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Despesas com assessores no Senado chegam a R$ 388,2 milhões por ano
16 de novembro de 2019 às 09:05
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Ao acompanhar as discussões e votações que definem os rumos do País em sua mais importante casa legislativa, muitas vezes não se pensa na estrutura que dá sustentação à atividade dos 81 senadores que, por essência, devem representar com equidade os 26 estados e o Distrito Federal. Mas é no numeroso corpo de servidores que surge grandes discrepâncias no Senado Federal, e, pelo menos nesse contexto, o Ceará dá exemplo aos demais entes federativos. É a segunda bancada que menos gasta com assessores, atrás apenas do Rio Grande do Sul.

Em levantamento feito pela plataforma Ranking dos Políticos, os senadores cearenses Cid Gomes (PDT), Tasso Jereissati (PSDB) e Luís Eduardo Girão (Podemos) aparecem apenas em 69º, 71º e 72º, respectivamente, na lista de parlamentares que mais gastam com assessores na Casa. Juntos, Cid, que tem 18 assessores, Tasso, que mantém igual número, e Girão, que tem apenas 15, gastam R$ 821.252 por mês com chefes e subchefes de gabinete, assessores e assistentes parlamentares, assistentes técnicos, motoristas etc. Os senadores gaúchos Paulo Paim (PT), Luiz Carlos Heinze (PP) e Lasier Martins (Podemos)gastam R$ 802.599

“Temos que dar o exemplo, a partir de nós, com o dinheiro público. Ainda mais em um momento em que todo mundo está passando por sacrifícios. São 13 milhões de desempregados, reforma da Previdência. Eu acho que tem muita mordomia ainda”, afirma Eduardo Girão, que pautou a campanha no discurso de renovação e moralidade pública e, no início do mandato, abriu mão de diversos benefícios porque isso “aproxima a classe política do povo”.

O valor gasto pelos senadores cearenses é 31% menor que a média das bancadas estaduais e representa menos da metade dos recursos gastos pelos senadores de Alagoas.

Somados, Renan Calheiros (MDB), Fernando Collor (PROS) e Rodrigo Cunha (PSDB) gastam R$ 1.653.316 por mês apenas com assessores. São 152. Só Collor tem 67.

O Senado brasileiro mantém hoje cerca de 3 mil assessores, que custam, por mês, mais de R$ 32 milhões aos cofres públicos, o que é considerado um exagero. O cientista político Cleyton Monte, por exemplo, lamenta que as propostas de reforma administrativa em discussão não atacam os reais privilegiados.

“Existe uma interpretação no Brasil de que seu maior problema reside no tamanho do funcionalismo público, mas não há nenhum tipo de controle sobre nomeação, perfil de nomeados. O Senado e a Câmara não têm um limite de assessores nem um teto para o pagamento desses servidores, o que é um absurdo”, critica.

Maiores gastos mensais 

Diário do Nordeste

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