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Baleia azul. Como proteger os jovens dos riscos
24 de abril de 2017 às 06:19

O que seria a Baleia Azul? 

Uma série de 50 desafios que estimula o isolamento, a mutilação e o suicídio entre os jovens. Os adolescentes seriam convocados em grupos fechados do Facebook e em conversas do WhatsApp para cumprir as tarefas estabelecidas pelos “curadores”. Os jovens envolvidos apresentariam sinais de alerta, como atividades na madrugada, interesse repentino por filmes de terror, desenhos e alusões a baleias, além dos comportamentos de risco contra o próprio corpo. Não há nenhuma investigação concluída que aponte a existência e a relação do jogo com casos de mutilação ou suicídio no Brasil.

Os desafios de um jogo chamado Baleia Azul existem ou as práticas começaram a ser reproduzidas após tanto se falar sobre ele? Ainda sem respostas claras, casos de adolescentes que mutilaram o próprio corpo ou cometeram suicídio suscitam investigações em estados como Paraíba, Pernambuco e São Paulo. As apurações buscam saber se as vítimas estariam em grupos nas redes sociais que impõem missões, tendo o autoextermínio como o último de 50 passos a serem seguidos.

Ameaças à integridade e estímulos a comportamentos de risco não são novidades na internet e exigem dos pais um acompanhamento próximo do que os filhos acessam.

Em Curitiba, o prefeito Rafael Greca divulgou vídeo em reunião com secretários da Saúde e da Educação informando, na terça-feira, 18, que sete adolescentes haviam chegado às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) com sinais de automutilação, atribuindo os ferimentos ao jogo. No Ceará, ainda não há registro de casos semelhantes. De acordo com a delegada Ivana Timbó, titular da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), não há situações com estas características em investigação na Capital.

Para Fabiana Vasconcelos, psicóloga membro do comitê de Educação e Ciência do Instituto DimiCuida, é importante ressaltar que nenhum caso do Brasil tem vínculo confirmado com as práticas atribuídas ao fenômeno da Baleia Azul. A organização monitora a disseminação das “brincadeiras perigosas”, como jogos do desmaio e desafios de internet. Conforme Fabiana, os boatos sobre a Baleia Azul surgiram na Rússia, após notícia falsa ter se espalhado na Europa em 2016.

“Falam em 130 casos de suicídio entre jovens na Rússia, mas não há uma investigação concluída que aponte para casos vinculados a estas práticas”, comenta.

Para a organização Safernet Brasil, que busca promover o uso seguro da internet, não é possível chamar de jogo o que foi criado após repercussão da notícia originada na Rússia. Em nota no Facebook, a instituição alerta que “é precipitado estabelecer nexo causal entre a existência de um ‘jogo’ e casos concretos de suicídio”. No entanto, não é descartado que trocas de mensagens em redes sociais e fóruns estejam tentando copiar a ideia no Brasil.

Como reagir

Os estímulos ao perigo não são novidade. Nem a propensão do adolescente a se desafiar e experimentar como forma de evoluir, sobreviver ou mesmo para pertencer a um grupo, detalha a psicóloga Fabiana Vasconcelos. O que mudou nos últimos anos foi a proliferação massiva e sem filtro destes desafios na internet. “Para o jovem, o que acontece virtualmente faz parte da existência dele.

E os pais ainda não viram a necessidade de impor limites no virtual. Isto seria a educação digital, o monitoramento das redes sociais”, explica.

Para a psicóloga, cada família precisa estabelecer como deve funcionar este acompanhamento. Uma dinâmica que depende do grau de diálogo entre pais e filhos, mas que precisa acontecer. “Não seria ver toda e qualquer mensagem do filho, mas ter zero monitoramento não é opção”. Ela detalha que é apenas aos 25 anos que termina o desenvolvimento do córtex pré-frontal do cérebro, área responsável pela tomada de decisões. Assim, o adolescente não alcança a maturidade emocional. Reconhece riscos, mas ignora consequências e se centra na emoção. E é com a maturidade que o jovem conquista a privacidade total, opina.

Ainda segundo a psicóloga, há sinais que os pais devem observar como o alerta para o envolvimento em desafios e brincadeiras perigosas: mudanças de comportamento e humor, isolamento, abandono de atividades e de cuidados com o corpo, fortes dores de cabeça, insônia, além da insistência em cobrir partes do corpo que possam ter sido mutiladas. Nesses casos, os pais precisam buscar a ajuda de psicólogos, psiquiatras, neuropediatras ou médicos especialistas em infância e adolescência.

PARA PREVENIR O SUICÍDIO

1 O suicídio é comportamento com fatores multifatoriais e resulta de uma série de interações complexas. No entanto, há transtornos psiquiátricos que têm maior associação com o comportamento suicida: depressão, transtorno bipolar, alcoolismo e abuso de substâncias químicas, transtornos de personalidade e esquizofrenia.

2 Tratar quadros de transtorno mental e procurar ajuda profissional é uma das chaves para a prevenção do suicídio.

3 Para além dos transtornos mentais, há sentimentos vinculados à ideação suicida: desesperança, desespero, desamparo e impulsividade. Entre os jovens, os casos envolvem humor depressivo, problemas emocionais, familiares e sociais, rejeição familiar, negligência e abusos físicos ou sexuais. Fenômenos de suicidas em grupos são um fator de risco adicional para os adolescentes.

4 Os fatores de proteção a serem estimulados entre os grupos de risco são: elevar a autoestima, oferecer bom suporte familiar, fornecer vínculos com amigos e familiares, promover espiritualidade ou religiosidade (independente da afiliação), estimular a capacidade de adaptação positiva e garantir o acesso à saúde mental com relações terapêuticas saudáveis.

FONTE: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSIQUIATRIA (ABP).

AS CORRENTES CONTRÁRIAS BALEIA ROSA

Converse com alguém que você não fala há muito tempo. Aproveite este momento e ligue para seus avós. Estas são as tarefas encontradas no site e nas redes sociais do movimento que estimula boas ações, promoção da autoestima e maior comunicação entre as pessoas, na contramão do isolamento e do humor depressivo. A página no Facebook conta com mais de 208 mil seguidores e fornece os canais de comunicação com o Centro de Valorização da Vida (CVV). A organização oferece apoio e informações pelo site www.cvv.com.br e pelo número 3257 1084.

BALEIA VERDE

Com 2,7 mil seguidores, a página do Facebook chama ao “jogo do bem” também em resposta às notícias da Baleia Azul. A ideia é apoiar principalmente quem já apresentou tentativas ou comportamentos suicidas, apostando em desafios que despertem autoconfiança dos participantes. São 35 desafios para quem segue a página, como compartilhar imagens de um filme que faça rir ou compartilhar mensagens positivas.

PREGUIÇA AZUL

Em tom irônico e até agressivo, mensagens no WhatsApp e página no Facebook propõem 50 desafios para que os adolescentes participem das atividades domésticas e estudem mais. As tarefas desafiam a varrer a casa, tirar notas boas, escrever nas redes sociais sem erros de português, parar de “fazer drama” e “não ser um imbecil por um dia”.

O POVO

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