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“Tinha certeza que ia morrer”, diz Juíza agredida por políticos do RJ
5 de junho de 2017 às 19:36

Uma juíza arbitral, que pediu para ser identificada apenas por Yara, 32 anos, tenta retomar a rotina após sofrer graves agressões em 28 de abril, quando se encontrou com três vereadores do município de Piraí (RJ), em um dos estabelecimentos do Setor Hoteleiro Sul. Os políticos tinham vindo a Brasília para participar da edição 2017 da Marcha dos Vereadores, encerrada na véspera das agressões.

No boletim registrado na 5ª Delegacia de Polícia (área central), em 1º de maio, a vítima relatou que estava com uma amiga quando foi ao encontro dos três políticos cariocas: Júnior Rocha (DEM-RJ), Flávio Banana (PTdoB-RJ) e Paulo Cesar Leandro Simplício (PDT-RJ). Nessa quarta-feira (31/5), Yara foi chamada novamente na 5ª DP para apresentar mais detalhes sobre o caso.

Yara contou aos investigadores que, após as mulheres chegarem ao quarto do hotel, sua amiga foi para o banheiro com Flávio Banana. Ela permaneceu com Júnior Rocha e Paulo Simplício. Depois de uma conversa descontraída, Júnior e Paulo teriam ficado apenas com as roupas íntimas e começado a se beijar. Segundo Yara, a confusão começou no momento em que ela se recusou a participar da troca de carinhos.

Junior se irritou com a recusa, deu um tapa no rosto da mulher e disse: “Essa menina não está com nada”, relatou a vítima à polícia. No momento da agressão, Yara teria gritado, chamando a atenção do casal, que saiu do banheiro. A amiga colocou um vestido e fugiu correndo.

Paulo Simplício foi para a porta do quarto e gritou que ninguém sairia dali. Junior Rocha respondeu que “não tinha mais clima para a diversão” e também deixou o quarto. Flávio Banana se vestiu e, antes de sair do cômodo, também teria dado um tapa no rosto da vítima e a chamado de “vagabunda”.

Yara contou que, mesmo com a agressão, pediu para Banana não deixá-la sozinha com Paulo Simplício, pois ele estava muito nervoso. O homem não a atendeu. Quando só restaram ela e Simplício no cômodo, o vereador foi em sua direção, a mordeu fortemente na bochecha e passou a gritar: “Você é belíssima? Eu também sou, sou a Paloma e você não me conhece”.

Sessão de espancamento
Em seguida, relatou a mulher, o político tentou arrastá-la para o banheiro. A vítima, porém, conseguiu se segurar em um móvel. Irritado, Paulo Simplício teria se ajoelhado sobre Yara e passado a esmurrar o rosto da vítima. Quando a mulher começou a gritar, o vereador tampou sua boca e seguiu com as agressões.Yara fingiu que desmaiou e Paulo, então, teria chegado perto de seu ouvido e falado: “Tá desmaiada? Eu sou a Paloma. Eu odeio bu****!”.

Ao perceber que a vítima estava fingindo, o político pegou uma faca e a colocou no pescoço da mulher. Yara disse que estava grávida e pediu para ele não fazer aquilo. Como resposta, Paulo teria dito que ia matá-la, beber seu sangue e comer sua carne.O homem também teria empurrado a mulher, que feriu o rosto e o braço ao cair da cama. Novos socos teriam sido desferidos contra a vítima. Segundo Yara, seu braço já estava mole nesse momento. Ela gritou e se debateu o suficiente para conseguir se desvencilhar do agressor e fugir do quarto.

No hall do hotel, Yara encontrou sua amiga. Bombeiros e policiais militares, em seguida, chegaram ao local. A mulher foi levada ao Hospital de Base de Brasília, onde passou por exames. A juíza arbitral ficou com hemorragia na glândula parótida, localizada perto da orelha, e o braço está com fibrose (lesão nos nervos). Yara perdeu os movimentos dos dedos indicador e polegar. Para suportar as dores, toma medicamentos à base de morfina.

“Tinha certeza que eu ia morrer”
Ao Metrópoles, Yara  ressaltou que no momento da agressão gritou, mas não recebeu qualquer ajuda. “Tinha certeza que eu ia morrer. Vi a morte na minha frente. A todo momento ele dizia que era a Paloma e que ia me matar. Por mais que eu gritasse, não aparecia nenhum hóspede ou funcionário”, destacou.

A vítima denuncia que o advogado de um dos vereadores chegou a oferecer dinheiro para ela não levar o caso aos jornais. “Primeiro deram uma oferta de R$ 10 mil e depois uma de R$ 30 mil, mas recusei”, resumiu. Impossibilitada de ir à faculdade, Yara diz que os ferimentos também prejudicam as atividades cotidianas, em casa.

Moro com a minha mãe. Ela teve derrame e não anda. Eu que faço tudo para ela. Nos primeiros dias, eu não aguentava nem dar banho nela, passava apenas um lenço no corpo. Isso está acabando com a minha vida

Yara

O delegado-chefe da 5ª Delegacia de Polícia, Rogério Rezende, ouviu a denunciante e informou ao Metrópoles de que não há dúvidas quanto às agressões sofridas pela mulher.

Exames e laudos comprovam que ela foi duramente espancada. Agora queremos saber quem praticou a agressão. O caso é investigado como lesão corporal, mas pode evoluir para lesão corporal gravíssima, de acordo com o andamento das apurações

Rogério Rezende, titular da 5ª DP

Segundo Rezende, os depoimentos dos suspeitos serão colhidos no Rio de Janeiro, pela Polícia Civil carioca. “Também tem a possibilidade de pedirmos autorização da direção da PCDF para enviarmos os nossos próprios agentes para fazer as oitivas”, finalizou. A amiga que acompanhava Yara no dia das agressões será ouvida nos próximos dias.

O outro lado
A reportagem tentou contato com os vereadores, mas, até a última atualização desta matéria, apenas Junior Rocha retornou os telefonemas do Metrópoles. O político confirmou ter estado em Brasília em abril, durante a Marcha dos Vereadores, e também que conheceu Yara.

“Ela estava com uma amiga e ofereceu um programa. Inicialmente, cobrou R$ 1 mil. Eu disse que não queria, mas terminei pagando R$ 400 para ela ir com o Paulo. Essa mulher fez um inferno na minha vida. Está tentando ganhar dinheiro, me extorquir. Chegou a pedir R$ 50 mil para ficar calada. Acabou com o meu casamento”, disse. Rocha também afirmou que pretende processar Yara e que aguarda ser intimado para dar a sua versão sobre o caso.

Fonte: Site Metrópoles

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