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Representantes da OAB aprovam o plano da Prefeitura de Fortaleza que fará a prevenção à violência com torres de vigilância
3 de fevereiro de 2018 às 11:20
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As torres do Jangurussu e da Barra do Ceará entrarão, em breve, em funcionamento 24 horas 

Em meio à crise que se instalou na Segurança Pública do Ceará, uma luz no fim do túnel se torna, cada vez, mais nítida. A chegada do Plano Municipal de Proteção Urbana (PMPU). Nesta semana, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (Secção Ceará) e do Conselho Estadual de Segurança Pública (Conesp) estiveram reunidos com representantes da Prefeitura Municipal de Fortaleza e receberam explicações de como o projeto vai funcionar. A reunião com o mentor e gestor do plano, vice-prefeito Moroni Bing Torgan (DEM), foi proveitosa e tirou dos convidados todas as dúvidas. Todos disseram ter saído do encontro, realizado ontem (1º), com a expectativa de que Fortaleza poderá ter a sua paz devolvida com a implantação das Torres de Segurança, um dos tópicos do PMPU.  Em reportagem de uma página inteira, na última quarta (31), o jornal O Estado de São Paulo, também dedicou uma reportagem especial sobre o assunto.

MUNICÍPIO FAZ

“O Município vai fazer o que o estado não fez”, disse o presidente do Conselho Estadual da Segurança Pública, advogado Leandro Vasques, ao término do encontro com os representantes da Prefeitura Municipal de Fortaleza. No Gabinete da Vice-Prefeitura, ele foi recebido por Moroni Torgan, pelo secretário de Segurança Cidadã de Fortaleza, Antônio Azevedo; e pelo  secretário executivo do Conselho que gerencia o PMPU, coronel BM Duarte Frota. Participaram também do encontro, Débora Lima, Frederico Malta e Francisco Garisto, este último, presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB-CE. Moroni detalhou o plano, explicando sobre como funcionará o trabalho conjunto de guardas municipais e policiais militares nas células (torres) de segurança. As duas primeiras já estão praticamente prontas, faltando poucos detalhes para a sua instalação. Irão funcionar nos bairros Jangurussu e Barra do Ceará (na comunidade Goiabeiras).

PAPEL PREVENTIVO

Longe de ser uma manobra política eleitoral, o PMPU contemplará com maior segurança as comunidades mais afetadas com a violência em Fortaleza, e servirá como “piloto” para uma ação mais abrangente da Segurança de Fortaleza, que vai contemplar toda a orla marítima. O prefeito Roberto Cláudio (PDT) já foi enfático em afirmar que a Prefeitura de Fortaleza não pretende assumir as rédeas da Segurança Pública, até porque não tem competência legal para tanto. Segurança Pública é dever, primeiro, de estado. O foco do Município é a prevenção. O PMPU prevê dentre suas ações de reduzir a violência, o oferecimento de serviços de cidadania, além da própria torre de vigilância. Entre essas ações estão a mediação, aprestação de serviço de encaminhamento para tratamento clínico a drogados, a oferta de cursos profissionalizantes e expedição de documentos. As críticas precoces e sem nenhuma consistência não serão levadas em conta. O que a sociedade quer e merece é mais segurança. As torres funcionarão 24 por dias, nos 365 dias do ano, promete a PMF.

SECRETÁRIO MERGULHA

Após a saraivada de críticas que recebeu, o secretário da Segurança Pública do Ceará, delegado federal André Costa, “desapareceu” da mídia. O  estratégico “mergulho” foi indicado pelos assessores do Palácio da Abolição. E o escalado da vez para falar sobre Segurança foi o chefe de gabinete do governador Camilo Santana (PT),  Élcio Batista.  Saiu dando entrevistas à torto e à direita para repetir aos jornalistas o blá-blá-blá do seu chefe: “a culpa da violência é do governo federal”. Enquanto isso, Camilo, que vinha batendo forte no mesmo governo federal, recuou e foi à Brasília pedir ajuda ao presidente Temer para amenizar o banho de sangue no Ceará. Levou no bolso do paletó uma listinha de pedidos, que inclui a presença de uma força-tarefa da PF para ajudar a Polícia local a desvendar as duas chacinas recentes. Mas, aproveitou para pedir até viaturas e armas. Quer também que o Ceará seja a  sede de um Centro Regional de Inteligência. Este último pedido, certamente, ficará nas nuvens.

FORÇA-TAREFA E DESPRESTÍGIO

O anúncio de que o governo federal mandará para Fortaleza uma força-tarefa de Inteligência para ajudar a investigar as chacinas e outros crimes  praticados pelas facções criminosas no Ceará soou ruim nos bastidores da Polícia Civil.  O pedido feito pelo governador Camilo Santana a Michel Temer (PMDB) representou para a classe policial cearense um atestado de desconfiança de Camilo à competência e eficiência do trabalho dos agentes locais. A crítica foi geral e começou pelos delegados da Polícia Civil. O sindicato dos inspetores e escrivães também bateou forte. Para eles, enquanto a Polícia Civil continua desprestigiada e sucateada, um grupo de 30 federais vem ao Ceará investigar crimes que todo mundo sabe quem praticou: bandidos de periferia que se escondem atrás de siglas de facções criminosas do Sudeste do País. Os “federais” vão passar aqui uma temporada (com diárias de viagem, verbas de custeio etc) e depois vão embora. Já os policiais locais, continuarão combatendo o crime (até perdendo a vida) em troca de salários aviltantes.

RETRATO DA BARBÁRIE

Revista Veja desta semana traz uma reportagem de oito páginas descrevendo o mar de sangue que atingiu o Ceará com a guerra entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE).  “Terror no Ceará” é o título da matéria escrita pelo repórter  Pedro Paulo Rezende com fotografias de André Liohn. O texto é um relato  do “horror promovido pelo crime organizado na periferia da Capital”, que “remete à brutalidade pela qual ficou conhecido o Estado Islâmico nas guerras do Oriente Médio”. E mais: “As táticas do terror islâmico inspiram o mais sanguinário dos grupos cearenses, os Guardiões do Estado (GDE)”. A reportagem  descreve a chacina na casa de shows “Forró do Gago”, na semana passada e, em seguida, mergulha na rotina sangrenta dos bairros dominados pelo tráfico. Revela também o “loteamento” dos bairros, através da divisão de áreas das facções. Descreve até os casos de corpos que são queimados nas ruas após a invasão de bandidos nos velórios. E conclui da seguinte forma: “No Ceará de hoje, até honrar os mortos pode ser perigoso”. E é mesmo.

ESPERANDO NOVA CHACINA?

Cadeias públicas e presídios localizados no Interior do Ceará viraram verdadeiros caldeirões diante da guerra entre as facções criminosas GDE e CV. A tragédia ocorrida no começo da semana na unidade prisional de Itapajé (a 124Km de Fortaleza) pode se repetir a qualquer momento em outras cadeias. Exemplo disso acontece na cidade de Redenção, onde a cadeia está superlotada e ali há um desmando geral. Armas de fogo (pistolas de calibre 380) estão em poder de alguns presos que “comandam” as celas. Há chefões do tráfico que ali cumprem pena e pagam para ter privilégios. Um deles instalou até aparelho de ar-condicionado no xadrez. A Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus) faz vistas grossas? A corrupção é grande e não há nenhuma tomada de providências. Haverá sim, quando ocorrer um massacre igual ou pior ao de Itapajé.

E TEM MAIS!!!

* Revolta na tropa da PM. Assumiu um novo chefe na Coordenadoria de Inteligência Policial (CIP), ligada diretamente ao Estado-Maior da Corporação. E qual foi a primeira medida tomada pelo novo coordenador? Afastar de lá todos os bons PMs que há anos vinham atuando na Inteligência, com vasta experiência e conhecimento no setor, embora sem nenhuma condição de trabalho.

* As denúncias são gravíssimas em relação à Cadeia Pública de Redenção. Merecem uma investigação da Controladoria. Presos estariam pagando para receber tratamento privilegiado. Além do fato de que armas de fogo (pistolas) estariam nas mãos de chefões do tráfico que cumprem pena ali.

* Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) aprovaram, na quinta-feira (1º) o projeto que cria uma vara especial para julgar crimes praticados pelas facções criminosas. Foi uma das medidas acertadas do presidente do TJ com o governador Camilo Santana após as duas chacinas.

* Quem está tiririca com a Presidência do TJ são os próprios funcionários da instituição, que organizaram um protesto. Alegam que, ao invés de “tratamento privilegiado para facções”, o Tribunal deveria dar mais proteção ao seu pessoal. Ataques a fóruns do interior viraram perigosa rotina.

* A violência continua rolando solta na cidade de Groaíras, na zona Norte do Ceará. Os moradores estão assustados com tantos assaltos e não conseguem mais sequer dormir direito. Pedem as autoridades providencias urgentes em nome da paz e da cidadania.

* Perícia Forense do Ceará (Pefoce) mais uma vez demonstrou excelência no trabalho. No episódio da chacina das Cajazeiras, peritos, legistas e auxiliares trabalharam dobrado, até alguns que estavam até de folga. Tarefa concluída com êxito, rapidez e eficiência. No comando, o perito-geral, Ricardo Macedo.

* E continua livre como um pássaro o comércio de drogas no Centro de Fortaleza, sem nenhuma repressão do estado. A cracolândia da Praça Castro Carreira (da Estação) é alimentada pelos traficantes da favela Oitão Preto. Autoridades fecharam os olhos e a droga rola solta na rua.

A PERGUNTA DO DIA: Já comprou seu colete à prova de balas para brincar o Carnaval???

Com Informação Fernando Ribeiro

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