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‘Só o povo brasileiro tem direito de tirar o meu foro’, diz Lula
13 de julho de 2017 às 16:12

A entrevista coletiva do ex-presidente Lula, nesta quinta-feira (13), na sede do PT, em São Paulo, teve início por volta do meio-dia. Antes de Lula, a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann, falou sobre o apoio incondicional dado ao ex-presidente, tanto pelos partidários quanto pelos movimentos sociais.

Ela também defendeu a participação do petista nas eleições de 2018. “Eleição sem o presidente Lula é fraude”, afirmou a senadora.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, também discursou e convocou uma manifestação em apoio ao ex-presidente, para o próximo dia 20, em todas as cidades brasileiras.

“Eleição só será representativa se Lula tiver condições de concorrer. Nós vamos estar mobilizados a favor da democracia. Se podem cometer essa injustiça com o Lula, imagine o que podem fazer com o trabalhador”, questionou.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, se pronunciou. “Nós da defesa do ex-presidente Lula também reiteramos a nossa indignação com a sentença, que não apenas condena o réu sem provas, mas, principalmente, desconsidera as provas da inocência dele”, afirmou.

“A sentença despreza o depoimento de 73 testemunhas e provas documentais, e dá validade jurídica a papéis sem importância e a um delator informal”, completou, referindo-se ao depoimento do ex-presidente da OAS, Leonardo Pinheiro. “A sentença é ilegítima, porque despreza a constituição. Mas é uma decisão em primeira instância, e nós temos certeza de que ela será revertida nas instâncias superiores”, completou Martins.

Lula pegou o microfone e começou a sua fala dizendo que “o estado de direito democrático está sendo jogado na lata do lixo”. Depois, lembrou de um artigo, escrito em 2016, sobre as acusações que pesavam contra ele, para justificar a condenação.

“Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.”

O ex-presidente voltou a dizer que o queda do PT foi um golpe. “Se Lula conseguisse ser candidato, o golpe não fecharia. De que adiantaria tirar a Dilma se o Lula tivesse condições de ser candidato e de ser eleito em 2018? Esta sentença de ontem tem um componente político muito forte, e eu nem entrarei nos componentes jurídicos”, disse.

Ele também criticou a postura da imprensa diante das investigações contra ele. “Eu sinto que há uma tentativa de me tirar do jogo político. Mas acredito nas instituições, porque são elas que garantem a democracia”. “Não é possível a gente ter uma estado de direito se a gente não acreditar na Justiça, é por isso que digo que a Justiça não pode mentir. E a única justiça que há neste processo é a prova da minha inocência. Se alguém tiver uma prova contra mim, por favor, diga, porque eu preciso. Eu ficaria mais feliz se eu fosse desmascarado. O que me deixa indignado, mas sem perder a ternura, é perceber que estou sendo vítima de um grupo de pessoas que contou a primeira mentira e passará o resto da vida contando outras por causa dessa primeira mentira: a de que eu era dono do triplex”.

O ex-presidente disse que irá recorrer em todas as instâncias e se lançou candidato a presidente em 2018, em meio a grito de “Lula presidente”. “Se alguém pensou que com essa sentença me tiraria do jogo, pode saber que eu estou no jogo. Quero dizer ao meu partido que vou me colocar como postulante a candidato a presidente em 2018. Só o povo brasileiro tem direito de tirar o meu foro”, completou.

Lula foi condenado, nessa quarta-feira (12), a 9 anos e meio de prisão pelo juiz Sérgio Moro, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O caso, agora, aguarda julgamento do Tribunal Regional Federal.

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