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Em crescimento: Eólicas adicionam 10 vezes mais energia à matriz do Estado
6 de maio de 2017 às 06:17

O Ceará conseguiu se destacar em 2016 na geração de energia eólica e ficou um pouco mais próximo de retomar a liderança no setor. O Estado teve um acréscimo de 485 megawatts (MW) de capacidade instalada dessa fonte em sua matriz energética no ano passado, decorrentes da instalação de 21 novos parques eólicos, com destaque para complexos das regiões de Itarema e Tianguá, além de outros empreendimentos em Trairi.

O número de 2016 é dez vezes maior (910,4%) que a quantidade de capacidade energética adicionada ao Estado em 2015 (48 MW), de acordo com dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), que divulgou ontem o Boletim Anual de Geração Eólica 2016.

A capacidade instalada total desse tipo de energia no Ceará – somando os antigos e novos parques – passou de 1,30 gigawatts (GW) em dezembro de 2015 para 1,78 (GW) em igual mês de 2016. Esse crescimento, de 36,9%, fez o Ceará subir da quarta para a terceira posição dentre os estados brasileiros com maior capacidade de geração de energia por meio dos ventos.

O Estado, que é pioneiro nesse tipo de fonte energética e já liderou o ranking, está atrás apenas da Bahia (1,89 GW) e Rio Grande do Norte (3,41 GW).

Potencialidades do Estado

A presidente executiva da ABEEólica, Elbia Gannoum, explica que o acréscimo de 485 MW de eólicas na matriz energética cearense em 2016 decorre de empreendimentos contratados em leilões realizados em 2013. “Esse foi o ano em que o Brasil mais contratou energia”, lembra a presidente. “O que se acrescenta (de capacidade) em um ano geralmente é resultado de três anos anteriores”, explica.

Com relação ao ranking de capacidade instalada total dos estados, Elbia Gannoum ressalta que, assim como Ceará, estados do Nordeste como Bahia, Piauí e Maranhão estão “aptos a vencer essa corrida” pelos bons ventos que possuem, mas o posicionamento frente aos demais depende muito “da política do governo estadual, de criar condições para esses investimentos” e de diversos outros fatores.

Nesse sentido, ela avalia que o Ceará está no caminho certo. “O governo fez uma política forte de retomada dos investimentos. É uma pena que no ano passado não tenha havido leilão. Há um fator que o estado não controla, que é a crise, a redução da demanda pela qual o Ceará e o Brasil como um todo estão passando. Com a retomada do crescimento econômico e dos leilões, com certeza teremos um aumento forte na geração de energia”, prevê.

Balanço nacional

Os dados da ABEEólica mostram ainda que 81 novos parques geradores de energia eólica adicionaram 2 GW à matriz elétrica brasileira no ano passado. De acordo com o Boletim Anual de Geração Eólica 2016, a adição destas capacidades fez com que o setor chegasse ao final do ano passado com 10,75 GW de capacidade instalada em 430 parques, representando 7% da matriz energética brasileira. De acordo com a publicação, foram gerados mais de 30 mil postos de trabalho em 2016 e o investimento no período foi de US$ 5,4 bilhões.

Citando dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a ABEEólica destaca que no ano passado a geração de energia eólica cresceu 55% em relação a 2015.

Abastecimento

No ano passado, diz a entidade, a energia eólica gerou energia equivalente ao abastecimento mensal de uma média de 17,27 milhões de residências por mês, o que equivale a cerca de 52 milhões de habitantes.

Isso significa um avanço de 58% em relação ao ano anterior, quando a energia eólica abasteceu 33 milhões de pessoas.

Recordes

O relatório da associação também mostra que o ano de 2016 foi de recordes para o setor eólico no País. Por exemplo: no Nordeste, no dia 5 de novembro de 2016, 52% da energia consumida foi proveniente do movimento de torres eólicas, segundo dados colhidos pela ABEEólica do Operador Nacional do Sistema (ONS).

O documento também mostra que no dia 30 de outubro do ano passado, 15% da energia consumida no Sul veio dessa fonte, mesmo percentual atingido em todo o Brasil, pelo Sistema Interligado Nacional (SIN), no dia 2 de outubro.

A ABEEólica cita ainda dados do Global Wind Energy Council (GWEC), que mostram que o Brasil ultrapassou a Itália e ocupa agora a nona posição no ranking mundial de capacidade instalada de energia eólica.

Fonte: Diário do Nordeste

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