JPMotos
Pacajus vive clima de terror com 50 assassinatos em cinco meses. Uma adolescente grávida foi mais uma vítima
25 de maio de 2018 às 06:06
26
Visualizações

Pacajus 51

Deysiele Lima, 15 anos, foi morta na noite de ontem e se tornou a 50ª vítima do ano em Pacajus

Pacajus 50

A garota foi baleada na porta do condomínio onde morava. Sofreu tiros na cabeça e teve morte imediata

O Município de Pacajus, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza/RMF (a 49Km de Fortaleza) não tem nada a comemorar nesta quarta-feira (23), data alusiva aos 83 anos de sua emancipação política. A violência na cidade é motivo de tristeza e indignação de seus habitantes, pois já deixou 50 mortos em apenas cinco meses. A mais recente vítima desta escalada da criminalidade foi uma adolescente grávida. A garota tinha apenas 15 anos, e foi executada sumariamente na noite desta terça-feira (22), na portaria do condomínio popular onde morava, no bairro Buriti.

Segundo as primeiras informações colhidas pela Polícia Militar no local do crime, a garota chegava ao condomínio quando foi surpreendida pelos assassinos e não teve sequer tempo de entrar no residencial, sendo fuzilada com vários tiros na cabeça e tendo morte instantânea.

Com a chegada da Polícia Militar no local do crime, a vítima foi identificada como sendo Maria Deysiele de Souza Lima. Os motivos do assassinato são ainda desconhecidos. No entanto, os moradores falam (se se identificar) que a cidade de Pacajus hoje está dominada pelo tráfico de drogas e pela violência da guerra entre facções.

O ano começo violento em Pacajus, pois somente no mês de janeiro ocorreram ali 10 homicídios. Já o mês de março foi o que apresentou o maior índice de Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs), com 14 assassinatos.

Lugar violento

Segundo a Polícia, a migração de dezenas de bandidos da Capital para Pacajus transformou o Município em um dos mais violentos da Região Metropolitana, ao lado e sua vizinha cidade de Horizonte. A “guerra” entre as facções Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE) produziu nos últimos meses uma disputa de território do tráfico de drogas e um rastro de mortes.

Entre as 50 pessoas assassinadas em Pacajus neste ano, figuram na lista dos mortos, cinco adolescentes, entre eles, duas garotas, Carolina Helen da Costa Silva, 14 anos (assassinada no dia 4 de janeiro) e Maria Deysiele de Sousa Lima (morta em 22 de maio). Também foi vítima de um latrocínio em Pacajus, uma anciã de 81 anos, a aposentada Maria do Carmo Pereira (morta no dia 3 de fevereiro). Ela foi morta dentro de sua residência, no bairro Cruz das Almas, por um ladrão.

Mais três mulheres, adultas, também foram assassinadas no Município neste ano: Cristina Leones Pereira, 38 anos (assassinada a tiros no dia 31 de janeiro, no Distrito de Cedro), Daniele Targino Martins, 19 anos (morta a tiros no dia 3 de março, na Rua Chiquinha Nogueira) e Maria Isady da Costa, 18 anos (assassinada a tiros no dia 27 de março, na Rua Francisco Bento). Outra mulher foi morta a tiros na Rua Francisco Mendonça, no bairro Aldeia, no dia 29 de abril. Até agora a vítima não foi identificada.

Chacina e insegurança

Um triplo assassinato (considerado chacina pela Secretaria da Segurança Pública do estado) aconteceu no bairro Banguê, na periferia de Pacajus, no dia 30 de março, tendo como vítimas as seguintes pessoas: Manoel Gabriel Pereira da Silva, Antônio Claudenízio Pereira da Silva (irmãos) e Jackson Gabriel da Silva. O crime teria sido motivado pela guerra de facções.

Segundo as autoridades, os bairros e localidades mais perigosos e com maiores índices de assassinatos em Pacajus neste ano são: Banguê, Lagoa Seca, Mangabeira, Coaçu, Pascoal, Cruz das Almas, Dedé Gama, Pajeú, Limoeiro e Buriti, além do próprio Centro.

A Polícia Militar possui uma companhia na cidade, mas a falta de efetivo e de meios de trabalho (viaturas, meios de comunicação etc), impossibilita um trabalho efetivo de combate ao crime. A Guarda Municipal tem realizado um trabalho intenso de auxílio na Segurança Pública.

Conforme a PM, em junho próximo, Pacajus deverá ganhar uma unidade de Batalhão de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio).

Com Informação Fernando Ribeiro

ComentáriosComentários