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Branco perdoa argentino da “água batizada” de 1990 e oferece ajuda ao algoz
10 de novembro de 2016 às 12:55

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Branco sentiu na pele os efeitos de uma armação colocada em prática em plena Copa do Mundo. Pouco mais de 26 anos depois, entretanto, o ex-lateral esquerdo da seleção brasileira diz que perdoa o massagista argentino responsável por entregar a “água batizada” nas oitavas de final do Mundial da Itália.

O ex-atleta ainda ofereceu ajuda a Galíndez, que passa por problemas de saúde e financeiros depois de abandonar a carreira há dois anos. “Eu ajudaria com o maior prazer. Não sou um cara rancoroso. O futebol só me deu amigos”, disse Branco em entrevista ao UOL.

Os dois, inclusive, voltaram a se encontrar nos anos seguintes à partida, durante outros duelos entre as duas seleções. Branco defendeu a equipe brasileira por mais cinco anos depois o episódio ocorrido em Turim, conquistando o tetra nos Estados Unidos, em 1994.

“Encontrei o Galíndez porque eu joguei muitas vezes contra a Argentina. Eu gostaria de encontrá-lo para perdoá-lo. Na vida todo mundo erra, todo mundo é passível de erro, eu não guardo rancor, mágoa, eu não tenho nada contra ele. Isso não veio dele, veio de alguém de cima”, explicou Branco, que hoje ocupa o cargo de assessor da presidência do Figueirense.

Nesta quarta-feira, o UOL mostrou que o ex-massagista enfrenta dificuldades na Argentina. Em 2014, por exemplo, Galíndez teve problemas respiratórios. Aos 69 anos, o argentino vive sozinho na Grande Buenos Aires.

Medo do antidoping

Embora tenha perdoado o algoz, Branco admite que teve medo de ser pego em um eventual antidoping. Para o ex-lateral, a possibilidade poderia lhe trazer problemas no futuro da carreira.

“Foi um negócio que poderia ter me prejudicado. Se eu fosse para o antidoping, como é que eu faço para provar aquilo lá? Foi uma situação que poderia ter estragado a sequência da minha carreira. A minha sorte é que eu não fui sorteado. A experiência serviu para não beber água de adversários”, frisou.

Branco bebeu a água com calmantes na reta final do primeiro tempo, quando o placar apontava 0 a 0. Pouco depois, o camisa 6 ainda certificou-se que as garrafas de água foram trocadas: os argentinos bebiam apenas as transparentes, enquanto ele usara o frasco verde.

“Nenhum ser humano que estava dentro do campo ia imaginar que ia ter uma trapaça dessa. Eu fiquei sabendo depois de três meses. O Ruggieri (zagueiro argentino naquele jogo)  me falou. Depois do jogo eu falei, todo mundo ironizou. O cara quando perde não tem razão, não é”, disse Branco.

No segundo tempo, já recuperado, Branco viu Caniggia marcar o único gol do jogo. No dia seguinte à derrota, ainda falou, em entrevista concedida ainda em território italiano, que os argentinos “jogavam sujo”.

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