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Advogado já foi investigado por atirar e ameaçar matar operários
21 de setembro de 2019 às 10:00
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O advogado Aldemir Pessoa Junior, suspeito de ser o autor do disparo que resultou na morte da empresária Jamile de Oliveira Correia, já respondeu um inquérito em que foi acusado de efetuar disparos de arma para o alto e contra operários há 14 anos em um terreno. As supostas agressões, conforme os depoimentos, foram motivadas por conta de uma disputa judicial pela posse do imóvel. A reportagem do Sistema Verdes Mares teve acesso, com exclusividade, aos depoimentos que detalham a ação de Aldemir em julho de 2005.

Na ocasião, conforme o depoimento de uma das testemunhas, ela estava trabalhando na construção de uma casa num terreno situado na Rua do Córrego, bairro Edson Queiroz, no dia 3 de julho de 2005, quando Aldemir chegou ao terreno “armado com uma pistola e passou a intimidar as pessoas”. O operário disse ainda que Aldemir “ameaçou as pessoas” e afirmou que “se não se retirassem metia bala”.

Após as ameaças, o advogado Aldemir efetuou três disparos para o alto e depois mais tiros em direção às pessoas, conforme o relato da testemunha. A situação se agravou, de acordo com o depoimento. Com a arma em punho, Aldemir encostou a pistola na cabeça de um adolescente, caiu num buraco da construção e a arma disparou. Nesse momento, todas as pessoas saíram correndo do local.

Ainda segundo o depoimento, o advogado proferiu mais ameaças e disse que era um dos donos do imóvel e “mataria quem entrasse naquelas terras”. No entanto, dias depois, a testemunha retificou o depoimento e disse que o advogado apenas “atirou para o chão”. No entanto, outras quatro pessoas confirmaram a primeira versão do mestre de obras sobre os disparos contra as pessoas e também as ameaças de morte.

Quando foi ouvido na época, Aldemir negou ter atirado contra as pessoas. Ele relatou que seguranças entraram no terreno e ele sacou a pistola e efetuou dois disparos para o chão. Aldemir contou que empurrou o mestre de obras e mandou ele sair do terreno, mas negou ter encostado a arma na cabeça do adolescente. Ontem, o advogado de defesa dele disse que o caso foi arquivado e preferia não comentar.

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Ordens ao porteiro

A reportagem apurou que Aldemir Pessoa Júnior pediu ao porteiro do condomínio de luxo, local onde aconteceu o disparo fatal contra Jamile, que o funcionário limpasse o sangue perto do elevador e não alarmasse o ocorrido. O porteiro teria dito também as autoridades que na madrugada do dia 30 de agosto de 2019, data que Jamile foi socorrida, o advogado falou ao porteiro que: “abafe o caso, não comente com ninguém”, justificando em seguida que não queria que o suicídio fosse divulgado entre os moradores.

Também foi apurado a partir dos relatos do porteiro que naquela data, Aldemir “não aparentava nervoso”, mas o filho da suposta vítima, um adolescente de 14 anos que ajudou a socorrer a mãe, “estava desesperado”.

Na tarde de ontem, os advogados de defesa do suspeito entregaram às autoridades as chaves do apartamento da empresária e o passaporte de Aldemir Pessoa Júnior. A entrega aconteceu após a Justiça cearense expedir medidas cautelares e negar a prisão temporária do suspeito, anteriormente solicitada pela Polícia Civil do Ceará.

Para os próximos dias estão previstos que um maqueiro do Instituto Doutor José Frota (IJF) e o perito responsável pelo laudo da guia cadavérica do corpo da empresária prestem depoimentos acerca da investigação da morte de Jamile.

Diário do Nordeste

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