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Ex-presidente peruano diz que não é fugitivo e pede presunção de inocência
14 de fevereiro de 2017 às 10:25

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O ex-presidente peruano Alejandro Toledo, que governou o país entre 2001 e 2006 e teve prisão decretada na quinta-feira (9) por suspeita de ter recebido US$ 20 milhões em propina para favorecer a Odebrecht, afirmou neste domingo (12) que não é um fugitivo da Justiça e reivindicou a presunção de inocência.

Em comunicado oficial divulgado em sua conta pessoal no Twitter, Toledo afirmou que não havia acusações contra ele na Justiça peruana quando saiu do país e disse que vai defender seu nome com a condição de que não o “prejulguem” culpado.

O ex-presidente é procurado desde quinta-feira (9), quando um juiz peruano expediu uma ordem de prisão nacional e internacional contra Toledo. A promotoria do país pediu prisão de 18 meses à Justiça, e ele responde como cidadão comum pelos supostos crimes porque sua imunidade parlamentar como ex-presidente acabou cinco anos após ter deixado o cargo.

´Caça às bruxas´

Foi a primeira manifestação pública dele desde que foi emitida a ordem judicial. Toledo afirmou que o juiz Richard Concepción o acusou de crimes que não cometeu e que o magistrado não pode provar. Ele também qualificou as acusações como “uma caça às bruxas” e garantiu que chamá-lo de “fugitivo” é uma distorção maquiavélica e política.

A suspeita é que Toledo esteja em San Francisco, na Califórnia, onde vive atualmente. Ele trabalha na Universidade de Stanford e é suspeito de ter cometido os crimes de tráfico de influência e lavagem de dinheiro em troca da concessão da Estrada Interoceânica do Sul, que atravessa o território peruano da costa do Pacífico até a fronteira com o Brasil.

A declaração ocorre após o atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, pedir ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que avalie a deportação de Toledo. Eles conversaram por telefone em meio à incógnita do paradeiro do ex-presidente devido a rumores de que ele viajaria dos EUA para Israel.

Segundo ministro peruano do Interior, Carlos Basombrío, Toledo ainda pode sair com liberdade dos EUA porque a Justiça americana ainda não ordenou sua detenção. Basombrío afirmou que os EUA pediram à Promotoria mais informações sobre os motivos para a captura de Toledo.

Escândalo da Odebrecht

Em acordo de leniência firmado com o Departamento de Justiça dos EUA, derivado das investigações da Lava Jato, a Odebrecht admitiu ter pago em propina US$ 788 milhões entre 2001 e 2016 a funcionários do governo, representantes desses funcionários e partidos políticos do Brasil e de outros 11 países. Para o órgão dos EUA, é o “maior caso de suborno internacional na história”.

A construtora brasileira pagou propina para garantir contratos em mais de 100 projetos em Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela, segundo o acordo.

Toledo é a primeira grande figura da política peruana envolvida no escândalo de corrupção da Odebrecht, que admitiu à Justiça americana ter pagado US$ 29 milhões em subornos a funcionários peruanos entre 2005 e 2014 – período que compreende os governos de Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

No período, a construtora participou de mais de 40 projetos no Peru, que envolveram cerca de US$ 12 bilhões em gastos públicos. Os peruanos compõem a segundo maior grupo de trabalhadores da empresa, atrás apenas dos brasileiros – dos 128 mil funcionários do grupo, cerca de 10 mil são peruanos.

Fonte: EFE

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