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Preso, algemado e internado sob escolta policial pula da janela do 4º andar de hospital no ABC
7 de fevereiro de 2019 às 12:30
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Um marceneiro preso suspeito de matar a namorada na semana passada, pulou da janela do quarto andar do hospital onde estava internado, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, na manhã desta quinta-feira (7). Ele sobreviveu, mas corre risco de vida.

Givanilson Valdemir dos Santos, de 26 anos, estava algemado à grade da cama e sob escolta policial em um quarto do Complexo Hospitalar Marcia e Maria Braido, no bairro Santa Paula.

O Marceneiro está detido desde sábado (2), quando confessou ter esfaqueado e matado a namorada, a médica veterinária Paula Patrícia de Mello, de 38 anos, no apartamento do casal.

A secretária municipal de Saúde de São Caetano, a médica Regina Maura Zetone, disse ao G1 que Givanilson tentou se matar. Ele foi socorrido e levado para exames; seu estado de saúde é grave. “Teve traumatismo craniano e lesões múltiplas pelo corpo. Está inconsciente”, disse.

Ainda de acordo com a secretária essa foi a primeira vez que um paciente tentou se matar na unidade. “A nossa responsabilidade com ele é médica. A responsabilidade dele como preso é da PM [Polícia Militar]. Ele estava sob escolta 24 horas por dia.”

A reportagem procurou as assessorias de imprensa da Polícia Militar e da Secretaria da Segurança Pública (SSP) para comentar o assunto, mas não teve retorno até a publicação.

Feminicídio

Segundo a polícia, a Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada no sábado (2) para atender à ocorrência de violência doméstica no apartamento onde o marceneiro Givanilson morava com a namorada.

Mas ao chegarem ao local, os agentes não encontraram ninguém. Depois foram informados que o casal tinha sido levado ao Hospital Euryclides Zerbini.

Nesse lugar, os guardas encontraram o homem e a mulher feridos dentro de um carro, um Jeep Renegade. Paula estava inconsciente e Givanilson, com lesão no abdome. O marceneiro alegou, inicialmente, que o casal foi machucado durante um roubo, mas depois confessou ter esfaqueado a médica durante uma discussão.

Paula foi levada ao Hospital Mário Covas, em Santo André, também no ABC, para uma cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Givanilson foi preso em flagrante e levado ao Complexo Hospitalar em São Caetano.

Segundo Regina, Givanilson havia deu entrada no hospital no sábado com uma perfuração à faca na barriga. De acordo com os agentes de segurança que o haviam prendido antes, o homem tinha dito que se feriu acidentalmente com a arma ao escorregar no sangue da namorada, após matá-la com mais de 20 facadas.

A equipe médica que o atendeu no hospital, no entanto, suspeita que essa tenha sido a primeira tentativa de suicídio dele após o crime, que foi registrado na Delegacia sede de São Caetano do Sul como homicídio qualificado com agravante de feminicídio (que é matar uma mulher pelo fato de ela ser do sexo feminino).

O corpo da médica foi enterrado no domingo (3) no Cemitério da Saudade, na mesma cidade.

Escolta

A secretária de Saúde afirmou que a escolta de Givanilson era feita por dois agentes armados da PM que, por volta das 7h20 desta quinta-feira, estavam no corredor, do lado de fora do quarto do preso. A porta foi deixada aberta.

“Ele arrancou a grade da cama onde estava algemado e pulou do quarto andar da janela. Ele caiu num mezanino que corresponderia ao segundo andar. Caiu de face, teve afundamento de face”, comentou Regina.

Após ser medicado, a expectativa era a de que o preso tivesse alta até sábado (9). Mas, com os novos ferimentos causados em decorrência da queda, o marceneiro será transferido para outro hospital, onde deverá passar por cirurgia especializada em traumas na cabeça.

O quarto onde Givanilson estava internado não possui grades nas janelas. “Lamentamos o ocorrido. É um fato que nunca ocorreu no hospital. Acho que vale como uma lição. Inclusive já temos muitos quartos gradeados”, disse Regina, que avaliou a possibilidade de, no futuro, colocar grandes em todas as janelas.

G1

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