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Argentina: Condena ex-juízes à prisão perpétua por crimes contra a humanidade
27 de julho de 2017 às 18:33

A justiça argentina condenou à prisão perpétua doze pessoas, entre elas quatro ex-juízes federais, por crimes contra a humanidade cometidos durante a última ditadura (1976-1983), informou nesta quarta-feira o Centro de Informação Judicial da Suprema Corte.

A condenação partiu do Tribunal Oral Federal N° 1 da província de Mendoza, que julgou 28 pessoas. Doze foram condenadas à prisão perpétua, 13 a penas de entre 3 e 20 anos de prisão e três acabaram absolvidas.

Este é o quarto julgamento em Mendoza por crimes contra a humanidade e o mais importante já realizado na província pela quantidade de casos que envolve.

Os condenados foram acusados por crimes contra 110 pessoas, das quais 52 permanecem desaparecidas.

O processo incluiu a apropriação de Celina Manrique Terrera, desaparecida aos oito meses de vida junto com seus pais. Ela só teve sua identidade restituída em 2007 com os esforços das Avós da Praça de Maio, que procuram seus netos desaparecidos.

O julgamento, que começou em fevereiro de 2014, deu destaque aos crimes contra a humanidade cometidos entre 1975 e 1979 na província pela polícia, com a cumplicidade dos juízes, que se omitiram.

Os quatro ex-juízes federais condenados são Otilio Romano, Luis Miret, Rolando Evaristo Carrizo e Guillermo Max Petra Recabarren.

Em 2005, as leis que anistiavam os autores de crimes contra a humanidade foram derrogadas, o que permitiu 689 condenações por tortura, sequestro e assassinato de opositores, segundo um relatório judicial de junho de 2016.

Segundo organismos humanitários, a ditadura deixou 30.000 desaparecidos enquanto cerca de 500 bebês foram roubados das mães em cativeiro.

Destes, 122 recuperaram sua identidade pelo trabalho da Associação Avós de Praça de Maio.

Terra

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