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CGD instaurou 126 inquéritos contra policiais neste ano
2 de agosto de 2017 às 05:52

Fortaleza, 1411 de junho de 2016. Fachada da CGD, Controladoria Geral de Disciplina dos Orgaos de Seguranca Publica.
– Policia – 02PL0652 – KLEBER A.GONCALVES

Os números de inquéritos instaurados contra policiais dispararam neste ano. De acordo com levantamento da Controladoria Geral de Disciplina (CGD), foram abertas 126 investigações contra policiais – militares ou civis – em 2017, até o momento, o que representa uma média mensal de 18 inquéritos. Em comparação ao ano de 2016, que encerrou com 102 procedimentos (média mensal de 8,5), o aumento deste ano mais que dobrou, sendo de 111,11%. Segundo o Órgão, as infrações mais cometidas, no ano corrente, são de abuso de autoridade.

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No caso mais recente, ocorrido ontem, quatro sargentos da Polícia Militar foram presos em flagrante, na Avenida Osório de Paiva, em Fortaleza, após investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Ceará (MPCE), com a Inteligência da CGD. Os militares Auricélio da Silva Araripe, Glaydson Eduardo Saraiva, Jeovane Moreira Araújo e Rilmar Marques dos Santos são suspeitos de coordenarem uma organização criminosa que sequestrava e extorquia traficantes por recompensa financeira.

De acordo com o MPCE, a suspeita do envolvimento dos agentes surgiu em abril deste ano, enquanto o Gaeco investigava outra organização criminosa, que não foi identificada. Os policiais cometiam o crime enquanto estavam em expediente, utilizando a farda oficial, na área do 17º BPM – que abrange bairros como Conjunto Ceará, Siqueira e Antônio Bezerra.

Segundo o promotor do MPCE, Felipe Diogo, na abordagem realizada ontem, um dos policiais estava em posse de R$ 3 mil em espécie e não conseguiu explicar a origem do dinheiro. Já outro sargento portava drogas e foi autuado também pelo crime de tráfico de drogas.

Interceptações telefônicas

Conforme o promotor, ao suspeitar do esquema criminoso dos policiais, o Gaeco solicitou, à Justiça, que as linhas dos telefones pessoais dos quatro suspeitos fossem interceptadas. Com a autorização judicial, a investigação foi aprofundada e passou a ter acesso às negociações entre os policiais e um traficante que estava traindo o comparsa.

Os áudios disponibilizados pelo MPCE revelam que os sargentos extorquiram e sequestraram um traficante. Nas conversas, o sargento Araripe acerta detalhes do crime com um homem nomeado, pela investigação, como ‘Fiteiro’. Segundo o órgão investigador, ele também é um traficante e informava o trajeto da vítima dos policiais e quais ilícitos ela transportava. A identidade do homem não foi revelada.

Em troca da informação privilegiada, o ‘Fiteiro’ recebia parte do valor apurado com a extorsão. A partir da análise dos trechos das ligações, o MPCE suspeita que mais policiais participavam do esquema. “Não temos dúvida do envolvimento de outros. As ações eram recorrentes”, reiterou Felipe Diogo.

A afirmação do promotor é confirmada por outro áudio divulgado, do sargento Araújo: “(O traficante) Ligou para o irmão dele, mãe dele. Ligou para todo canto. Eu consegui arranjar mil conto. Pedi ao parceiro que tirasse o som do carro dele. Aí liberei, mandei ele pegar o carro e ir embora. Peguei mil conto e o som. Dei logo mil conto para os (policiais) da viatura. Nós quatro vamos apurar nesse”.

De acordo com as investigações, o valor apurado na última ação criminosa do grupo foi menor em comparação ao que os PMs vinham conseguindo. Com base na fala do sargento Araripe, o grupo apurava R$ 30 mil em alguns episódios de extorsão.

Punição

Para o Ministério Público, as conversas mostram que o sargento Araripe foi o responsável pela conexão do traficante ‘Fiteiro’ aos outros policiais. Além dos PMs, ninguém foi preso.

Após o cumprimento dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, emitidos pela Justiça Militar, os policiais presos passaram por exames no Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) e, em seguida, foram encaminhados até o Comando da Polícia Militar do Ceará.

Os sargentos presos devem responder ao processo criminal e ao procedimento disciplinar aberto pela Delegacia de Assuntos Internos (DAI), da CGD, podendo serem punidos até com a demissão. Criminalmente, os suspeitos podem ser punidos com oito a quinze anos de reclusão, segundo o MPCE.

Através de nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirmou que não compactua com nenhum tipo de desvio de conduta por parte de seus servidores.

Diário do Nordeste

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