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Comando Vermelho cumpriu ameaça e praticou a matança contra quatro adolescentes
14 de novembro de 2017 às 17:23

A tatuagem que um garoto fez nas mãos com a numeração da sigla GDE custou-lhe a vida

Clístenes  juiz

Juiz da Infância, Clístenes Façanha, confirma que os menores estavam sob ameaças

A chacina registrada, ontem (13), em um centro de ressocialização de adolescentes infratores, em Fortaleza, já era planejada pela facção  criminosa Comando Vermelho (CV) há vários dias e, mesmo diante da ameaça aos jovens ali recolhidos, a direção do estabelecimento decidiu não suspender as atividades. O reforço da segurança determinado pela direção não foi suficiente para impedir que a matança anunciada acontecesse na madrugada desta segunda-feira (13).

Era por volta de 3 horas, quando um grupo fortemente armado, formado por cerca de 15 homens, invadiu o Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, localizado na Rua Euclides Onofre de Sousa, no bairro Sapiranga-Coité (zona sul da Capital) e retirou à força do dormitório seis dos cerca de 30 adolescentes que pernoitavam no lugar.

Os seis garotos foram arrastados até a rua, levados para um beco próximo e quatro deles executados sumariamente com tiros de pistola e espingarda calibre 12 (escopeta). As vítimas tinham idade entre 13 e 16 anos. Um dos garotos, de 13 anos de idade, morador da Barra do Ceará, foi morto porque havia tatuado em três dedos da mão direita os números 7,4,5 referente às letras G,D e E, que é a sigla da facção Guardiões do Estado (GDE).

Fuga e mais mortes

Logo após a chacina, outros 15 adolescentes que estavam no centro aproveitaram a situação e acabaram fugindo. Cinco deles foram recapturados pela Polícia Militar e levados de volta para a unidade. Contudo, horas depois, dois corpos foram encontrados com marcas de tiros e esquartejados nas margens da Lagoa da Sabiaguaba. A Polícia não descartou a possibilidade de que as vítimas possam ser os outros dois menores levados pela quadrilha e que não haviam ainda aparecido.

Os corpos foram recolhidos à Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e passarão por um minucioso exame para que possam ser identificados.

Ameaças

O juiz da Vara da Infância e da Adolescência de Fortaleza, Manuel Clístenes Façanha, responsável pela aplicação de medidas socioeducativas para os adolescentes infratores, confirmou que os internos do Centro Mártir Francisca já haviam se queixado de que estariam sendo ameaçados de morte. Segundo o magistrado, as ameaças supostamente eram feitas por uma facção criminosa do bairro onde está localizada a unidade. Eles ameaçavam os simpatizantes da facção rival mesmo estes sendo de bairros ou cidades distantes dali.

Uma reunião de emergência foi realizada na manhã de ontem na sede do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará entre representantes da Justiça e do Governo do estado para tratar do assunto. Segundo o juiz Manuel Clístenes, ficou decidido que o Centro ficará inativo por cerca de 30 dias. Os menores que ali estavam recolhidos foram entregues aos pais ou responsáveis.

Com Informação Fernando Ribeiro

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