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Comece bem o dia
4 de junho de 2017 às 05:59

Após oito a 10 horas de sono, o desjejum deve suprir as necessidades nutricionais a fim de que haja equilíbrio positivo entre consumo e gasto energético

Tomar café como um rei, almoçar como um príncipe e jantar como um mendigo. É o que ensina um antigo ditado popular. “Após 8 a 10 horas de jejum (noite de sono), deve-se dar a devida importância à primeira refeição do dia, pois é ela que fornece o suporte de energia para as atividades da manhã”, afirma a professora do Curso de Nutrição da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e doutora em Ciências da Saúde, Daniela Vasconcelos.

Como o próprio nome diz, o equilíbrio obtido pelo que é consumido no ‘quebra-jejum ou pequeno-almoço’ promove a sensação de bem-estar e disposição para o trabalho laboral e intelectual. Quando o cardápio é variado, a saciedade obtida pelo desjejum prepara o corpo para manter-se nutrido até o almoço.

Jejum prolongado

Durante o sono, o cérebro utiliza a glicose como fonte de energia. Como o organismo não é nutrido, o cérebro gasta o carboidrato disponível na corrente sanguínea. Essa condição tende a provocar hipoglicemia (náuseas, dor de cabeça, desmaios e tremores).

Isso mais que justifica que o café da manhã seja composto de elementos ricos em cálcio e carboidratos complexos (de preferência pães ou torradas integrais, e leites e queijos com menor teor de gordura). Os pratos devem ser coloridos, variados e saborosos. Alimentos de origem vegetal e animal são sempre bem-vindos.

Entre os riscos de o café da manhã não ser visto como prioridade está a possibilidade de o indivíduo mau nutrido apresentar pouca concentração para os estudos ou trabalho e, consequentemente, em baixa produtividade.

Problema similar pode ocorrer se os hábitos alimentares forem inadequados, resultando em fome exagerada no horário do almoço. Isso compromete o consumo energético nas refeições seguintes com riscos futuros de sobrepeso, obesidade e diabetes.

Regionalize

O “Guia Alimentar para a População Brasileira”, do Ministério da Saúde, pode ser parâmetro na hora de escolher o que consumir na primeira refeição do dia. “O guia apresenta a composição do café da manhã de oito brasileiros selecionados entre aqueles que baseiam sua dieta em itens in natura ou minimamente processados”, diz a professora do curso de Nutrição da Uece e doutora em Saúde Pública, Maria Cecília da Costa.

Frutas (ou suco de laranja) e café com leite são presenças constantes, assim como preparações à base de cereais ou de tubérculos (batata-doce, macaxeira, inhame) e ovos.

Sempre que possível, deve-se incorporar itens regionais ao café da manhã, como tapioca, cuscuz, queijo coalho, frutas regionais (banana, mamão, melancia) e que estejam na safra. “Assim, respeitamos os hábitos alimentares e resguardamos nossa cultura e soberania alimentar”, diz a nutricionista Daniela Vasconcelos.

Desjejum da criança

Frutas, leite, cereais, pão integral, queijo e, eventualmente, frios magros (ex: peito de peru) compõem uma boa primeira refeição para as crianças, indica o pediatra e mestre em Saúde Pública, Dr. Almir Neves Filho. Nessa faixa etária, o desjejum variado também é essencial, já que os nutrientes estão distribuídos nos alimentos em porções diferentes.

Reabastecer e preparar o corpo para o dia de atividades dos pequenos também é função no café da manhã. “O metabolismo da criança permanece em níveis básicos durante o sono fisiológico e, caso o desjejum seja de baixa qualidade, o organismo promoverá ‘compensações’. Lançará mão de alternativas (massa muscular) ao não receber cotas de energia suficientes e adequadas”, explica o pediatra.

Ritmo acelerado

Ademais, as solicitações diárias de uma criança ativa implicam em uma grande demanda de energia e nutrientes essenciais ao longo do dia. “O desenvolvimento e a atividade do cérebro, principalmente nos três primeiros anos da vida são intensos. Um desjejum equilibrado prepara a criança para as atividades da manhã”.

Segundo Dr. Almir Neves Filho, muitos pais ainda teimam em adotar rotinas pouco saudáveis. Uma delas é a de “oferecer a mamadeira na cama, não raro com a criança ainda dormindo”.

Diário do Nordeste

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