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Haddad diz que convidará Bolsonaro para assinar “protocolo ético”
8 de outubro de 2018 às 18:52
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O candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira (8) que irá convidar o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) a assinar uma “carta de compromisso” que estabeleça um “protocolo ético” para a abordagem das campanhas no segundo turno.

A declaração foi dada em entrevista coletiva concedida a jornalistas em um hotel no centro de Curitiba, após Haddad visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sede da Polícia Federal.

“Vamos fazer esse esforço para que eles assinem uma carta de compromisso contra a calúnia e a difamação anônima que acontecem nas redes sociais, sobretudo o WhatsApp”, disse o candidato.

Haddad criticou mais uma vez a divulgação de notícias falsas nas redes sociais, que chamou de “enxurrada de mentiras”.

Ele também fez um apelo à Justiça Eleitoral para que fiscalize a propagação de notícias falsas. “Gostaria que temas mais de valores fossem discutidos olho no olho”, disse.

Haddad afirmou que irá manter uma campanha propositiva, assim como no primeiro turno, mas que isso não o impede de “arguir” o outro candidato com base nas propostas. “Não vamos lidar com mentira”, disse.

O petista disse também acreditar que a campanha eleitoral não pode ter “tema tabu”. Na avaliação dele, o segundo turno deverá ser norteado pelo tema econômico.

Adversário de Haddad, Bolsonaro defende propostas neoliberais, que foram criticadas pelo petista. “O neoliberalismo vai agravar a crise. Não vai fortalecer o poder de compra do trabalhador”.

Haddad faz aceno a Ciro, Marina, Alckmin e Meirelles

Afirmando ser preciso restaurar um projeto de desenvolvimento e inclusão social no Brasil, Haddad voltou a acenar a possíveis alianças com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB).

“Temos todo interesse em que as forças democráticas progressistas estejam unidas em todo esse processo de reparação”, disse.

Haddad mostrou disposição para mudar pontos do seu plano de governo em troca do apoio de Ciro.

“Se ele se dispuser, vamos sentar para conversar e vamos tratar desses assuntos como tratamos no primeiro turno com o PCdoB”, disse. “Total tranquilidade em ajustar parâmetros do programa, para que ele seja o mais representativo dessa ampla aliança democrática”.

O petista defendeu que sua proposta de mudar a Constituição é importante em função da reforma bancária, política e tributária, mas sinalizou uma possível mudança quanto à forma de fazê-lo.

“Terei a maior satisfação de sentar com ele [Ciro] e sua equipe para rediscutir a melhor forma”, afirmou.

Haddad também citou os pessebistas Paulo Câmara e Paulo Siqueira, com quem, segundo o petista, ele tem “longa relação”.

O petista ainda classificou sua chegada ao segundo turno, após 22 dias de campanha, como “um feito”.

Ele foi oficializado como substituto de Lula na disputa pelo Planalto no dia 11 de setembro.

Ao longo da coletiva, Haddad mencionou o nome de Lula apenas uma vez, quando citou seu trabalho ao lado de Ciro durante a gestão do ex-presidente. Os dois foram ministros de Lula.

Questionado se, durante a campanha de segundo turno, iria manter as visitas a Lula às segundas-feiras, como vinha fazendo nos últimos meses, Haddad não respondeu.

Durante toda a coletiva, Haddad foi observado de perto por Olga Curado, consultora de imagem contratada pela campanha petista que vem acompanhando todas as atividades de campanha.

Foi ela quem encerrou a entrevista, que durou pouco menos de 20 minutos, fazendo com as mãos o gesto de um avião decolando. Haddad segue agora para São Paulo, onde se reunirá com dirigentes do PT e coordenadores da campanha para discutir estratégias políticas para o segundo turno.

Fonte: UOL

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