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Anuário da Segurança Pública aponta Ceará com o terceiro estado mais violento do Brasil. Em 2017, foram registrados 5.332 assassinatos
10 de agosto de 2018 às 12:10
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As constantes chacinas registradas no Ceará alimentam a estatística criminal e o estado continua sendo apontado como um dos mais violentos do País

Matança 555

A guerra entre as facções deixa centenas de cadáveres na Grande Fortaleza todos os meses

O Anuário Brasileiro da Segurança Pública revela em sua 12ª edição, publicada em todo o país nesta quinta-feira (9), que o Ceará registrou no ano passado 5.332 homicídios, enquanto o número oficial divulgado pela SSPDS ficou em 5.134, ou seja, 98 casos a menos. O Ceará é o terceiro estado mais violento do Brasil, comprova o estudo.

Conforme os dados divulgados pelo Anuário, o estado também foi o terceiro que apresentou o maior índice de crescimento das mortes violentas, ou CVLIS (Crimes Violentos, Letais e Intencionais), que incluem os homicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte) e as lesões corporais seguidas de óbito, no período entre 2016 e 2017.

Em apenas um ano, o crescimento de assassinatos no Ceará foi da ordem de 59,1 por cento. O esatado só perdeu neste quesito para o Rio Grande do Norte (68 por cento) e para o Acre (63,9 por cento). Já os com menor crescimento são, pela ordem: São Paulo (10,7 por cento), Santa Catarina (16,5 por cento) e o Distrito Federal (18,2 por cento).

Crescimento das facções

Mergulhado na violência das facções, o Ceará segue o exemplo de outros estados brasileiros, onde a presença de tais grupos criminosos organizados alimenta diariamente as estatísticas criminais. De acordo com o Anuário, facções criminosas estabelecidas em São Paulo e Rio de Janeiro têm se expandido para o Norte e Nordeste, onde a briga toma as ruas.

Doze estados registraram, em 2017, aumento no número de mortes violentas, sendo a maioria no Norte e Nordeste. São eles: Ceará, Acre, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Roraima, Amapá, Amazonas, Para é Alagoas.

Ceará, Acre e Rio Grande do Norte aparecem como os mais violentos do Brasil, exatamente para onde migraram bandidos das facções do eixo Rio-São Paulo. São “braços” do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A presença ostensiva dos “chefões” das organizações criminosas no Ceará revela o crescimento das quadrilhas no estado, num desafio à Segurança Pública estadual e, especialmente, aos organismos de Inteligência. Em fevereiro passado, por exemplo, dois “chefões” do PCC foram mortos no Ceará por ordem que partiu diretamente da cúpula da facção, reclusa em uma penitenciária paulista. Os traficantes Rogério Jeremias de Simone, o “Gegê do Mangue”; e Fabiano Alves de Souza, o “Paca”, foram mortos após uma temporada de luxo e riqueza no Ceará. Gastaram milhões na compra de casas luxuosas, automóveis importados e farras com viagens aéreas através do aluguel de aeronaves.

Com a guerra das facções tomando conta das ruas, os números de assassinatos no Ceará seguem em ritmo acelerado na Região Metropolitana e no Interior, para onde migraram os criminosos que, antes, atuavam na Capital. Em Fortaleza, o aumento de efetivo policial e as operações de ocupação nas áreas mais violentas, fizeram os criminosos mudarem de tática. Embora ainda tímida, houve uma redução nos índices de CVLIs na Capital.

Com Informação Fernando Ribeiro

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