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Educação: Nas escolas com alunos mais pobres, diretores são mais inexperientes e ganham salários menores
12 de junho de 2017 às 21:38

As escolas brasileiras que têm alunos classificados com nível socioeconômico mais baixo também são as que têm, com maior frequência, professores mais jovens, menos experientes e que recebem salários menores. É o que diz um estudo realizado pela Fundação Lemann com base no cruzamento de dois dados: questionários respondidos pelos diretores de mais de 50 mil escolas públicas, e as informações sobre o nível socioeconômico (NSE) dos alunos matriculados nessas escolas. O documento foi divulgado nesta segunda-feira (12).

Chamada de “As desigualdades na educação no Brasil: o que apontam os diretores das escolas”, essa análise compara as diferenças nas respostas dos diretores ao questionário da Prova Brasil de 2015 de acordo com o nível socioeconômico da escola dirigida por eles. O objetivo é mostrar os desafios de fora da sala de aula que afetam os resultados dentro dela, e apontar como a equidade de condições de ensino impedem a redução da desigualdade entre alunos com diferentes faixas de renda.

O nível socioeconômico de uma escola é definido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) usando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ele é calculado de acordo com o padrão de vida das famílias dos alunos matriculados naquela escola. Os indicadores incluídos nesse cálculo são a escolaridade dos pais, a posse de bem e a contratação de servidores pelas famílias dos estudantes. O nível socioeconômico é dividido nas categorias muito alto, alto, médio alto, médio, médio baixo, baixo e muito baixo.

Quando as respostas dos diretores sobre sua formação, sua experiência, seu salário, sua raça autodeclarada, entre outras questões, são divididas de acordo com o NSE, é possível notar que quanto mais baixo é o nível socioeconômico dos estudantes, mais aumenta a porcentagem, nas escolas, de diretores que se autodeclaram pardos e negros, recebem até 2,5 salários mínimos, são formados há menos tempo, não fizeram pós-graduação e, em alguns casos, sequer concluíram o ensino superior.

Segundo os dados, da amostragem de 51.136 diretores, 81,5% trabalham em escolas de nível médio baixo, médio ou médio alto. Há apenas 497 escolas na amostra com nível muito baixo, 3.858 de nível baixo, 5.017 com nível alto e 78 com nível muito alto.

Fonte: G1

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