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`Musa do crime´: Repórter de TV presa dorme na mesma cadeia onde Richthofen e Jatobá passaram
5 de julho de 2017 às 21:31

A jornalista, advogada e modelo Luana de Almeida Domingos, de 32 anos, que era uma das mulheres mais procuradas de São Paulo até ser detida pela polícia na terça-feira (4) após ficar oito meses foragida no litoral paulista sob a acusação de participar da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), dormiu na mesma cadeia por onde já passaram outras presas famosas.

Chamada por policiais de ‘musa do crime’ após a prisão, a mulher, conhecida como Luana Don na época em que foi repórter do programa Superpop (de 2012 a 2015), da RedeTV!, passou a noite numa das celas da carceragem feminina do 89º Distrito Policial (DP), Portal do Morumbi, Zona Sul de São Paulo, onde já estiveram Suzane Richthofen, acusada de matar os pais em 2002, e Anna Carolina Jatobá, apontada como assassina da enteada, Isabella Nardoni, em 2008.

Por causa da presença de Luana na delegacia, o DP recebeu reforço policial, de acordo com policiais civis ouvidos nesta quarta-feira (5) pelo G1. Segundo investigadores, além dos dez agentes que já trabalhavam nesta manhã no local, mais dez policiais armados com fuzis e metralhadoras estavam no prédio por questões de segurança, já que a presa responde por envolvimento com a principal organização criminosa do estado.

Marmita

A reportagem esteve na delegacia, mas policiais disseram que Luana não queria falar com a imprensa e, mesmo se quisesse, seria impedida para não colocar o distrito em risco. Agentes que tiveram contato com ela disseram que advogados da repórter sequer apareceram.

O G1 também não localizou a defesa de Luana para comentar a prisão da repórter, que estava escondida na casa de uma prima em Ilhabela quando foi localizada pela polícia do Rio de Janeiro em ação conjunta com a de São Paulo.

Até por volta das 11h desta quarta-feira, nenhum advogado da repórter havia estado no 89º DP. Somente a marmita de Luana e das outras 15 presas que estão na cadeia haviam chegado até essa hora. No cardápio: arroz, feijão, carne, salada, doce e suco. Neste horário, segundo policiais, Luana ainda dormia numa das quatro celas, que dividia com mais três detidas, todas com ensino superior completo, assim como a repórter.

Transferência

Em entrevista nesta manhã ao G1, o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público (MP) de Presidente Prudente, interior do estado, afirmou que Luana poderia ser transferida ainda nesta quarta para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.

“Policiais civis do interior do estado devem chegar à capital de carro no início da tarde e pegar a Luana, levando para a penitenciária”, disse Gakiya sobre o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça de Presidente Venceslau em novembro do ano passado, quando a Promotoria deflagrou a Operação Ethos.

Naquela ocasião, a ação serviu para deter advogados que recebiam dinheiro ilegal do PCC para defender presos da facção, além de atuarem como ‘pombos-correio’, passando informações sobre ações criminosas para seus membros que estavam atrás das grades e nas ruas.

PCC

“O PCC criou o braço jurídico da facção, chamada de ‘sintonia dos gravatas’. Esses advogados recebiam mensalmente dos cofres da organização criminosa dinheiro do tráfico de drogas e roubos”, falou o promotor.

De acordo com Gakiya, Luana é uma das 54 pessoas investigadas na Operação Ethos, ao lado de outras, como Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, e Luiz Carlos dos Santos, então vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.

Desse total de investigados, 10 foram condenados e 44 se tornaram réus em processos por corrupção ativa e organização criminosa. “Luana já é ré também, mas responde apenas por um crime, o de participação em organização criminosa”, falou o promotor. “A transferência dela para o interior do estado servirá também para que ela possa ser interrogada pela Justiça, que decidirá se a mulher deverá ser ou não julgada”.

E-mails

A pena para quem participa de uma facção pode chegar a até oito anos de prisão em regime fechado. Segundo o Gaeco, a defesa de Luana chegou a alegar que sua cliente desconhecia que estava trabalhando para o PCC. “Mas temos informações robustas de que advogados levavam e traziam informações relativas a tráfico e atentados a agentes públicos de segurança”.

Gakiya afirmou que mais de 500 mil e-mails dos investigados foram interceptados com autorização judicial, demonstrando o envolvimento deles com o crime organizado. “Para isso, a facção criava e-mails falsos, com codinomes. Os advogados eram chamados de ‘R’, depois ‘S’”.

Fonte: G1

 

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