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Líder religioso também teria estuprado menores
28 de junho de 2017 às 14:37

O líder religioso Paulo Monteiro Amorim, de 52 anos, preso no último dia 8 de março, por suspeita de utilizar sua posição em um grupo católico, no Bairro Meireles, em Fortaleza, para atrair e estuprar mulheres, em sua residência, também é suspeito de cometer o crime contra, pelo menos, dois adolescentes. As duas vítimas apareceram após o inquérito policial ser concluído pelo 2ºDP (Aldeota), responsável pela prisão do suspeito.

Um novo inquérito foi aberto pela Delegacia de Combate à Exploração da Criança e Adolescente (Dececa), na semana passada, para apurar a responsabilização do crime sofrido pelos adolescentes – que não tiveram o sexo, nem a idade divulgados pela Polícia Civil. Segundo a delegada adjunta da Dececa, Juliana Amaral, cópia dos autos do processo foram enviados pelo 2ºDP para a Especializada, que ainda está na fase inicial da investigação.

“Estamos olhando as provas. Ainda vamos ouvir algumas testemunhas, vítimas e suspeito e, depois, encaminhar ao Poder Judiciário”, afirmou. O caso transcorre sob sigilo de Justiça.

De acordo com a investigação do 2ºDP, Paulo Monteiro Amorim cometia abusos sexuais há pelo menos sete anos. Cinco vítimas adultas, do sexo feminino, procuraram a Polícia. O líder religioso levava as mulheres para a casa dele para dormirem lá e as acordava no meio da noite dizendo que precisavam tomar uma medicação, porque estavam tossindo ou espirrando muito. O remédio dopava as mulheres e ele as estuprava.

Transferência

Paulo Amorim está preso no Hospital Geral e Sanatório Penal Professor Otávio Lobo (HSPOL), para onde foi encaminhado por precisar de tratamento para diabetes, mas tramita na Justiça um pedido feito pela defesa do réu, no dia 18 de abril, para que ele seja transferido para a Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, destinada a gays, travestis, bissexuais, idosos, cadeirantes e homens que respondem à Lei Maria da Penha.

Segundo a defesa do líder religioso, uma médica que o visitou constatou que o preso precisa da aplicação de insulina Humulin, diariamente, via cutânea; do monitoramento da glicemia duas vezes ao dia e de se alimentar de quatro em quatro horas. “Em nova visita ao paciente (interno) na data de 28 de março de 2017, a mesma especialista verificou, no curto intervalo de tempo de 15 dias, que este havia sofrido sério agravamento de seu estado de saúde, com complicações de sua neuropatia diabética, o que foi verificada através da anamnese aplicada pela médica durante a visita ao HP Otávio Lobo”, descreveu o advogado Valter Machado Cardoso.

Ainda de acordo com a defesa, Amorim se encontrava com hipoglicemia, parestesia (sensação anormal sobre a pele) em membros inferiores, alteração da sensibilidade táctil em membros superiores e pressão arterial aumentada. Diante do quadro, a defesa afirmou que o único presídio destinado ao tratamento de pacientes com doenças crônicas é a Unidade Irmã Imelda Lima Pontes.

A juíza Luciana Teixeira de Sousa, da Corregedoria dos Presídios e Estabelecimentos Penitenciários da Comarca de Fortaleza, entendeu que Paulo Amorim não se encaixava no perfil do Irmã Imelda e decidiu, no último dia 4 de maio, pela sua transferência para o Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne.

Entretanto, duas semanas depois, a juíza determinou a volta do líder religioso para o Hospital Geral e Sanatório Penal e pediu que dois médicos emitissem um laudo pericial sobre a doença do preso, em 30 dias, o que ainda não foi anexado aos autos do processo eletrônico.

Na última movimentação do caso, o Ministério Público do Estado (MPCE) se posicionou a favor da decisão anterior da Corregedoria dos Presídios, de transferir Amorim para o Centro de Execução Penal. “A informação médica de que o interno não cumpre a dieta própria para a sua patologia e prefere se alimentar de produtos trazidos por familiares, inadequados para o seu quadro, indica que ele pode estar fomentando uma alteração de exames e de situação clínica, para forçar este juízo a transferi-lo para a unidade desejada. O sistema prisional não pode ficar refém de atitudes desta natureza. Não é o interno que decide para onde vai”, enfatizou o promotor André Araújo Barbosa.

Esposa

Após o inquérito ser concluído pelo 2ºDP e enviado à Justiça, foi devolvido apenas uma vez à Polícia Civil, para que a esposa do acusado fosse interrogada. A mulher é oficial enfermeira do Hospital da Base Aérea de Fortaleza, segundo um policial que participou das investigações e que não quis se identificar.

No depoimento, a oficial negou envolvimento com os fatos e disse desconhecer que o marido dopasse e estuprasse mulheres na residência do casal. Segundo a militar, a acusação a Paulo Amorim partiu de pessoas que estavam incomodadas com o trabalho dele, à frente de um grupo católico que realizava reuniões em uma igreja, no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza.

Ainda de acordo com o policial civil que conversou com a reportagem, o inquérito foi remetido de volta à Justiça, com o depoimento da mulher e, em anexo, o laudo pericial de remédios apreendidos na casa. Conforme o laudo, uma medicação encontrada poderia levar à sonolência extrema, se tomado em grandes dosagens, o Dramin B6.

Fonte: Diário do Nordeste

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