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Após 580 dias preso, Lula é solto, discursa para militantes e ataca Lava Jato
9 de novembro de 2019 às 07:00
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Ao deixar, nesta sexta-feira (8), a prisão, após passar 580 dias em uma cela improvisada da Polícia Federal de Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva centrou fogo na força-tarefa da Lava-Jato, acentuou a sua oposição ao Governo do presidente Jair Bolsonaro e deu sinais de que pretende voltar ao cenário político com viagens pelo País. Poucas horas depois, o petista adotou tom mais leve em vídeo publicado nas redes sociais. Disse que quer “construir um País melhor” e que não vai “ficar falando mal” do presidente Jair Bolsonaro.

Condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados a reformas feitas em seu benefício pela Construtora OAS em um apartamento tríplex no Guarujá (SP), Lula é um dos quase 5 mil presos beneficiados por alteração da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), que agora não mais permite o cumprimento automático de pena de condenados em duas instâncias judiciárias. A defesa de Lula havia recusado a progressão de pena para o regime aberto, considerando que, ao aceitar, Lula estaria concordando com sua prisão.

Em seu discurso, o petista disse crer que “dignidade não se compra em shopping center, em feira ou bar”, e que a sua teria sido ferida por seus acusadores. Prometeu “lutar para melhorar a vida do povo brasileiro”, que, segundo ele, “está uma desgraça”. Há tempos numa cruzada contra a força-tarefa da Lava Jato, o petista fez ataques.
“Se pegar o (Deltan) Dallagnol, o (Sergio) Moro, alguns delegados que fizeram inquérito, enfiar um dentro do outro e bater no liquidificador, o que sobrar não é 10% da honestidade que eu represento neste País”, disse o ex-presidente, referindo-se aos agentes como “lado podre” de instituições que trabalharam, em seu entendimento, “para tentar criminalizar a esquerda, o PT e o Lula”.

Discurso

Embora tenha citado o nome do presidente várias vezes ao longo do discurso, Lula direcionou os ataques muito mais na esfera governamental, em uma evidente demonstração de que pretende assumir o lugar de principal opositor do atual Governo Federal.

“Depois que eu fui preso, o Brasil não melhorou, o Brasil piorou. O povo está passando mais fome, o povo não tem mais trabalho, o povo está trabalhando de Uber, tá trabalhando de bicicleta para entregar pizza, tá trabalhando sem o menor respeito”, criticou.

De acordo com o IBGE, a extrema pobreza atingiu 13,5 milhões de pessoas no último ano, maior nível dos últimos sete anos. Estudo da FGV também apontou o mais longo período de aumento de desigualdade da história, com concentração de renda crescente há mais de quatro anos.

Lula agradeceu a lideranças petistas no palco e citou partidos como Psol, PCdoB e PCO, ensaiando a reorganização de sua base política. Para o ex-presidente, o petista Fernando Haddad não foi eleito presidente no ano passado “porque a eleição foi roubada”, numa referência a suspeitas de uso de disparos massivos de mensagens de WhatsApp pela campanha de Bolsonaro. O episódio é apurado no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para o petista, Bolsonaro foi eleito “com base em fake news e mentira”.

Diário do Nordeste

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