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O jeitinho brasileiro e a corrupção de mãos dadas
26 de dezembro de 2016 às 11:31
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Para falar da corrupção política, é necessário começar pelas pequenas infrações civis.

Um vídeo divulgado recentemente nas redes sociais, mostra um grupo de pessoas saqueando o caminhão que havia tombado em uma BR em Minas Gerais no último dia 18. As imagens são de adultos e crianças se aproximando do veículo e furtando as mercadorias espalhadas no asfalto. O fato rotineiro serve de ponto inicial para uma reflexão maior sobre um dos problemas centrais que, arrisco a dizer, freiam o crescimento do Brasil: as “pequenas” corrupções.

As manifestações sobre como se portam os políticos brasileiros parecem surgir de quem vê certa distância entre pessoa pública e o “simples cidadão”. Acontece que são nas ações cotidianas que se forma o caráter enraizado numa nação. São nos detalhes diários e nos trâmites burocráticos que estão à prova a capacidade de agir conforme limita a constituição, e de como pode ser seletiva sua aplicação efetiva.

O “jeitinho brasileiro” sobre o qual discorreu o antropólogo Roberto da Matta – um modo de agir tão famoso no mundo para caracterizar a maneira como lidamos com os problemas e pequenos empecilhos diários -, parece inofensivo e de tão enraizado, faz parte de uma cultura brasileira, onde é comum constatar que determinada lei “não pegou”.

Pode parecer exagero apontar como corrupção alguém que fura a fila do banco, ou aquele que dá um troco ao guarda de trânsito ao ser flagrado o sem o cinto de segurança. Mas são justamente essas as situações que constroem o sentido maior e tornam o país um referencial da desonestidade política.

Esse “jeitinho” não escolhe classe social. A menor possibilidade de queimar etapas parece ser aproveitada porque se encontra numa situação onde “não há tempo” para burocracias. O que não deve ser esquecido, entretanto, são os direitos que se encerram quando começam os do outro, um princípio indispensável para a vida fluir justamente em sociedade.

Assista ao vídeo:

Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Miséria.com.br

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