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PF desarticula facção criminosa no Cariri e até fecha concessionária de veículos em Juazeiro
15 de junho de 2017 às 07:39

A operação “Cadeia de Comando” deflagrada na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal nas principais cidades da região do Cariri resultou nas prisões de sete pessoas, o fechamento de uma loja de veículos, o sequestro de bens móveis e imóveis e apreensões de arma de fogo e cerca de R$ 200 mil em dinheiro. Na entrevista coletiva que concedeu à imprensa, o Superintendente Regional da Polícia Federal no Ceará, Delano Cerqueira Bunn, considerou ser um apanhado parcial e prometeu novas etapas.

A investigação começou em setembro a partir de denúncias recebidas por agentes da Delegacia de Polícia Federal em Juazeiro do Norte e estes passaram a atuar com a finalidade de desarticular a organização criminosa voltada para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Hoje foram cumpridos 42 mandados judiciais de busca e apreensão e de prisões em residências, estabelecimentos comerciais e até no presídio no que os “federais” tiveram o apoio de uma equipe da COTAR da Polícia Militar.

Segundo o superintendente, houve o sequestro de imóveis e o recolhimento até à Delegacia da PF de vários veículos de luxo. Ele explicou que havia certa especialidade em lavar o dinheiro oriundo do tráfico de drogas por meio do comércio de veículos, compra de imóveis e a ocultação de recursos em contas de laranjas com nomeações de procuradores que manejavam os recursos. Nessa missão, apontou um advogado com larga atuação no Cariri.

Ele integra o rol de investigados na condição de procurador do grupo movimentando contas bancárias o qual já foi intimado a depor quando a autoridade policial decidirá se o indicia ou não. Provocado pelo repórter Normando Sóracles a citar nomes, o superintendente da PF, Delano Cerqueira, argumentou sobre a necessidade de ouvir inicialmente mesmo com a robustez das provas “respeitando a presunção da inocência já que ainda não houve denúncia pelo Ministério Público”.

Superintendente Regional da Polícia Federal no Ceará, Delano Cerqueira Bunn (Foto: Guto Vital/Agência Miséria)

O dirigente maior da PF no Ceará afirmou que sete pessoas foram presas preventivamente, enquanto um dos investigados está foragido e sendo procurado. Quanto aos imóveis, declarou que quatro casas avaliadas em R$ 1,2 milhão foram sequestradas pela justiça com notificações feitas aos cartórios de registro de imóveis. Outros 10 imóveis no Triângulo Crajubar e com escrituras em nome dos traficantes devidamente identificados também serão tornados indisponíveis.

A polícia não descarta igualmente o tráfico de armas e assaltos a agências bancárias, sendo que todas as pessoas presas são reincidentes e integram essa organização criminosa com alto poder de intimidação como definiu o superintendente. Durante a operação nesta manhã foi apreendida uma pistola, mas a polícia diz acreditar ter muito mais armas de fogo. Novamente sem fazer menções a nomes, ele declarou que o líder maior é condenado por homicídio.

Quando estiveram no presídio, onde três integrantes da organização estão recolhidos, os “federais” apreenderam aparelhos celulares os quais serão periciados e extraídos os seus dados no que pode permitir novos caminhos no processo de investigação. A PF já tinha conseguido da justiça a quebra de sigilos bancários de algumas pessoas e autorização para escutas telefônicas. O momento inicial é tido como de descapitalização da organização criminosa para tirar o poder de atuação no mercado.

De acordo com o superintendente Delano Cerqueira a movimentação mensal da organização era de 250 Kg de maconha procedente do Paraguai e aproximadamente 50 Kg de cocaína oriundos da região Norte do país. Segundo estimou, 1 Kg de maconha prensada do Paraguai custa algo em torno de R$ 1,2 mil, enquanto o valor da cocaína é de R$ 20 mil o quilo.

No contexto das investigações existe uma importante participação da Polícia Ambiental de Juazeiro quando, no último dia 1º de março, fez uma apreensão recorde de drogas numa chácara perto do Parque Ecológico das Timbaúbas. Ali funcionava uma espécie de laboratório de drogas e, na operação, foram presos quatro jovens e apreendidos 80 Kg de maconha, 4 Kg de pasta base de cocaína, 4 kg de crack e mais 2,5 kg de cocaína prontos para a comercialização.

A chácara é situada na Rua Francisco Firmino de Lavor (Bairro José Geraldo da Cruz) e ali foram presos Cícera da Silva Figueiredo, de 33, a “Cícera Fuzil”, e seu esposo José Ivan Gomes da Silva, de 28, e o irmão dela, Diassis Alberto da Silva, de 23 anos, que trazia outra prensa de maconha além das duas encontradas no imóvel a exemplo de balanças de precisão e dois revólveres, sendo um calibre 38 e um Magnum calibre 44, bem como colete balístico.

No telefone de um dos acusados soou a campainha do whatsapp quando um PM passou a trocar mensagens descobrindo se tratar de um comparsa. Este dizia que já os aguardava com as drogas a fim de levar para Aiuaba e marcou um encontro na Praça do Memorial sem saber que do outro era a polícia. Quando a patrulha chegou não foi difícil a identificação até por conta da foto que os policiais já tinham visto e Caio Henrique de Sá Alexandre, de 25 anos, terminou preso. Recentemente, no dia 9 de junho, agentes da Polícia Federal apreenderam 8 Kg de maconha e 3 Kg de cocaína do mesmo grupo.

Assista o vídeo

Veja também:
Polícia Federal cumpre 42 mandados no combate ao tráfico de drogas em Juazeiro e outras cidades do Cariri
Superintendente da Polícia Federal fala com exclusividade sobre operação

Por Demontier Tenório
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