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Análise de celulares apreendidos em presídios do Ceará desencadeiam operações contra facções criminosas
26 de agosto de 2019 às 16:25
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O secretário da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque, classifica os 5.859 celulares apreendidos nas unidades prisionais nos primeiros oito meses de 2019 como um produto que vai ajudar a desvendar e a evitar crimes. Os aparelhos foram encaminhados para análise e os conteúdos serão transformados em investigações realizadas pela Polícia Civil, Polícia Federal, órgãos de inteligência e Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE). “O MP extrai os dados e vai trabalhar em cima desses dados”, afirma o secretário.

Mauro Albuquerque relembra a operação Masmorras, que investigou uma rede de corrupção dentro do próprio sistema penitenciário do Ceará. “A operação Masmorra surgiu daqueles telefones. Quando estive aqui, das apreensões que a gente fez, ainda estava tendo resultado. Quem matou quem e daqui há um ano ou dois anos você vai ver. Quando falarem que apreenderam 100 quilos disso, 200 quilos daquilo, é resultado dos trabalhos de investigação.

E o que depende do sistema penitenciário está sendo passado de forma imediata”, explica.Para o Coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), promotor Rinaldo Janja, as apreensões de celulares diminuíram após as mudanças feitas pela administração penitenciária. Essas mudanças, conforme divulgou Mauro Albuquerque, são desde a retirada das tomadas de eletricidade e da prática de revistas dentro da penitenciária até as ações de disciplina, que, em alguns casos, refletiram na suspensão das visitas.

Os aparelhos que eram usados nos presídios foram encaminhados ao Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e centenas de crimes articulados de dentro das unidades prisionais estão sob investigação. Somente no Gaeco, dois mil celulares estão sob análise. São crimes como homicídios, tráfico de drogas, estelionato e planejamento de ações por lideranças de facções criminosas. “Todos praticados por celular”, afirma o promotor. Os golpes também eram uma fonte de renda para o preso, mas não é uma prática comum das facções. O promotor ressalta que os golpes funcionavam como uma “produção independente” do detento que fica em meio a ociosidade. Normalmente, esses golpes acontecem em forma de falsos prêmios que são enviados para o celular das pessoas. Com a retirada da maioria dos celulares de presos, o promotor acredita que houve uma diminuição no número de crimes.

Em uma investigação, são utilizados desde documentos físicos, interceptações telefônicas, testemunhas e um conjunto probatório que ajuda a descobrir e identificar quem são os autores do crime. 90% dessas investigações tem a colaboração de provas documentais por meio de celular. Dos crimes que mais surpreenderam o promotor, o homicídio como o principal. Uma espécie de homicídio em tempo real em que o executor e o preso se comunicam, mandam fotografias das pessoas e ordenavam as mortes. Depois, no enterro, os executores vão se certificar se a pessoa morreu.

O tráfico de drogas, para o coordenador do Gaeco, é o principal crime em que se utiliza o celular. Nas conversas, o traficante que está dentro da unidade oferece a droga, manda buscar, confeccionar e discute preços. Ele administra por meio do aparelho. Conforme o promotor, o tráfico de drogas é a principal fonte de renda das organizações criminosas.

Tecnologias utilizadas pelo crime

A chacina que aconteceu no Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, no bairro Sapiranga, foi elucidada e, ao fim da investigação, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), identificou que o crime foi planejado por meio do WhatsApp. Os aplicativos de comunicação não são as únicas tecnologias usadas pelos criminosos.

Em janeiro de 2017, na comunidade da Babilônia, no Barroso, um circuito de câmeras e um drone foram apreendidos. O equipamento era utilizado para verificar a chegada da Polícia nos locais controlados pelo tráfico de drogas.

Em outubro de 2017, a morte da garota Maria Edwirges, de apenas 13 anos, foi decidida em um grupo de WhatsApp. O grupo concentrava integrantes de uma facção criminosa instalada no bairro onde a menina residia.

Em fevereiro de 2019, detentos da CPPL e familiares foram identificados após uma série de golpes em site de vendas.  O crime era articulado dentro de uma unidade prisional e era executado por familiares dos presos, os celulares deles foram apreendidos por agentes penitenciários.

Fonte: O Povo

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