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Aedes aegypti já infectou quase 65 mil pessoas em 2016 no Ceará
19 de novembro de 2016 às 10:15

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Um boletim divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) na última quinta (17) informa que quase 65 mil pessoas foram infectadas pelas arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, em todo o Ceará, somente em 2016. Foram 35.122 casos confirmados de dengue, com 25 óbitos; 27.333 de chikungunya, com 14 óbitos, e 1.929 casos de zika, com identificação do vírus em 24 ocorrências de microcefalia. Ainda nesse cenário, 12 municípios do Estado apresentam alto índice de infestação predial do mosquito, e outros 32 estão em situação de média infestação.

Os dados são do terceiro Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (LIRAa), realizado pela Pasta no início do mês, com adesão de 111 dos 184 municípios cearenses. O maior índice foi registrado em Capistrano, com 14,5% de infestação nos imóveis vistoriados por agentes de endemias do município, seguido por Canindé (13,7%), São Luís do Curu e Baturité (ambas com 8,5%). O índice ideal seria inferior a 1% das propriedades. A Capital registrou apenas 0,8%.

A pesquisa apontou ainda os locais dos imóveis cearenses onde mais se encontram larvas do mosquito. Cisternas, tambores e tanques instalados ao nível do solo concentram 60,62% dos focos; depois, vêm os depósitos móveis, como vasos ou pratos de plantas e bebedouros de animais, com 11,73%. Em seguida, aparecem em 11,55% das caixas d´água elevadas, além dos 16,10% em ralos, vasos sanitários desativados, pneus e lixo.

A técnica do Núcleo de Controle de Vetores, Ricristhi Gonçalves, aponta a seca como principal responsável pela alta presença de larvas em depósitos de água ao nível do solo. “Como não há mais chuvas, as pessoas que moram em municípios com abastecimento irregular armazenam água em cisternas, tanques e tambores. O Governo já doou quase 6 mil rolos de tela de nylon para fazer a vedação, mas algumas não têm cuidado na hora de tampar o reservatório, após o uso”, afirma.

Pré-estação chuvosa e troca de gestão são preocupações

Segundo Ricristhi, as maiores preocupações da Pasta, no momento, são a pré-estação chuvosa, que pode começar já no mês que vem, e as trocas de gestão municipais no início de 2017. “Os casos de arboviroses reduziram por enquanto, mas os mosquitos continuam se proliferando. Se não cuidarmos agora, eles vão continuar pondo ovos que, nas primeiras chuvas, podem eclodir”.

Ela afirma que a Sesa já entrou em contato com o Ministério Público para avisar às equipes de transição dos governos municipais a como proceder na prevenção das doenças. Além disso, informa que, para reforçar os cuidados, o órgão lançará o Plano Estadual de Vigilância e Controle de Arboviroses no próximo dia 30, com medidas a serem adotadas no ano que vem.

População deve ficar alerta para o ressurgimento da dengue tipo 2

Para o médico infectologista Anastácio Queiroz, é preciso ficar alerta sobre o ressurgimento da dengue tipo 2 no Ceará, identificada num paciente de Caucaia, em março. A doença havia sido erradicada em 2009. “Isso preocupa porque as pessoas que não nunca tiveram essa doença podem ficar expostas”, explica. A técnica da Sesa rebate e diz que não há motivos para pânico, uma vez que o caso foi “esporádico e, o paciente, isolado”.

Anastácio reforça a necessidade de enfrentar o vetor, mas afirma que os focos do mosquito nunca foram eliminados de maneira definitiva no Ceará, em parte, por negligência da população. “As caixas d´água eram focos importantes da dengue em 1986, mas, 30 anos depois, continuamos com o mesmo problema. Acho que as pessoas que têm caixa d´água em casa têm a plena competência de vedá-la, porque é uma ação simples, de baixo custo e de alta eficácia. Já a limpeza dos terrenos baldios cabe ao poder público”, comenta.

Fonte: Diário do Nordeste

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