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Filme estreia: hoje Diretor diz que “Saltimbancos Trapalhões” abre porta para musicais no país
19 de janeiro de 2017 às 13:24

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“Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood” chega aos cinemas com duas missões: apresentar a dupla Didi e Dedé para as novas gerações e enveredar por um caminho pouco explorado no cinema brasileiro, os musicais.

Para o diretor João Daniel Tikhomiroff, o gênero pode se fortalecer com o filme. “Acho que pode abrir porta para outros diretores e produtores fazerem outros musicais. Acredito que eu tenha ajudado um pouco nisso. Já ouvi de dois colegas que eles estão com projetos de musical. Se ´Saltimbancos´ der certo em termos de público, pode vir um movimento por aí, sim”, diz ele.

Na releitura do clássico de 1981, Tikhomiroff quis modernizar a trama do circo, que desta vez depende da criatividade e da imaginação de Didi (Renato Aragão) para escapar da crise financeira, dos golpes do vigarista Satã (Marcos Frota) e da ganância do prefeito corrupto Aurélio Gavião (Nelson Freitas).

Mas o diretor preferiu não apostar em tecnologia e, sim, na força do mise en scène. “Essa é a essência dos musicais que continuam fazendo sucesso, vide o ´La La Land´, que levou tudo no Globo de Ouro e pode repetir isso no Oscar”, afirma.

O diretor, que pinçou nomes do teatro musical como Letícia Colin (Karina) e Emílio Dantas (Frank) para o elenco, acredita no potencial de uma plateia formada para outras produções do gênero no cinema brasileiro. “O teatro musical é um sucesso aqui, bate recordes de bilheteria”.

Mas o caminho também tem dificuldades. “Começa pelos próprios distribuidores, produtores e investidores da nossa atividade. Por não termos esse costume, parece que não vai atrair público. Mas quando a obra é boa atrai, é só saber escolher bem. De fato, não temos tantos atores-cantores como nos Estados Unidos e o Brasil tem menos tradição de roteiristas de musicais. Mas adorei pegar o Mauro Lima, que nunca fez musical, mas é ótimo roteirista e tem visão de direção, e ele fez muito bem. Acho que os diretores e produtores podem ousar mais em experimentar alguns roteiristas”, diz ele.

Humor para a família

Se existe algo a que o novo “Saltimbancos” se mantém fiel é ao humor ingênuo típico dos Trapalhões, cheio de improvisos e piadas velhas conhecidas, que desperta a nostalgia em quem cresceu vendo as performances do grupo no cinema e na TV.

Por outro lado, há a expectativa em relação à recepção das novas gerações, crias da internet. “Acho que todo tipo de humor vale a pena, o transgressor, o mais satírico, o humor negro. O humor ingênuo tem feito falta, ele só está presente no circo. Não acredito que ele envelheça, mas vamos ver o que o público acha. Pelos testes feitos, acho justamente o contrário: as pessoas estavam querendo ver também esse tipo de humor, que converse mais com a família”, diz Tikhomiroff, que se surpreendeu com a quantidade de crianças pedindo selfies com Didi e Dedé após as sessões.

Dedé, que considera a releitura de um dos maiores clássicos do quarteto uma “agradável surpresa”, também se mostra confiante na comunicação do filme com os mais novos. “Quando eu vejo a garotada assistindo às coisas dos Trapalhões percebo que eles dão muita risada daquele tipo de humor que a gente fazia. E o filme não é totalmente de humor, tem uma poesia, uma história bonita e aquela coisa do saudosismo, do pai mostrar para os filhos quem eram os Trapalhões. Pode ser que eu me engane, mas estou acreditando muito no filme”.

Já a intérprete da mocinha do filme, Colin, 27, diz que o humor do grupo é puro e lúcido. “Vi coisas ali que achei meio ´Porta dos Fundos´, só que vem com o coração do palhaço, nesse jeito circense, mambembe. E muito inteligente. Didi é um símbolo, ele é atemporal, por isso que é genial. É muito poderoso o que eles criaram”.

uol

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