JPMotos
Turquia acusa pregador opositor por assassinato de embaixador russo
22 de dezembro de 2016 às 10:37
29
Visualizações

20161221152016_1745_capa

Ancara apontou para o pregador turco, exilado, Fethullah Gülen como responsável pelo assassinato do embaixador da Rússia na segunda-feira (19), mas o Kremlin, que investiga o caso com seus próprios agentes, considerou nesta quarta-feira (21) ser muito cedo para dizer quem está por trás do crime.

A morte ocorreu em plena reaproximação entre as duas potências, que organizaram uma trégua para a evacuação da cidade síria de Aleppo. Os dois países denunciaram uma “provocação” visando sabotar a cooperação mútua.

Na segunda-feira, o policial turco Mevlüt Mert Altintas, de 22 anos, efetuou vários disparos contra o embaixador russo Andrei Karlov durante a inauguração de uma exposição de fotos em uma galeria em Ancara. No momento do crime, ele gritou “Allah Akbar” e afirmou agir em vingança à tragédia em Aleppo.

Apesar de tais declarações que parecem ligar o assassinato ao conflito na Síria, o chefe da diplomacia turca, Mevlüt Cavusoglu, declarou na terça-feira (20) que a rede de Fethullah Gülen, inimigo declarado do presidente Recep Tayyip Erdogan, estaria por trás do assassinato.

Segundo a chancelaria turca, Cavusoglu afirmou ao secretário de Estado americano John Kerry que “a Turquia e a Rússia sabem que por trás do ataque está a FETO”, acrônimo que designa a rede de Gülen.

Exilado nos Estados Unidos, o teólogo é apontado por Ancara como o responsável pelo golpe de Estado fracassado de julho passado.

Gülen, que rejeita as acusações de envolvimento na tentativa de golpe de julho, declarou que sente “profunda tristeza” pelo assassinato do embaixador russo.

Mas o porta-voz do Kremlin ressaltou nesta quarta-feira que “acha que é preciso esperar os resultados do trabalho do grupo de investigação [russo-turco] que começou ontem [terça] em Ancara”.

“Não se pode tirar conclusões precipitadas até que a investigação tenha determinado quem está por trás do assassinato de nosso embaixador”, acrescentou Dimitri Peskov.

PROVAS SÓLIDAS

Em um fato inédito, Ancara aceitou a participação de 18 especialistas russos na investigação do crime.

O grupo, que inclui agentes do serviço secreto e diplomatas russos, chegou na terça-feira a Ancara para colaborar com a investigação, segundo o ministro russo das Relações Exteriores, Sergueï Lavrov.

“É provável que os russos não vão ficar satisfeitos com explicações como ´o assassino de Karlov é um gulenista´”, acredita Murat Yetkin, editor do jornal Hürriyet. “Eles vão exigir provas sólidas”, acrescentou.

De acordo com a imprensa turca, os investigadores encontraram livros sobre organização gulenista durante as buscas na casa de Mevlüt Mert Altintas, e estão analisando as relações estabelecidas pelo policial.

Treze pessoas seguiam detidas nesta quarta-feira, incluindo vários parentes do atirador, que serviu por dois anos e meio na polícia de choque em Ancara.

De acordo com um colunista de Hürriyet, o jovem oficial integrou o dispositivo de segurança que cerca o presidente Erdogan oito vezes desde o golpe fracassado em julho. “Ele era um membro da equipe de garantir a segurança do presidente logo atrás dos guarda-costas”, escreve Abdulkadir Selvi, um jornalista próximo ao governo.

Desde a tentativa de golpe, Ancara exige a extradição do pregador, que vive nos Estados Unidos desde os anos 90.

“Precisamos deixar os investigadores fazerem o seu trabalho”, disse o porta-voz do departamento de Estado americano, John Kirby, sobre o assassinato do embaixador da Rússia, sublinhando a necessidade de acompanhar o desenrolar dos “fatos e provas” antes de “tirar conclusões precipitadas”.

Andrei Karlov, cujo corpo foi repatriado na terça-feira à noite, será enterrado na quinta-feira depois de uma homenagem nacional, na presença do presidente Vladimir Putin, segundo o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov.

Fonte: AFP

ComentáriosComentários