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População enfrenta transtornos pela ausência dos coletivos urbanos
20 de abril de 2017 às 11:07

Era por volta de 13h quando a população começou a estranhar a ausência dos coletivos urbanos circulando em Fortaleza. Quem ainda não sabia do início dos ataques se questionou sobre os porquês de os ônibus estarem sendo levados para as garagens e os terminais de integração de Fortaleza estarem esvaziados.

Foram aproximadamente oito horas até que os ônibus começassem a retornar às vias públicas. Inicialmente, o Sindiônibus havia informado que a partir das 18h ocorreria uma operação de restabelecimento do serviço de transporte coletivo em Fortaleza e Região Metropolitana.

No entanto, em seguida, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) informou que o retorno dos veículos havia sido adiado para as 20h30, e que a partir deste horário o restabelecimento se daria aos poucos, com a promessa de metade da frota até ontem e disponibilização total hoje. Além disso, cada coletivo seria acompanhado por uma viatura de agentes da Polícia Militar e da Guarda Municipal.

Desordem

A incerteza sobre a volta para casa nesta quarta-feira era constante nas paradas de ônibus e terminais de integração. A espera dos passageiros pelo transporte coletivo durou por horas em diversos pontos da cidade, além de terem encontrados os terminais fechados.

Essa foi a situação enfrentada pela professora Sulsany Melo, que por volta das 17h30 já traçava uma outra estratégia para voltar para casa por conta da ausência do transporte público. “Estou esperando uma carona vir me buscar. Mas o terminal está muito cheio e já vi várias pessoas dizendo que iam enfrentar o caminho a pé e outras indo de moto”, comenta a usuária de transporte público.

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Com a ausência dos coletivos, as vias ficaram mais congestionadas do que o normal. Ruas e avenidas registraram engarrafamentos durante a tarde e a noite

Em pontos movimentados da cidade, como na Avenida Washington Soares, as paradas de ônibus mantinham-se repletas de pessoas ainda em dúvida sobre o retorno dos ônibus. Por volta das 18h30 micro-ônibus chegavam a passar lotados pela Avenida, mas não abriam as portas a novos passageiros. A vendedora Kelly Monteiro aguardava o transporte desde as 15h e preocupava-se por não ter outro meio para seguir seu rumo. “Não tenho quem venha me pegar e moro longe, em Caucaia. O que me resta é esperar e torcer para que o ônibus venha ainda hoje”.

O ponto em que o operário de construção civil Dimas Sousa esperava pelo transporte rumo ao terminal do Siqueira é próximo a um dos locais onde houve ataques a ônibus, no bairro Edson Queiroz. Ele afirma que chegou a ver a fumaça do incêndio do local onde trabalhava. “O problema é que a gente não sabe até onde isso vai continuar, se amanhã vai ser do mesmo jeito. Não sabia nem que o terminal estava fechado. Agora não sei como vou vir ao trabalho amanhã, porque outros meios de transporte, como táxi e uber já são caros, hoje estão com os preços mais que dobrados”, preocupou-se.

Medo

A dúvida sobre a continuidade regular do fluxo de ônibus já afetava os planos da estudante Laisa Brito para o dia seguinte, não apenas por conta da presença dos coletivos nas ruas, mas pelo medo de ocorrências como as que aconteceram ontem se repetirem nos próximos dias. “Eu e uma colega estamos pensando em boicotar o estágio amanhã por conta desse caos. Mesmo se tiver ônibus nas ruas, fica o medo de estar no meio da viagem e aparecerem pessoas do nada para incendiar”, comenta.

Às 19h30 o terminal de integração da Parangaba, um dos mais movimentados da Capital, estava completamente vazio de passageiros, num horário em que costuma ter um de seus maiores fluxos. Ônibus também mantinham-se paralisados.

Do lado de fora do Terminal, o estudante Caio César Pontes preferiu se valer dos serviços de mototáxi para retornar à casa. “Hoje vou ter que gastar mais, mas é perigoso ficar por aqui nesse horário. Infelizmente, não tem jeito, numa cidade como Fortaleza não dá mesmo para o cidadão contar com um transporte público que a qualquer momento pode parar”, criticou o passageiro.

Quem conseguiu enxergar vantagens com a paralisação dos coletivos foram os mototaxistas e taxistas. Conduzindo sua moto, Wagner Pinheiro comentou que a tarde sem ônibus foi como um “adiantamento do décimo terceiro” pelo volume de viagens realizadas. “Não paramos a tarde toda, desde as 13h mais ou menos”, disse o mototaxista.

Conforme informado pela Etufor, após reunião com os responsáveis pelo transporte público de Fortaleza, os ônibus voltaram, aos poucos, a sair dos terminais por volta das 20h30, com metade da frota normal circulando. No Terminal do Papicu, os poucos passageiros que resistiram à espera conseguiram tomar os ônibus, que só saíam acompanhados pela Polícia.

O secretário de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa, esclareceu, em coletiva de imprensa, a estratégia adotada. “Estamos fazendo acompanhamento das principais rotas com viaturas nossas e da Guarda Municipal. Temos também o BPRaio, BPChoque, tropas especiais circulando nas principais vias, onde esses ônibus circulam e o emprego das aeronaves na Capital”.

Ele tratou ainda de tranquilizar a população sobre o uso dos coletivos. “A população pode usar normalmente os ônibus, durante a madrugada. A gente vai dar esse acompanhamento até que tenhamos certeza que a situação está normalizada. Vamos garantir o transporte público na Capital e Região Metropolitana”, colocou André Costa.

Aulas suspensas

No intuito de assegurar a integridade física dos alunos, diversas instituições de ensino suspenderam as aulas na noite de ontem. Já no fim da tarde, a Universidade Federal do Ceará (UFC), assim como a Universidade Estadual do Ceará (Uece) comunicaram que suas atividades acadêmicas e administrativas foram interrompidas. A opção também foi adotada por faculdades particulares específicas.

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 Diário do Nordeste

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