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Taxas de homicídios “explodem” em maio no Ceará e comprometem o “Ceará Pacífico”
1 de junho de 2017 às 06:36

Os  Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs) “explodiram” neste mês de maio. Superaram os 400 casos, levando as estatísticas da Segurança Pública do Ceará às alturas e fazendo furos no barco do programa “Ceará Pacífico”. A guerra declarada entre as facções criminosas que atuam no estado vem produzindo efeitos catastróficos para a Segurança e causando um derramamento de sangue nas ruas, deixando órfãos, viúvas e famílias inteiras na mais profunda tristeza. Na sociedade, a sensação é de medo generalizado.

Na semana passada, em dois dias, a violência fugiu do controle das autoridades. Na quinta-feira, dia 18, corpos ficaram expostos nas ruas e avenidas da Capital à espera da chegada de equipes da DHPP para iniciar as investigações e, só depois disso, serem liberadas a perícia e remoção dos cadáveres ao necrotério da Pefoce. No sábado (27) e no domingo (28) a história se repetiu.

Em apenas quatro dias – entre quinta-feira (25) e domingo (28) – nada menos, que 77 pessoas foram assassinadas no Ceará, o que dá uma média de 19,25 assassinatos/dia, elevando assim as taxas dos CVLIs a patamares de 2014, quando, na época, era governador do Estado o hoje pedetista Cid Gomes. Naquela ocasião, o programa Ronda do Quarteirão já começava a embicar.  Cid foi embora e Camilo assumiu o governo com a promessa de fazer da Segurança Pública seu norte, sua prioridade no Palácio da Abolição.

No começo do novo governo, facções entraram em um “acordo de paz” e os números da violência foram lá pra baixo. Camilo, numa posição confortável diante da queda abissal dos assassinatos, demorou a admitir  a presença dessas organizações criminosas no estado. O pacto entre elas se rompeu e a matança recomeçou. E o resultado de tudo isso está traduzido nos números de hoje. A guerra entre Comando Vermelho (CV), PCC, Guardiões do Estado (GDE) e Família do Norte (FDN) parece está longe do fim.

SANGUE NAS RUAS

Em Fortaleza, os confrontos entre membros das facções ocorrem, com mais intensidade, em bairros já bem conhecidos das autoridades como os mais violentos da cidade: Jangurussu, Jardim Iracema, Pirambu, Barra do Ceará, Bom Jardim, Vicente Pinzón, Vila Velha, Álvaro Weyne (Floresta), Sapiranga-Coité, Colônia, Conjunto Palmeiras, Bela Vista, Serrinha e Antônio Bezerra. Juntos, eles formam um verdadeiro “cinturão do crime” na Capital.  Solução imediata? Ocupação policial, desarmamento diuturno, operações com mandados de busca e apreensão coletivos, apreensão de veículos irregulares usados pelos criminosos, e levantamento de Inteligência permanente em tais áreas. Fora isso, o resto é pura pirotecnia midiática.

POLICIAIS VIRAM ALVO

E o reflexo do avanço do crime no Ceará tem como reflexo as mortes de agentes da própria Segurança Pública. Neste ano (em apenas cinco meses), já foram mortos no estado, 11 policiais militares, três guardas municipais e um bombeiro militar. A maioria, em situações em que eles estavam de folga e reagiram à abordagem de assaltantes. O mais recente caso, dentro da garagem de uma empresa de ônibus, onde um sargento da Reserva Remunerada da PM fazia segurança particular para poder dar de comer à sua família.  Se na Ativa os policiais têm que sobreviver com as migalhas pagas pelo Estado em forma de soldo, imaginem os da Reserva, sem nenhuma gratificação, nem diárias ou prêmios. Só lhes resta um emprego a mais, um “bico” para não passarem fome. E aí, ocorrem os ataques e assassinatos…

DELTAS VÃO SE ESTRIBAR

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Ceará aprovou, nesta terça-feira (30), a constitucionalidade da mensagem de lei do governador Camilo Santana, que eleva a categoria dos delegados da Polícia Civil ao patamar das carreiras jurídicas. Nesta quinta-feira (1º de junho), as galerias da AL estarão ocupadas pelos delegados, que querem a aprovação já da mensagem. Isso vai possibilitar aos “Deltas” (como são chamados entre si) patamares salariais nivelados aos de promotores de Justiça, juízes e desembargadores, podendo, inclusive, ultrapassar o teto de vencimentos do estado (limitado ao salário do governador). Atualmente, muitos delegados têm que devolver ao Estado grande parte de seus vencimentos, por ultrapassarem o teto.

MATANÇA BRASIL AFORA

Rede Globo de Televisão iniciou nesta terça-feira (30),  no Jornal da Globo, uma série de matérias mostrando a alta da criminalidade em todo o País. O repórter César Menezes percorreu o Brasil inteiro para ouvir histórias da criminalidade. Em 15 anos, nada mais, nada menos, que 853.850 pessoas foram assassinadas no Brasil. Também neste intervalo (entre 2000 e 2015), as regiões Norte e Nordeste se tornaram as mais violentas.  Em 2000, de cada 100 assassinatos no Brasil, 58 eram registrados no Sudeste e 26 no Norte e Nordeste. Quinze anos depois, a coisa se inverteu. De cada 100 assassinatos, apenas 28 ocorrem no Sudeste e 51 no Norte/Nordeste. A ação do crime organizado e a intensa presença do tráfico de entorpecentes nas cidades contribuíram decididamente para esta inversão, somadas à falta de investigação e a ausência dos poderes públicos. Aqui no Ceará não foi diferente!

CÂMERAS INDISCRETAS

Esta coluna antecipou, na semana passada, a informação de que havia na população de Fortaleza uma reprovação quando à instalação de câmeras nos principais cruzamentos de ruas e avenidas por parte da Prefeitura. São equipamentos de grande tecnologia que dispõem de zoom ótico com capacidade de captar imagens de dentro dos veículos a uma distância imensa. Pois bem, nesta terça-feira (3), o procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, ingressou com recurso na Justiça para que seja determinada a anulação de todas as multas aplicadas a partir das imagens captadas por tais câmeras. Alega também que o instrumento não está regulamentado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e que a captação das imagens viola os princípios constitucionais do direito à privacidade e à intimidade dos cidadãos. Eu avisei…

FICOU NA PROMESSA

Governador Camilo Santana está recebendo um puxão de orelhas nas redes sociais. Familiares dos três policiais assassinados (em serviço) por bandidos, no Município de Quixadá, no Sertão Central, denunciam que, passados 11 meses do trágico episódio, o Governo ainda não cumpriu a promessa de pagar indenização às famílias.  Na época, Camilo fez a promessa diante da Imprensa e até chamou os falecidos de heróis. Passado todo este tempo, o blábláblá  do governador não saiu do papel.  As viúvas e os órfãos só não estão passando fome graças a ajuda que recebem de familiares e dos colegas de farda dos falecidos. E aí, Camilinho?

CearáNews7

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