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Em Fortaleza: Aos 96 anos, padre Henri morre e deixa ideal de justiça
7 de maio de 2017 às 08:42

Uma vida guiada pela defesa da justiça e do amor aos miseráveis. O padre francês Henri Le Boursicaud fez uma escolha que marcou a sua trajetória: quis viver com os pobres. Aos 96 anos, o religioso redentorista morreu na noite da última quinta-feira, 4, em uma casa simples no bairro Pirambu, onde viveu por seis anos. Henri foi enterrado ontem no Parque da Saudade, em Caucaia.

No Ceará, o padre fundou a comunidade Emaús do Brasil, que carrega como guia as palavras que marcaram sua luta: o amor e a justiça. A relação com o Estado começou no ano de 1986, quando se embrenhou pela Comunidade Vila Velha e decidiu viver por lá.

Para o advogado Airton Barreto, coordenador da comunidade Emaús, o religioso se diferenciava pelo desprendimento a bens materiais. “Foi a pessoa mais coerente que eu conheci na minha vida. Foi um homem inquieto pelas injustiças e que fez uma opção radical pelos pobres”, descreveu.

Trajetória

Filho de camponeses, Henri Le Boursicaud nasceu em 23 de agosto de 1920 na Bretanha francesa. Ainda criança, aos 9 anos, entrou para o seminário dos redentoristas onde permaneceu até os 45 anos. Henri abandonou o convento para, como descreveu, encontrar o evangelho.

Chegou a morar com os pigmeus, na África. Aos 75 anos, empreendeu caminhada de 1.500 km a pé entre Paris e Roma, para propor uma mudança na Igreja (instituição) e no Vaticano. Cobrava coerência e partilha. Já idoso, arriscava dizer que o futuro da Igreja estaria em uma comunidade que equilibrasse católicos, protestantes e outras denominações. Henri morreu acreditando na justiça e defendendo que a pobreza “não é somente a falta de bens”.

Opovo

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