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Ceará tem nove mortes por leptospirose apenas neste ano
15 de setembro de 2016 às 11:58
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20160915061016_3917_capaA leptospirose, doença infecciosa ocasionada por bactéria presente na urina de animais, como os ratos, já motivou nove mortes no Ceará, em 2016. Das vítimas que perderam a vida, oito residiram em Fortaleza, e uma em Caucaia. Os números do documento de notificação compulsória da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), divulgado na última terça-feira (13), trazem ainda 40 confirmações da doença. O total assusta quando comparados aos dos anos anteriores.

Este ano já supera os casos dos períodos anteriores. Em 2015, até agosto, foram 10 confirmações e duas mortes. 2013 e 2014 foram dois anos sem registros de morte pela enfermidade. Quando não levada a sério, a doença, que é controlável e tem o antibiótico como base do seu tratamento, leva à morte.

Indicativos

Os sintomas iniciais se confundem com doenças já conhecidas da população: dengue, zika e chikungunya. Náuseas, vômitos, erupções cutâneas, dores nas articulações, dor de cabeça e ao redor dos olhos, além de pequenas manchas vermelhas na pele, são alguns dos alertas listados pelo Ministério da Saúde. Para o infectologista Anastácio Queiroz, as notificações sequer mostram o real problema de Saúde Pública, já que há as subnotificações.

“A doença não está controlada. Tomamos conhecimento só de uma ponta do que acontece. A maioria dos casos se resolve com facilidade, mas nove óbitos é um número grande. Com atendimento tardio é uma doença que pode atingir fígado, rins e coração. É difícil imaginar que seja algo que se reduza a Fortaleza. Sabemos que o diagnóstico nas cidades menores é mais difícil, principalmente quando envolve exames específicos”, lembrou o especialista.

Dos 40 casos confirmados de leptospirose neste ano, 28 foram só na capital cearense. Há ainda outras certificações em Pacoti, Guaramiranga, Pedra Branca, Iracema, Canindé, Sobral e Russas. Segundo a Sesa, a zoonose emergente atinge principalmente regiões tropicais e tem importância social e econômica. Muitas vezes, a ocorrência está diretamente relacionada às precárias condições de infraestrutura sanitária.

Associada à sujeira e lama, locais onde é comum encontrar urina de rato, Queiroz lembra que, apesar dos investimentos no saneamento básico, a população de roedores não reduziu: “A habitação interfere. Se você anda na periferia, vê que as condições são precárias. Excepcionalmente, pessoas em boas condições são expostas e podem adoecer. Mas a proliferação é maior onde as condições de vida são insalubres, onde há muita gente que anda de pés descalços”.

Levantamento

Os casos da doença são reportados de forma compulsória desde 1995. À época, em agosto de 2014, data do último boletim completo acerca da leptospirose, Fortaleza tinha 19 casos, e já se apresentava como a localidade com mais ocorrências. Em 2013, foram notificados 188 casos em 53 municípios do Estado. Destes, 31 foram confirmados em 14 localidades. 15 dos registros eram de Fortaleza.

Além dos ratos, a Sesa ressalta que gado, porco, carneiro, marsupiais e morcego também podem estar envolvidos na transmissão da enfermidade por meio da eliminação de urina. Nestes animais, a infecção acontece de forma assintomática e a eliminação do agente pode acontecer durante toda sua vida.

Sobre a assistência dada aos humanos que apresentarem sintomas da leptospirose, a Sesa ressalta que um primeiro atendimento pode ser feito nas unidades básicas de saúde mais próxima à residência do paciente. Caso os sintomas se apresentem de forma agravada, como olhos amarelados e ausência constante de urina, como ressalta Queiroz, é preferível a emergência de um hospital de maior porte. A secretaria acrescenta que, em Fortaleza, é o Hospital São José de Doenças Infecciosas o local de referência para o tratamento.

Fonte: Diário do Nordeste

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