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Imagens recuperadas mostram PMs recolhendo objetos
11 de junho de 2019 às 12:01
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Câmera do supermercado Burundanga, 5h06 da manhã de 7 de dezembro. Dois policiais fardados caminham pela calçada de lojas e residências, a mesma em que, uma hora e meia antes, a equipe comandada pelo capitão José Azevedo realizava a progressão e disparos até encontrar os reféns caídos ao lado de um poste. (veja no vídeo acima)

De acordo com o inquérito policial, os homens recolhem objetos do chão da calçada na Rua José Esmeraldo da Silva próximo à Farmácia Coelho, nas redondezas do ponto onde fizeram os disparos, revelados em outro vídeo. As imagens, que mostram os disparos dos PMs na calçada e posterior recolhimento de objetos no chão, são as mesmas apagadas do circuito de segurança do supermercado e, semanas depois, recuperadas pela Perícia Forense. De acordo com o inquérito, tais imagens foram apagadas pelos militares.

De acordo com os peritos, os arquivos recuperados haviam sido apagados por duas vezes, sendo extraídos exatamente os horários que coincidiam com ocorrência, do início dos disparos até a chegada de dois militares à frente do estabelecimento, em diálogo com o possível proprietário.

“Não restam dúvidas”, diz o inquérito policial, “que a operação policial fugiu ao controle, ocasionando a morte de reféns. É notório, por ocasião de vários depoimentos das testemunhas arroladas, da análise das imagens das câmeras de segurança e laudos periciais relacionados aos autos que os doze policiais do Gate, após perceberem a tragédia, começaram a praticar atos objetivando apagar os rastros da operação, recolhendo os corpos das vítimas e dos assaltantes, sem qualquer indício de que estivessem vivos (exceto um dos assaltantes, que foi socorrido com vida), além de estojos ejetados pelas armas quando dos disparos. Não bastassem essas ações, ainda formataram o HD do DVR do sistema de câmeras de segurança do Supermercado”.

“A Perícia foi muito feliz nesse ponto, porque conseguiu identificar que algumas imagens haviam sido apagadas e foram reconstruídas, o que não foi esclarecido, e vai ser no momento oportuno dos autos, é se foram os policiais que fizeram isso. Ninguém sabe ainda quem mexeu nesse sistema de câmeras”, defende Ricardo Valente Filho, presidente do Conselho de Defesa do Policial no Exercício da Função da Secretaria da Segurança Pública.

Em depoimento, o proprietário do estabelecimento confirma que foi procurado pelos PMs sobre as imagens das câmeras e, em seguida, pediu ao filho que os acompanhasse até o escritório, no pavimento superior, de onde teriam acesso aos arquivos.

Diário do Nordeste

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