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Crise no Sistema Penitenciário e matança nas ruas na guerra de facções marcaram o Ceará em 2018
2 de janeiro de 2019 às 07:00
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Andrezinho

André Costa, mantido no cargo de secretário da Segurança mesmo com a alta violência no estado

Gago 22

Na maior chacina no estado, 14 pessoas foram assassinadas em uma casa de forró, na Capital

Benfica 888

Chacina do Benfica: sete jovens assassinados por conta de uma rivalidade entre quadrilhas 

Em 2018, a violência foi o principal assunto da sociedade e da imprensa cearenses. O ano registrou cerca de 4.800 assassinatos. As autoridades da Segurança Pública enfrentaram percalços na política de redução da criminalidade, muito embora tenham conseguido reduzir, minimamente, a taxa recorde de Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs) registrada em 2017 (quando ocorreram 5.332 homicídios no estado).

A guerra travada diariamente entre as facções criminosas é um desafio que ainda não foi vencido pelo estado. As escaramuças dos criminosos armados nas ruas continuam dizimando, diariamente, dezenas de vidas humanas a cada mês. Chacinas, execuções sumárias, corpos degolados, carbonizados e esquartejados viraram perigosa rotina no Ceará.

No Sistema Penitenciário, loteado pelo crime organizado, as facções criminosas continuam livres para comandar – através de celulares – os delitos nas ruas, como os mais de 50 ataques a bancos e carros-fortes, o tráfico pesado de drogas e armas e, principalmente, os assassinatos.

Veja nesta retrospectiva os principais fatos violentos ocorridos ao longo de 2018 no Ceará:

1 – (Dia 27 de janeiro) – Chacina na casa de shows “Forró do Gago”, na comunidade Barreirão, no bairro Cajazeiras, em Fortaleza. Catorze pessoas – oito mulheres e seis homens – foram fuzilados por ordem da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE). Todas vítimas eram pessoas inocentes, sem antecedentes criminais. A matança ocorreu porque a festa havia sido, supostamente, organizada pelo Comando Vermelho (CV), rival da GDE.

2 – (Dia 29 de janeiro) – Dez presos são assassinados na Cadeia Pública da cidade de Itapajé, no Norte do estado (a 124Km de Fortaleza). Dois grupos rivais entraram em choque nos xadrezes e corredores da unidade penal. Os presos foram mortos a tiros, golpes de “cossoco” e pauladas. Depois disso, a Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus) decidiu dividir os presos de todo o Sistema Penitenciário do Ceará por facção. Cada grupo fica confinado em um só presídio.

3 – (Dia 26 de fevereiro) – Os corpos dos traficantes Rogério Jeremias de Simone, o “Gegê do Mangue”; e Fabiano Alves de Souza, o “Paca”, membros da cúpula do PCC< são encontrados crivados de bala e semi-carbonizados na reserva indígena Lagoa da Encantada, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). A morte dos dois bandidos, que levavam uma vida de riqueza e ostentação no Ceará, logo desencadeou uma onda de mortes em São Paulo, por ordem do líder do PCC, Marcos William Herbas Camacho, o “Marcola”.

4 – (Dia 9 de março) – Uma rivalidade entre duas quadrilhas de traficantes de drogas e assaltantes termina em uma chacina, com sete mortos no bairro Benfica. A matança começou na Praça da Gentilândia e se estendeu até a porta da sede de uma torcida organizada, no mesmo bairro. As vítimas eram jovens e todos foram executados a tiros de pistola.

5 – (Dia 11 de julho) – Uma operação de Inteligência realizada pelo Batalhão de Polícia de Choque BPChoque), no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, termina na prisão do traficante de drogas, homicida e chefe de quadrilha, Auricélio Sousa Freitas, o “Celinho da Babilônia”, apontado como o fundador e controlador da facção Guardiões do Estado (GDE). O bandido seria, segundo a Polícia, o mandante da chacina no “Forró do Gago”, em janeiro, quando 14 pessoas foram fuziladas em uma casa de shows, no bairro Cajazeiras, em Fortaleza.

6 – (Dia 13 de julho) – Cinco pessoas são mortas em uma chacina ocorrida no Sítio Cafundó, na zona rural do Município de Palmácia, na região do Maciço de Baturité (a 62Km de Fortaleza). A Polícia suspeita que o crime tenha sido provocado pela guerra entre facções criminosas que se instalara, naquela região do estado e brigam pelo território da venda de drogas.

7 – (Dia 14 de julho) – Quatro pessoas foram assassinadas na localidade Sítio São Francisco, zona rural do Município de Quiterianópolis. Os quatro foram identificados como mãe, dois filhos dela (gêmeos) e um tio. O motivo do crime seria uma briga por terras. Os quatro corpos, amarrados, foram encontrados em uma estrada de terra.

8 – (Dia 23 de novembro) – Uma quadrilha tenta atacar um carro-forte na estrada de acesso ao Distrito de Flores, em Russas (a 163Km de Fortaleza). Um cerco policial foi montado previamente pelo Comando do Policiamento Especializado (CPE) e por agentes da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), resultando na morte de sete bandidos e na apreensão do armamento do bando, incluindo fuzis e explosivos.

9 – (Dia 7 de dezembro) – Uma tentativa de ataque a bancos na cidade de Milagres, na região do Cariri, no Sul do estado (a 494Km de Fortaleza) termina na morte de 14 pessoas durante uma operação da Polícia Militar. Entre os mortos estão seis pessoas que haviam sido tomadas como reféns. O caso tem repercussão nacional e está sendo investigado pelo Ministério Público.

10 – (Dia 27 de dezembro) – O governador Camilo Santana (PT), reeleito para o cargo nas eleições de outubro, anuncia que manterá no cargo de secretário da Segurança Pública do Ceará, o delegado federal André Costa. Informa também que a Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus) será transformada em Secretaria de Gestão Penitenciária, cujo titular será Mauro Albuquerque, que comandava o Sistema Penitenciário do Rio Grande do Norte. Camilo, informa, ainda, que o Batalhão Raio será ampliado para mais 23 cidades cearenses com população acima de 30 mil habitantes.

Com Informação Fernando Ribeiro

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