pra entender o que tinha acontecido. Eu estava desacordada. E mesmo após o ocorrido, ele tentou fazer piada do fato de ter feito aquilo. E como era uma pessoa de minha total confiança, eu tentei esquecer o assunto. Eu demorei muitos anos pra conseguir falar sobre isso. Só já adulta eu consegui falar sobre isso. E foi muito difícil pros meus pais ter que lidar com isso”.

Alerta para outras mulheres

A dor de Morena é transformada em luta por ela nas redes sociais, onde o tema é debatido diariamente através de seus posts. A jovem vive com a mãe, o irmão mais novo e o padrastro no Rio e atualmente está abrindo uma confeitaria no Rio.

“Vivo uma luta diária. Luto contra uma depressão que foi desencadeada depois disso. Procurei pessoas que passaram pela mesma coisa, conversei com muita gente ligada ao feminismo e finalmente fui entendendo que a culpa não era minha. O estupro causa um estrago muito grande dentro da gente porque as pessoas colocam a culpa sempre na vítima. Querem saber com que roupa você estava, se você havia bebido, como se qualquer uma dessas coisas pudessem justificar um estupro. Foi muito doloroso pra mim, mas a gente não tem do que se envergonhar e não pode se calar”, diz Morena.

A jovem conta que ainda não procurou a políicia para denunciar os casos de abusos por medo.

Eu não tinha provas. E também já pedi recomendações a muitas pessoas. Todas elas me desaconselharam a recorrer à denfesoria pública. Por ter sido algo que aconteceu há muito tempo, ele pode tentar virar o processo contra mim, como fez o treinador da (nadadora) Joana Maranhão, que relatou um abuso sexual. E, no momento, eu não posso arcar financeiramente com os custos de um processo”, explica.

Morena também fez um desabafo em seu Facebook nesta sexta-feira explicando o motivo de não ter denunciado os estupradores:

“Eu não denunciei porque não tive meios para fazer a denúncia. O estuprador mora em outro estado, eu não tenho provas do abuso porque já tem muitos anos, e fui desaconselhada por várias pessoas que procurei a não abrir a denúncia pela defensoria. Eu teria que arcar com o processo e não tenho condições financeiras no momento de fazer isso. Tenho outras prioridades. Preciso primeiro cuidar da minha saúde mental e estar com a vida profissional sólida para poder entrar nessa batalha. Caso contrário essa denúncia pode se virar contra mim. Se você tem como provar, denuncie. Eu sou muito a favor da denúncia. Mas sabemos como funciona a justiça brasileira. Então antes de denunciar reúna as provas e se prepare psicologicamente porque desde desde a delegacia até o fórum nós somos desestimuladas a denunciar”.

“Falar sobre o assunto só tem a função de oferecer apoio às pessoas que viveram a mesma coisa, assim como um texto da Joana Maranhão me fez entender muitas coisas. Já fui procurada por várias mulheres em desabafos e torço pra que a gente consiga quebrar esse silêncio que nos sufoca. O silêncio não vai nos proteger. Nós não temos do que nos envergonhar.”, finalizou.

Fonte: Extra Online

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