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Líder de facção do Bom Jardim já está em presídio federal
9 de janeiro de 2019 às 06:40
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As autoridades identificaram os presos líderes de facções que estão por trás da série de ataques criminosos e pretendem transferi-los o quanto antes. O primeiro detento a ser enviado a um presídio federal de segurança máxima e o único até o momento é Antônio Edinaldo Cardoso de Sousa, o ‘Naldinho’ ou ‘Tio Chico’, apontado pela Polícia como o líder do Comando Vermelho (CV) no Grande Bom Jardim, em Fortaleza.

A reportagem apurou, com uma fonte ligada às investigações, que a transferência de ‘Naldinho’ foi mais célere porque a Justiça Estadual já tinha determinado o recambiamento em outro processo, que ele responde por homicídio. Ele chegou à Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, na última segunda-feira (7).

Outras 20 lideranças do crime organizado no Ceará aguardam a decisão judicial e a análise do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) para também serem enviados para outros estados. Eles são chefes do CV, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e dos Guardiões do Estado (GDE).

O líder do CV no Bom Jardim estava recolhido na Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba, onde cumpria 19 anos de prisão; e a sua transferência foi definida em 17 de dezembro de 2018, pela 3ª Vara do Júri do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). O magistrado justificou que a medida era de interesse da Segurança Pública do Estado e determinou a inserção do interno no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

Mesmo preso e com a transferência definida, ‘Naldinho’ teria dado ordens de dentro do sistema penitenciário para que ‘soldados’ do seu grupo criminoso atacassem veículos e prédios públicos na Capital. Um dos ônibus alvos dos criminosos foi incendiado justamente no Bom Jardim, na Rua Oscar Araripe, na madrugada da última sexta-feira (4).

O Estado já contabiliza mais de 180 ações criminosas, em sete dias. Em contrapartida, a Polícia prendeu 170 suspeitos. A principal motivação para a onda de ataques seria uma declaração do titular da Secretaria da Administração Penitenciária (Seap), Luís Mauro Albuquerque, de que vai acabar com a separação das facções por presídios – o que revoltou as lideranças criminosas.

Atuação

A investigação da 2ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, aponta que o braço do Comando Vermelho que é liderado por Antônio Edinaldo atua no Grande Bom Jardim – formado pelos bairros Granja Lisboa, Granja Portugal, Canindezinho, Siqueira e Bom Jardim. O grupo detém o domínio do tráfico de drogas nas comunidades Parque São Vicente, Mutirão, São Francisco, Luminosa e nos conjuntos Tatumundé, Residencial Raquel de Queiroz e Miguel Arraes.

‘Naldinho’ tem vasta ficha criminal. Aos 31 anos, ele acumula 29 autuações na Polícia cearense, sendo 17 por homicídio ou tentativa de homicídio e as outras por assalto a banco, receptação, organização criminosa, posse ou porte ilegal de arma de fogo e concurso de menores. As investigações resultaram em oito ações penais que transcorrem no TJCE. Três condenações somaram 19 anos de prisão.

A advogada Samya Brilhante afirma que o cliente, Antônio Edinaldo, sofre com uma confusão entre homônimos e acredita que a medida contra ele foi uma “transferência arbitrária”. “O Edinaldo é um preso que foi confundido com outro preso, que faleceu no início do ano passado. Desde então, ele vem sendo colocado como chefe de uma facção, mas não procede”, alega.

Sargento
Entre os crimes pelos quais o líder do CV foi responsabilizado, está o homicídio do sargento da Reserva Remunerada da Polícia Militar, João Augusto da Silva Filho, o ‘Joãozinho Catanã’, em 28 de agosto de 2015. ‘Naldinho’ é apontado por investigadores como um dos idealizadores do “consórcio” (grupo de criminosos que arrecadam valores para o cometimento de um crime) que matou o PM.

‘Joãozinho Catanã’ foi condenado a mais de 20 anos de prisão, em setembro de 2009, por comandar um grupo de extermínio que atuava na região do Grande Bom Jardim. Ele respondia a pelo menos 19 assassinatos. Quando o militar foi morto, o grupo criminoso que ele chefiava tinha expandido o rol de atuação, que era apenas de homicídios, para o tráfico de drogas.

O PM tinha vários inimigos, na briga por território. Outro suspeito de comandar o “consórcio” que vitimou o policial era Helson Diego Almeida dos Santos Castro, o ‘Diego Bola’, que chegou a ser batizado pelo PCC e depois se tornou um dos líderes da GDE, na região do Bom Jardim. Porém, ‘Bola’ foi executado a tiros no bairro Henrique Jorge, no dia 5 de setembro do ano passado.

Diário do Nordeste

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