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Setor de serviços puxa geração de emprego no CE com 10 mil vagas
22 de novembro de 2019 às 12:32
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Na tentativa de esboçar uma reação à recessão brasileira, o mercado de trabalho formal do Ceará gerou 8,8 mil novas vagas de janeiro a outubro deste ano. O volume representa leve alta de 0,77% em comparação a igual período de 2018, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

Na contramão dos outros segmentos, o setor de Serviços já conseguiu engatar um ritmo constante de abertura de novos postos de trabalho, tendo criado 10,7 mil vagas neste ano no Estado.

O grande potencial turístico do Ceará explica o êxito e boa fase do segmento, apesar de todas as dificuldades. O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Maurício Filizola, aponta que o Governo Federal tem tomado algumas medidas que melhoram a confiança do empresário.

“Nós já tivemos a aprovação da reforma da Previdência, também foi lançado um mecanismo para impulsionar a empregabilidade, tudo isso contribuído para a melhora dos níveis de emprego”, destaca Maurício Filizola..

Subemprego

O programa a que ele se refere é o Verde-Amarelo, lançado pela equipe econômica do presidente Bolsonaro na semana passada. O projeto tem por objetivo aumentar a contratação de jovens de 18 a 29 anos, com remuneração de até 1,5 salário mínimo.

O economista Gilvan Farias ressalta que a proposta, caso aprovada, pode até melhorar um pouco os números do emprego formal, mas impõe condições de subempregos. “Não adianta crescer gerando subempregos, onde o trabalhador não tem mais segurança. Por exemplo, a contribuição patronal para o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de 8% para 2%, ou seja, o trabalhador vai ter o benefícios diminuído em 80%”.

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Ele lembra que os níveis de remuneração do trabalhador no Ceará já são, historicamente, menores que a média brasileira.

“O investimento do Governo não deveria ir todo para projetos que só irão beneficiar as classes média e alta. Deveria investir em setores estratégicos, que gere empregos de qualidade e rendimentos compatíveis, porque, com um salário melhor, o trabalhador trabalha com mais afinco, atinge uma produtividade melhor”.

Sobre o destaque dos serviços, ele revela que é apenas uma questão de proporção. “Os serviços é o principal segmento da economia. A atividade do setor é a maior em relação às demais. Então, é natural que os maiores números sejam observados nele”.

Comércio

O setor do comércio emplacou o terceiro mês consecutivo de saldo positivo no Ceará, após fechar mais do que abrir empregos durante seis dos dez meses analisados até agora. Em outubro, foram 8,3 mil admissões e 7,3 demissões, resultando em um saldo de 961 postos de trabalho. Ainda assim, de janeiro a outubro, o saldo ficou negativo em 1,9 mil vagas, o segundo pior do Estado, atrás somente da construção civil, que encerrou 2,3 mil empregos no ano.

Filizola afirma que, por conta da crise, o comércio ainda não conseguiu recuperar seus resultados, mas espera que, nós próximos meses, as contratações do setor sejam retomadas.

“Além dessas reformas e novas propostas do Governo, neste período de fim de ano, com a Black Friday e Natal, temos um maior volume de vendas. Com a entrada do 13º salário também, a expectativa é de melhora. Estamos no primeiro ano do novo Governo, são tempos de ajustes, precisamos de um pouco de paciência para ver a retomada”, diz o presidente.

O economista conselheiro do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon), Vicente Ferrer, aponta que o consumo das famílias tem aumentado e, com isso, também o número de empregos gerados no País.

“Aliado a isso, algumas reformas já foram aprovadas e outras estão se encaminhando para serem apresentadas. O Ceará está bem em relação ao restante do País. São Paulo, por exemplo, concentra 40% do PIB do Brasil e gerou 11,7 mil empregos. Considerando que o Ceará gerou 3,4 mil, estamos bem”.

Segundo o Caged, o Estado apresentou o quinto melhor saldo do País, mesma colocação da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Construção Civil

Sem novos lançamentos, um estoque de unidades ainda alto e atrasos nos repasses do Governo para o Minha Casa, Minha Vida, a construção civil no Ceará ainda sofre. Em outubro, o setor fechou 96 empregos, acumulando a perda de 2,3 mil no ano. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, revela que o Estado ainda possui 6,5 mil imóveis em estoque além de R$ 30 milhões em atraso do MCMV.

“As empresas vão terminando as obras que já estão em andamento e não iniciam novas, o que gera demissões. O MCMV também representa uma parcela alta dos nossos empreendimentos, de forma que esses atrasos nos prejudicam muito. Na minha empresa mesmo, iniciei o ano com 1,2 mil empregados e agora só estou com 400”, destaca.

Diário do Nordeste

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