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‘Tráfico de drogas é um grande cliente dos portos’, diz procurador
8 de fevereiro de 2019 às 06:00
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A droga sai de países latinoamericanos, como Bolívia e Paraguai, percorre o Brasil, chega ao Ceará e é exportada para outros continentes, como Europa e África. O território cearense está em uma rota do tráfico internacional de drogas. Segundo o procurador da República e coordenador do Núcleo Criminal do Ministério Público Federal (MPF), Carlos Wagner Guimarães, os entorpecentes são enviados principalmente por via marítima, através dos portos.

Os criminosos atuam com frequência nos equipamentos portuários. “São, basicamente, grandes traficantes que têm acesso a grandes quantidades de drogas e grandes contrabandistas de mercadorias, que chegam ao Brasil sem o pagamento de impostos. Mas o tráfico de drogas ainda é um grande cliente dos portos, porque os postos do Brasil, principalmente do Nordeste, ainda são pouco fiscalizados”, destaca o procurador, em entrevista exclusiva ao Sistema Verdes Mares (SVM).

Para melhorar a fiscalização e combater a prática desses crimes, Receita Federal, MPF, Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizam uma operação nos portos do Mucuripe e do Pecém, desde a última terça-feira (5). Não há prazo para terminarem os levantamentos. “O que se verifica é que esses portos do Ceará são utilizados com frequência (por criminosos), justamente por conta das fragilidades de segurança. O que a gente quer é levantar essas fragilidades, corrigir e tornar os portos do Ceará mais seguros”, ratifica Carlos Wagner.

O procurador da República conta que a fiscalização atual tenta abarcar todos os veículos e navios que embarcam e desembarcam nos portos cearenses, mas há empecilhos para que o trabalho seja realizado plenamente. Os criminosos se aproveitam dessas brechas para implantarem drogas e desviarem produtos oriundos de contrabando (mercadoria ilegal) e descaminho (mercadoria sem pagamento de impostos).

“Basicamente, o embarque e o desembarque de mercadorias são fiscalizados por scanners que existem nos portos e por lacres que são colocados nos contêineres após a verificação pelo scanner. A rigor, o contêiner embarcado está lacrado, com um lacre internacional, e teoricamente estaria livre de qualquer mercadoria ilícita. Mas o que nós estamos verificando é que há possibilidade de acesso aos contêineres após eles terem passado pelo scanner. É isso que vai ser identificado na operação”, detalha.

As apurações seguem em andamento. A Receita Federal informou que irá divulgar resultados apenas ao término da ação. A PF, através da assessoria de comunicação, se negou a dar respostas sobre a ofensiva policial neste momento. A PRF informou que 56 agentes participam da operação.

Em nota, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém informou que dispõe de 165 câmeras de monitoramento e vigilância armada. Conforme o órgão, um pedido de apuração para identificar as irregularidades foi protocolado no último dia 31, na Superintendência Regional da PF no Ceará.

A Companhia Docas comunicou que apoia a operação dos órgãos federais e que segue os normativos estabelecidos pela Receita Federal, como o controle de pessoas e veículos, uso de scanners e monitoramento total do Porto.

Alvos

As forças federais também investigam embarcações que tiveram a rotina alterada. “Nessa operação, há uma identificação de vários veículos que não levaram as mercadorias enquanto a operação está ativa. Há também essa prática de desviarem navios que iam ancorar no Porto do Pecém ou do Mucuripe e são levados a outros portos”.

“A identificação está sendo feita, para sabermos por que fazem isso. O objetivo é fugir da fiscalização por que transportam mercadorias ilícitas ou por que estão sem alguma documentação?”, questiona Carlos Wagner Guimarães. De acordo com o coordenador do Núcleo Criminal do MPF, a investigação pretende ainda chegar a portos clandestinos que existem no Ceará, para onde são desviadas mercadorias ilícitas. “Na medida que forem identificados, vão ser fiscalizados também. Essa operação visa não só aos portos, mas também aos caminhos que os veículos percorrem para levar essa mercadoria para o exterior”, conclui.

Diário do Nordeste

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