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Com Everton em campo, Brasil ganha mais mobilidade no ataque
24 de junho de 2019 às 07:45
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Tite, desde que assumiu a Seleção Brasileira, adotou esquema tático sem muitas variações, o que deixa o Brasil sempre refém de jogadores “extraclasse”, com capacidade de individualmente mudar a história de um jogo, com lances que fogem da mesmice. Everton tem sido um bom exemplo.

Jogamos com um esquema de três homens no meio e três considerados atacantes. Um problema da Seleção, notado nos dois primeiros jogos da Copa América, foi a dificuldade de “furar” defesas mais compactadas, justamente pela ausência de pontas que partem para cima, que vão de forma incisiva para dentro da defesa adversária, os famosos “rompedores”, “quebradores de linhas”. Características que, no atual plantel, só Everton, David Neres e Willian (esse já na descendente em sua carreira, convocado após o corte de Neymar), possuem no grupo.

Porém, desses, só David Neres jogou como titular no início da competição. E o camisa 7 claramente sentiu um pouco do peso de vestir a “amarelinha”. Talvez não imaginasse nem ser convocado. Surgiu na lista de Tite pela primeira vez nos últimos amistosos antes da convocação final e devido ao corte de Vinícius Jr., do Real Madrid. Por este motivo, talvez, não vinha sendo o substituto que se esperava, para a vaga de Neymar. Ao contrário do atacante do Grêmio, que vem jogando bem desde 2017.

Eficiência em campo

Cebolinha entrou contra a Bolívia na estreia e marcou um golaço. Diante da Venezuela, quando pôde jogar onde se sente confortável, na ponta esquerda, cortando para o meio, partia para cima dos venezuelanos. Ia ganhando voz pela nítida melhora que a equipe tinha quando ele entrava em campo. Até mesmo as arquibancadas, seja do Morumbi ou da Fonte Nova, pediam o “Cebola” em campo, vendo no atacante aquele suspiro de futebol moleque.

Contra o Peru, valendo a liderança do grupo, Tite não pôde mais conter a voz do torcedor, e escalou o cearense como titular no lugar de Neres. Mudou também o outro lado, na ponta direita foi com Gabriel Jesus, que também vinha pedindo passagem, tentando ainda apagar a má impressão que deixou por ter passado em branco na Copa do Mundo da Rússia, em 2018.

Os dois jogaram muito bem e conduziram a goleada brasileira sobre o Peru. Deram alternativas para os laterais, apareceram bastante, romperam linhas, gingaram, lutaram, quiseram jogo.

Cebolinha marcou outro belo gol com a sua característica, puxando para o meio e batendo de perna direita. Mas não é por conta de bolas na rede, apenas, que seu futebol chama a atenção. Afinal, foi apenas o 2º gol dele com a camisa do Brasil. Cebolinha faz com que o vejamos como a esperança de uma seleção gigante que não pode ser refém de apenas um jogador, no caso, Neymar.

Contra o Peru, ficou claro que jogadores com essa característica de infiltração, que não têm medo de partir para cima, são a alma do futebol brasileiro.

Diário do Nordeste

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