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Ano terminou com 20 mulheres mortas no Cariri, sendo sete em Juazeiro e 2016 foi 20% mais violento
18 de fevereiro de 2017 às 09:44

No ano passado sete mulheres foram assassinadas em Juazeiro ou 35% em relação ao total de 20 homicídios contra pessoas do sexo feminino em todo o Cariri, significando bem mais que os 31,2% na comparação com 2015. Os crimes aconteceram nos bairros José Geraldo da Cruz (02), Salesianos, Pio XII, Tiradentes, São José e no Sítio São Gonçalo. No ano anterior, 16 mulheres tinham sido assassinadas no Cariri, sendo cinco em Juazeiro que seguiu liderando o ranking negativo.

Depois de Juazeiro, vem Crato, Brejo Santo, Barro, e Farias Brito com duas cada e as demais foram mortas em Santana do Cariri, Mauriti, Assaré, Araripe e Antonina do Norte. Em 2015 duas mulheres foram assassinadas em Crato, outras duas em Santana do Cariri e as demais em Várzea Alegre, Barro, Barbalha, Antonina do Norte, Aurora, Campos Sales e Lavras da Mangabeira. Segundo levantamento feito pelo Site Miséria, a grande maioria destes homicídios tem relação direta com ciúmes.

Já segundo a faixa etária, uma menor de 18 anos foi morta no ano passado representando 5% do total ou uma a mesma quantidade que 2015. Enquanto isso, sete situadas numa faixa etária de 18 a 30 anos foram assassinadas, significando 35% também a mesma quantidade de sete na comparação com o ano imediatamente anterior. Enquanto isso, acima de 30 anos, foram doze (60%) em 2016 ou cinco a mais comparando com o ano anterior.

As formas foram as mais diversificadas sendo 13 com armas de fogo, outras cinco a golpes de faca, uma por asfixia e mais uma a pauladas. Os meses de maio e junho foram os mais violentos para as mulheres com três homicídios cada, vindo a seguir fevereiro, março, abril, outubro e dezembro com dois cada, além de julho, agosto, setembro e novembro com um. O único mês que zerou foi janeiro.

A mais jovem foi uma adolescente de 17 anos, Silvana Leal que passeava com o marido em Barro e foi assassinada por asfixia pelo companheiro Cícero Juarez da Cruz, de 24 anos que terminou preso. Já a mais idosa foi Antonia Aurelina Oliveira de Lima, de 53 anos, a “Leninha” que residia em Antonina do Norte, e terminou morta a tiros nas costas após sair de uma academia.

Do total de 132 homicídios durante 2016 em Juazeiro do Norte foram 125 homens e sete mulheres representando 94,4% do sexo masculino. Confira abaixo a relação de todas as vítimas do sexo feminino no decorrer do ano passado:

No dia 7 de fevereiro, Valdizelia Guedes Bezerra, de 36 anos, a “Galega” que residia na Rua Pio X (Salesianos) em Juazeiro do Norte, foi morta a tiros no cruzamento das ruas do Rosário e São Marcos naquele bairro. Ela era viúva de José Gomes de Lima, de 52 anos, o “Bilega Eletricista”, que foi morto a tiros de pistola, quase no mesmo local, no dia 22 de outubro de 2015.

No dia 28 de fevereiro, Taís Pereira da Silva, de 18 anos, que residia na Avenida Aracaju (Romeirão), foi morta a tiros durante festa que ocorria numa chácara na Rua Alexandrina Cordeiro da Silva (José Geraldo da Cruz) em Juazeiro do Norte quando oito pessoas saíram baleadas. Três homens chegaram armados procurando “Tiago” que não estava e atiraram na namorada deste ocasionando no revide dos que ali se encontravam,

No dia 1º de março, Keyliani Paulino Moreno, de 19 anos, que residia na Rua São Pedro no centro de Santana do Cariri, teve o corpo encontrado por populares envolto numa rede em um barranco às margens da ladeira que dá acesso ao Pontal da Santa Cruz na zona rural de Santana do Cariri. Ela apresentava perfurações à bala e a polícia prendeu o acusado João Bevenuto da Silva, o “Zomin”.

No dia 18 de março, Francisca Honorato Rodrigues Filha, de 26 anos, a “Janaina Macumbeira”, foi morta a tiros numa rede em sua casa na Rua do Cruzeiro, 281 (Bairro Caixa Dágua) em Farias Brito. O acusado chegou a pé e encapuzado atirando na presença do marido dela. Um irmão de “Janaina”, suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas, já tinha sido morto e outro responde por dois homicídios e está preso.

No dia 12 de abril, Juscivane dos Santos Praca, de 27 anos, que residia no bairro Verdes Vales em Mauriti, foi morta a golpes de faca pelo seu ex-companheiro Roberto da Costa Alves, de 41 anos, que era vendedor de pães. Depois, ele apanhou uma corda e se enforcou. Apesar de separados, o casal morava sob o mesmo teto com dois filhos

No dia 24 de abril, Maria de Fátima dos Santos, de 42 anos, que residia na Rua Francisco Gomes Sobral no bairro Alto da Bela Vista em Brejo Santo, foi morta a tiros dentro de sua casa, onde chegou um homem numa moto batendo à porta e chamando-a pelo nome. Ela abriu apenas os basculantes, mas foi o suficiente para ser morta com dois tiros.

No dia 2 de maio, Antonia Mulato, de 23 anos, a “Mulatinha” que residia na Rua Vereador João Murilo Brilhante (Casas Populares) em Assaré, teve o corpo encontrado num terreno baldio na Vila Nildália. Na noite anterior, ela foi vista num forró no Parque de Vaquejadas com Roberto Rodrigo Belo Aquino de Almeida, de 25 anos, que foi preso. Ela era empregada doméstica, mãe de dois filhos menores e apresentava oito perfurações à faca no tórax.

No dia 14 de maio, Maria de Fátima Rolim, de 45 anos, a “Branca” que residia no Sítio Sussuarana, foi morta a tiros de pistola calibre 380 pelo seu genro William Pinheiro no Sítio Amaro Coelho no Distrito de Marrocos em Juazeiro do Norte. Um filho dela foi atingido de raspão e socorrido ao HRC, enquanto o acusado fugia numa Hilux de cor preta. Na casa de “William DPVAT” a polícia encontrou uma escopeta calibre 12.

No dia 30 de maio, Maria Lieda Bezerra do Nascimento, de 52 anos, que residia no Sítio Prazeres em Barro, foi morta a facadas pelo ex-companheiro Antonio Bezerra de Queiroz, de 56 anos, o “Antonio Paizinho”, que fugiu e foi preso no dia 21 de junho em Barbalha. O crime aconteceu na barbearia do irmão dele na Rua Agostinho Fernandes Xavier no bairro Trajano Nogueira para onde ela foi atraída na tentativa do mesmo em reatar o matrimônio.

No dia 5 de junho, Antonia da Silva Farias, de 51 anos, que residia na Rua 7 de Setembro, 378 (Pio XII) em Juazeiro do Norte, foi morta a tiros na porta de sua casa por Cláudio José Guedes de Almeida, de 30 anos, o “Kaká, que morava na Rua Teodomiro Rocha, 123 e terminou assassinado a golpes de faca pelo filho dela, Iderlan da Silva Farias, de 22, o qual foi preso. Saíram lesionados ainda o esposo dela Idelfonso Farias Batista e o filho Daniel da Silva Farias, de 19 anos. Kaká tinha ido matar Iderlan e terminou morto.

No dia 12 de junho, Ana Telma Pinheiro Sá, de 38 anos, que residia na Rua São Benedito, 2.411 (José Geraldo da Cruz) em Juazeiro do Norte, foi atingida no pescoço por uma bala perdida. Ela era irmã do radialista Delton Sá e possuía um comércio na esquina com a Rua Belo Horizonte. A mesma saía à porta no momento em que ocorria um assalto quando foi lesionada.

No dia 24 de junho, Maria Gorete Ângelo da Silva, de 44 anos, que residia na Rua Índios Cariris no bairro Alto da Bela Vista em Brejo Santo, foi morta a facadas na Rua Manoel Ângelo daquele bairro, por “Carlinhos Maluco” o qual fugiu por um matagal após desferir os golpes. Ela costumava ingerir bebidas alcoólicas e insultar as pessoas a exemplo do que teria ocorrido em relação ao acusado.

No dia 25 de julho, Lucineide Tomaz da Silva, de 35, que residia no Sítio Engenho da Serra (Distrito de Santa Fé) em Crato, lavava roupas num córrego perto de casa quando seu companheiro Erivan Ferreira da Silva, de 28 anos, efetuou um disparo de espingarda que a atingiu nas costas. A vítima tinha um filho do primeiro relacionamento e estava grávida de quatro meses. Ele respondia por porte ilegal de arma de fogo e tentou matar sua ex-companheira em 2010 o qual praticou o suicídio dois dias depois em Nova Olinda.

No dia 13 de agosto, Silvana Leal, de 17 anos, que estava grávida e se encontrava passeando com o marido no Sítio Poço Cercado em Barro, foi asfixiada e morta pelo seu companheiro, Cícero Juarez da Cruz, de 24 anos, Ele negou ter matado a esposa, mas tudo foi devidamente esclarecido e o mesmo terminou preso.

No dia 21 de setembro, Eva Ribeiro Nunes, de 35 anos, que residia no Sítio Serra do Mundéu em Araripe, foi morta com um tiro de espingarda no peito esquerdo após discussão com o marido Antonio Laerte Freire de Andrade, de 45 anos. No calor do conflito, ela teria apanhado uma espingarda e atirou no peito dele, o qual pegou outra arma e revidou matando a esposa. Ele foi socorrido ao hospital, onde ficou sob escolta da PM.

No dia 19 de outubro, Cícera Alves Ferreira, de 43 anos, a “Cicinha Preta” que morava no bairro Gizélia Pinheiro em Crato, foi morta a pauladas no rosto em um matagal a Rua Juviniano Barreto na chamada comunidade do Gesso. Ela era usuária de drogas, já tinha sido vítima de violência doméstica e respondia por tráfico de substâncias entorpecentes.

No dia 23 de outubro, Cilene Damiana da Silva, de 35 anos, que residia na Rua José Gonçalves de Almeida, 441 (Tiradentes) em Juazeiro do Norte, foi morta a golpes de faca quando trafegava em sua moto pela Rua Santo Amâncio naquele bairro. O autor foi o ex-companheiro Manoel do Nascimento, o “Galego”, com quem teve cinco filhos e a relação era marcada por ameaças e agressões o qual praticou o suicídio no dia seguinte.

No dia 10 de novembro, Daniele Gonçalves da Silva, de 23 anos, que residia na Rua Ana de Sousa Lacerda, 88 (Bairro Alecrim) em Farias Brito, foi morta com um tiro efetuado por Francisco Tavares da Silva, o Chiquinho. Ele tentou matar o irmão dela, Miguel Gonçalves, que tinha um relacionamento amoroso com a ex-mulher do acusado, mas o disparo terminou atingindo Daniele.

No dia 15 de dezembro, Rafaela Gonçalves Torres Leite, de 27, que residia na Rua José Esmeraldo Pinheiro, 446/A (São José) em Juazeiro do Norte, foi morta no quintal de casa com um tiro na cabeça por dois homens que chegaram num carro vermelho e adentraram o imóvel atirando. Ela bebia com amigos e Fábio de Melo Barbosa, de 19 anos, residente na Rua Moésio de Sousa, 282 naquele bairro, saiu lesionado com um tiro na boca.

No dia 15 de dezembro, Antonia Aurelina Oliveira de Lima, de 53 anos, a “Leninha” que residia na Rua José Duca, 125 no centro de Antonina do Norte, foi morta com dois tiros nas costas. Ela tinha saído da academia que frequentava e seguia para casa quando foi atocaiada e baleada por homens que trafegavam numa moto e mais um carro no apoio perto do Bar do Jacaré. A vítima era acusada do tráfico de drogas.

Por Demontier Tenório
Com Parceria Site Miséria.com.br

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