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Ceará tem 32 casos de raiva animal em 12 municípios
11 de junho de 2016 às 08:58

01Apesar de não haver registro de raiva humana no Ceará há quase quatro anos, o Estado permanece em alerta para os casos da doença em bichos. De acordo com a médica veterinária do Núcleo de Controle de Vetores da Secretaria do Estado do Ceará e responsável pelo Programa da Raiva no Estado, Naylê Holanda, em 2016 já foram confirmados 32 casos de raiva animal em diferentes municípios.

A última confirmação, esta, já em junho, foi em um sagui. De acordo com a gestora, os registros aconteceram em 12 municípios do Ceará: Ibiapina, Tamboril, Boa Viagem, Barro, Carnaubal, Pereiro, Quixeré, Ererê, Limoeiro, Tabuleiro do Norte, Icó e Pacatuba.

As confirmações são provenientes de testes laboratoriais feitos a partir do recolhimento dos corpos dos animais que, quando vivos, apresentavam sinais clínicos da doença. Para a especialista, o número está um pouco acima da média esperada para um período de seis meses – de janeiro a junho. Em 2015, os casos em animais somaram cerca de 60.

“Todas essas confirmações são em animais recolhidos pelos servidores do Município, que coletam o material necessário para o exame e enviam para a análise. Fazemos a vigilância em cão, gato, animais silvestres, aéreos e terrestres. O Ceará está vigilante para a raiva, quanto mais amostras recebemos, mais positividade temos”, reiterou Naylê.

Conforme a Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), muitas das confirmações deste ano foram em morcegos não hematófogos, ou seja, que não se alimentam de sangue, e ainda viviam em áreas urbanas. Dos 32 registros, 23 são em morcegos, três já em janeiro, seis em fevereiro, outros três em março, seis em abril e cinco em maio.

“O principal transmissor da raiva humana no Brasil é o cão, mas, no Ceará vem sendo diferente nos últimos 10 anos. Aqui é sagui o maior responsável, porque a maioria das pessoas insiste em capturar e criar esse animal por não terem conhecimento da transmissão. Por isso estamos implantando um projeto da Sesa com a Seduc para levar informações às escolas”, ressaltou Naylê. Como principal fator preventivo, a Pasta cita a capacitação de profissionais para uma vigilância eficaz e diagnóstico rápido.

Bichos

Sobre os casos da doença em morcegos urbanos, Naylê conta que “quando o morcego adoece de raiva ele tem paralisia, não consegue voar, aí o gato vê um bicho desse e vai para cima, aí o gato pode transmitir para o humano. Os últimos casos foram de gatos que pegaram com morcegos, por isso a importância da vacinação de cães e gatos. Mas o morcego é muito importante no equilíbrio ecológico, 70% dos que coabitam se alimentam de insetos e fazem esse controle”.

Em 2015, a Campanha de Vacinação de cães e gatos contra a raiva ocorreu no período de 14 de novembro a 14 de dezembro. Conforme a Sesa, o Ceará ultrapassou a meta de vacinação estipulada pelo Ministério da Saúde. No Estado, foram vacinados 1.019.392 cães e 463.199 gatos. Para este ano, a Pasta afirma que ainda não há data para a campanha, mas o processo de organização já foi iniciado.

FIQUE POR DENTRO

Última morte por raiva humana ocorreu em 2012

Em março de 2012, o Ceará registrou a última morte por raiva humana. A vítima foi um menino de 9 anos, morador do município de Barbalha, no Cariri. A criança, natural de Jati, ficou internada durante duas semanas no Hospital São Vicente de Paulo.

De acordo com a médica veterinária Naylê Holanda, a criança tentou capturar o sagui e acabou sendo mordida. Devido à falta de conhecimento sobre a gravidade do acontecido, a família demorou a procurar atendimento médico. Antes deste caso, a última morte havia sido registrada em Ipu, em 2010.

Fonte: Diário do Nordeste

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