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Ferrenho defensor de Bolsonaro, jovem gay evangélico integra movimento de direita no Cariri
14 de agosto de 2017 às 11:52

O juazeirense Pedro Soares tem o hábito de comentar em postagens no Facebook. Responde principalmente os posts que tratam de Jair Messias Bolsonaro, por quem nutre uma paixão fervorosa desde o ano passado, quando foi assaltado duas vezes e viu que “a segurança pública no país precisava de alguém que a pusesse como prioridade de governo”.

Para Pedro, “violência combate com violência” e, sendo gay, defende que ninguém deve demonstrar carícias em público, é contra o casamento homoafetivo e acredita na vitória de Bolsonaro para que no futuro todo do homossexual ande armado.

Conversei com Pedro numa tarde quente de agosto em sua casa, no bairro Franciscanos, em Juazeiro. Ele me recebeu com uma camisa branca com a enorme foto do “Jair” – como se refere ao deputado – estampada, mesclando com as cores da bandeira nacional. Nosso lema é “vou votar e trabalhar de graça para Bolsonaro 2018”, ele diz se referindo a rede online de apoiadores do pré-candidato.

Além de camisetas, Pedro também vende adesivos com os dizeres “Bolsonaro 2018” (Foto: Arquivo Pessoal)

GAY SIM, GAYZISTA NÃO

“Bolsonaro não é homofóbico”, foi uma das frases que repetiu e que podem ser postas no hall de posicionamentos polêmicos que ele coleciona. Formado em gastronomia pelo Senac, Pedro se orgulha por ser um dos únicos homossexuais assumidos que apoiam o ex-militar no Cariri. Defende que está do lado da maioria, que são os 90% dos declarados cristãos no Brasil, e que “não existe esse negócio de estado laico”.

Evangélico da Assembleia de Deus, o rapaz de 28 anos vai na contramão do que se espera de alguém com sua opção sexual, principalmente. Ele e seu namorado são dois assíduos defensores do mito “bolsonarista”, um dos políticos representantes da direita e do conservadorismo. “É possível ser gay e cristão, é possível ser lésbica e cristão; a fé é uma coisa e a sexualidade é outra”, defende o cozinheiro.

Pedro, em um tom seguro e afirmações fortes, tem um posicionamento próprio quanto ao movimento LGBT. Diz que os “gayzistas” não devem apenas se preocupar com políticas públicas para movimento dos Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis, como moradia, emprego e renda, segurança, o fim das paradas gays e a maior política pública para um LGBT: uma arma”. “Dinheiro público não deve ir para LGBT”, completa.

“Não concordo que um casal homoafetivo adote uma criança, eu defendo a família e tenho como exemplo o modo como fui criado: com pai e mãe”. A homofobia, ele diz, muitas vezes parte de dentro do movimento gay, que cada vez mais está elegendo padrões físicos e excluindo os gordos, negros, passivos e pobres.

O jovem já vendeu mais de 2 mil camisas desde o início do ano, todas elas para clientes do Cariri (Foto: Felipe Azevedo/Agência Miséria)

VIOLÊNCIA SEM FLORES

Dentro do espectro onde se encontram os diversos problemas da nação, Pedro mantém a segurança pública como a prioridade a ser posta em qualquer governo. “Não se combate a violência com flores: qualquer pessoa no Brasil que falar em segurança pública e não mencionar Jair Bolsonaro, estará faltando com a verdade”, refuta.

Perguntado sobre o desempenho do seu candidato em um eventual debate sobre economia, Pedro argumenta que não há equilíbrio na economia se não houver garantia de que não haverá assaltos nas lojas.   “Se não quer ir preso, não erre. Sempre fui pobre nunca matei e nunca roube. “Desculpa esfarrapada de que não tem oportunidade, tem para todo mundo”, defende.

Durante a conversa, Pedro justificou o seu posicionamento como sendo o mesmo de 90% dos cristãos brasileiros, “não me importo com a opinião da minoria”. Ele citou um comentário que escreveu no Facebook, no qual outras 612 curtiram, “Sou gay e apoio Bolsonaro 2018”. O segundo comentário mais curtido, onde outro usuário discordava do seu posicionamento, tinha apenas 60 curtidas.

No dia em que me recebeu, Pedro arrumava as malas para viajar à Fortaleza, onde iria buscar mais uma remessa das camisas “do Jair”. Desde o início do ano, ele e mais alguns amigos já venderam mais de 2 mil camisetas com estampas diversas em alusão ao mito.

CANDIDATO

Na sua empreitada defendendo os dogmas conservadores de direita nos quais é ferrenho apostador, Pedro Furtado se declara pré-candidato a Deputado Federal pelo Patriotas (PEN), o mais novo partido de Jair Bolsonaro. Um vídeo que irá gravar pessoalmente com seu namorado ao lado “do mito” em outubro, deverá ser o pontapé inicial da campanha.

Ao se despedir de mim, pediu que eu tomasse cuidado na rua, e não ostentasse nada de valor já que o bairro é considerado perigoso. “Se ao menos tivesse uma arma… mas isso será possível quando o Jair chegar, boa tarde!”, despediu-se.

Por Felipe Azevedo/ Agência Miséria
Com Parceria Site Miséria.com.br

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