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Genro ordenou a morte de pastor em culto, diz Polícia
23 de setembro de 2016 às 10:11
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A última palavra do homem que levava a fé a moradores de Redenção, a aproximadamente 55Km de Fortaleza, foi o hebraico ´assim seja´. O culto terminara por volta das 20h e, na despedida tradicional dos fiéis, o pastor Henrique Júnior de Moraes, 49, disse o último ´amém´. Os olhos, ali, fecharam-se para sempre, ao ser atingido por disparos efetuados por dois homens que invadiram o local com armas nas mãos.

O crime ocorreu na noite da última quarta-feira (21) no bairro Conjunto Novo, no distrito de Antônio Diogo. Poucas horas depois, seis pessoas foram capturadas e a trama descoberta pela Polícia: o genro da vítima, que havia sido casado por oito anos com a filha do pastor, teria ordenado a morte do religioso.

A ação rápida que levou à captura dos suspeitos envolveu policiais civis da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e militares do Batalhão de Choque (BPChoque) e outros, lotados nos batalhões daquela região do Estado.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a motivação do crime foi uma discussão, ocorrida na entrada de um supermercado no município, entre a vítima e o ex-marido da filha dele, Francisco Aldairton da Silva Farias, o “Fifi”, de 38 anos. Ele foi preso em casa, no bairro Boa Fé, em Redenção.

Brigas

De acordo com a delegada titular da DHPP, Socorro Portela, a desavença entre os dois já durava algum tempo. “Eles já viviam em atrito pois o acusado tem uma filha de dois anos com a filha do pastor. Havia divergências quanto às visitas à criança. Isso deixava o investigado aborrecido. Na quarta-feira eles discutiram e culminou com o desejo de “Fifi” matar o pastor”, disse a presidente do inquérito.

Conforme relatos de testemunhas, o culto ocorria em uma residência, fato comum na rotina do religioso. Na casa estariam cerca de 10 a 15 pessoas. Naquela noite, contudo, dois homens em uma motocicleta chegaram ao local. Quando Moraes encerrou a reunião, foi atingido por dois tiros. Já caído, ainda recebeu mais disparos, nas costas. Ele chegou a ser socorrido a uma unidade de saúde mas não sobreviveu aos ferimentos e morreu no hospital.

A motocicleta utilizada pela dupla foi abandonada em um local distante aproximadamente um quilômetro de onde cometeram o crime. Isto, conforme a Polícia, acabou facilitando as investigações. Através do veículo, os investigadores conseguiram identificar os dois homens que chegaram à residência e atiraram no pastor.

Os policiais foram então ao município de Barreira e capturaram Antonio Cássio Almeida da Silva, de 27 anos, que já responde a quatro procedimentos por roubo, furto, porte ilegal de arma de fogo, associação criminosa e receptação. Também foi detido Antônio Leandro Garcia Farias, 22, suspeito de envolvimento em roubo com restrição de liberdade da vítima, porte ilegal de arma de fogo e ameaça, além de estar com um mandado de prisão em aberto do município de Hidrolândia. Os dois, conforme a Polícia, foram os responsáveis por efetuar os disparos. Com eles, os policiais encontraram as armas do crime.

A Polícia capturou ainda Francisco Dyohta Honório, o “Zóio de Bomba”, de 27 anos, responsável por dar fuga aos executores e suspeito de ter assassinado a própria esposa, no distrito de Antônio Diogo.

“Vamos agora também acionar o Judiciário para averiguar as informações. Conforme nossa apuração, ele teria matado a companheira com um tiro na cabeça, em 23 de agosto. O crime teria ocorrido na frente do filho do casal, de apenas seis anos”, apontou a delegada.

Também foram detidos Luiz Pereira de Lima Neto, o “Jumento”, de 19 anos, e um adolescente de 16 anos. Eles são apontados nas investigações como aqueles que forneceram a motocicleta usada na execução.

Material

No total, a Polícia apreendeu duas armas, sendo um revólver calibre 38 e uma pistola ponto 40, munições, um colete balístico, nove aparelhos celulares, além de uma quantidade de cocaína e crack e a motocicleta utilizada no crime.

Socorro Portela ressaltou o empenho dos policiais em desvendar o crime. “O trabalho foi positivo. Todos os envolvidos foram identificados, a arma utilizada no crime foi identificada também. Temos um prazo de dez dias para concluir o inquérito”, afirmou a delegada.

De acordo com a investigadora, a conduta dos suspeitos foi individualizada e cada um responderá, na medida de sua participação, por homicídio, associação criminosa, corrupção de menor e tráfico de drogas.

Na manhã de ontem, o grupo foi levado de Redenção para Fortaleza, à sede da DHPP, no Bairro de Fátima. O adolescente foi enviado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Eles foram ouvidos durante todo o dia.

Fonte: Diário do Nordeste

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