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Estádio: Reunião entre Governo e empresas ameaça planos de Fla e Flu no Maraca
5 de novembro de 2016 às 09:50

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A novela sobre o futuro do Maracanã ganhou um importante capítulo na tarde de quinta-feira, no Rio de Janeiro. Uma reunião entre o Governo do Estado, Odebrecht – acionária do Consórcio Maracanã – e a empresa francesa Lagardère – que atua em parceria com a brasileira BWA – tratou de uma possível transferência de comando na administração do estádio sem a necessidade de nova licitação, que depende de um estudo realizado da Fundação Getúlio Vargas para ser oficializada. A FGV tem até dia 20 de novembro para entregar o documento. A informação foi inicialmente publicada pela ESPN e confirmada pelo GloboEsporte.com.

Flamengo e Fluminense se mostraram interessados em fazer uma gestão compartilhada do Maracanã. Com estudo em mãos, o Rubro-Negro apontou para participação maior na exploração do estádio. O Fluminense rejeitou a ideia e tinha em mãos um trunfo: contrato de mais 32 anos com a atual concessionária. Além dos clubes, a Federação de Futebol do Rio (Ferj) chegou a buscar parceiros para tentar ficar no lugar da Odebrecht, empresa que é alvo da Operação Lava Jato e tem seu presidente, Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba.

Vencedora da licitação que aconteceu antes da Copa das Confederações de 2013, a Odebrecht pediu, em maio deste ano, a rescisão do contrato de concessão, alegando estar fazendo “um trabalho contínuo para reduzir os custos fixos, minimizar os prejuízos operacionais e se adequar aos impactos da alteração unilateral do contrato de concessão e aos períodos de interrupção da operação como na Copa do Mundo (2014) e Jogos Rio 2016”.

Candidato a administrar o Maracanã, o Flamengo garante não ter recebido qualquer informação oficial sobre a transferência de concessão. Em abril, o clube emitiu uma nota oficial com a seguinte afirmação: “(O Flamengo) Não irá celebrar contrato de locação com eventual sucessor do atual Consórcio Maracanã”. O presidente Eduardo Bandeira de Mello, entretanto, adotou um discurso que demonstra maior flexibilidade.

Ninguém nos informou nada, então, para o Flamengo, não está acontecendo. Estamos trabalhando com o que foi anunciado, isto é, haverá uma nova licitação. Independentemente de qual empresa for, o Flamengo não joga no Maracanã se não for em boas condições. Mas não vejo motivo para que o Governo não cumpra o que foi dito inicialmente. Fizemos estudos e contratamos pessoas em cima do que é oficial. Não vamos nos pautar por boatos.

A Odebrecht alega que o contrato inicial previa a demolição do Parque Aquático Julio Delamare, o estádio de atletismo Célio de Barros e a Escola Municipal Friedenreich. O que não aconteceu. Seriam construídos bares, restaurantes e um estacionamento que aumentariam o lucro da empresa, como foi mostrado um um estudo de viabilidade feito pela mesma antes da licitação.

Sem um acordo com o Governo do Rio de Janeiro e com dificuldades para manter os custos do estádio, a Odebrecht pediu, no último mês de outubro, arbitragem, que é um dispositivo jurídico previsto em contratos público-privados. Sendo assim, três árbitros indicados pelas partes interessadas vão avaliar o estudo da Fundação Getúlio Vargas, responsável em julgar eventuais litígios no contrato, e podem definir uma data para a saída da concessionária.

Franceses perderam licitação

A francesa Lagardère chegou a disputar a licitação com a Odebrecht, mas perdeu. Ela, que administra o Castelão, em Fortaleza, e o Independência, em Belo Horizonte, voltou a se interessar ao saber da desistência da adversária.  A empresa é um conglomerado de mídia nas áreas de editoração, varejo, comunicação e aeroespacial.

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