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Exposição mostra a terrível perseguição dos cristãos na Síria
1 de fevereiro de 2018 às 12:39
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A Caritas Toledo apresentou a exposição “Testemunhos Shuhud” da fotógrafa síria Carole Alfarah, que mostra o sofrimento dos cristãos perseguidos na Síria, no Iraque e no Líbano.

Durante a apresentação, o delegado episcopal de Caritas da Diocese de Toledo, Pe. José Maria Cabrero, assegurou: “não podemos cair na indiferença de esquecer dos irmãos que estão sofrendo tanto”.

O Pe. Cabrero explicou que esta exposição faz parte de uma série de iniciativas que pretendem sensibilizar as pessoas ante o “tremendo drama que significou que somente no Iraque tenha reduzido de 1,5 milhão cristãos a 500 mil”.

Cruz de madeira que uma refugiada síria resgatou da sua casa em Damasco depois do bombardeio. Foto: Blanca Ruiz

As fotografias da exposição “Shuhud. Testemunhos” fazem parte do trabalho que a fotógrafa Carole Alfarah realizou de 2012 a 2015 na Síria e no Líbano.

Segundo Alfarah, o nome da exposição foi escolhido pelo fato de que “os cristãos perseguidos em todo o mundo dão testemunho das palavras de Jesus”.

“Na exposição da Síria, mostra os lugares onde os cristãos sírios foram atacados durante o conflito no país. A seleção das imagens do Líbano mostra os testemunhos dos cristãos da Síria e do Iraque perseguidos pelo ISIS”, explicou Alfarah.

Durante a apresentação da exposição, houve testemunhos de sírios que tiveram que fugir do país devido à guerra. Este é o caso de Fadi Janawi, que vive desde 2014 em Toledo (Espanha) junto com a sua família.

 

Eles puderam sair da Síria graças à ajuda de uma família espanhola que conheceram durante a Jornada Mundial da Juventude em Madri (Espanha) em 2011.

 

“Esta exposição mostra o sofrimento dos cristãos, especialmente na Síria, mas também daqueles que estão nos campos de refugiados e deslocados em outros países”, explicou Fadi Janawi ao Grupo ACI.

 

Além disso, assegura que “em cada imagem tem uma breve explicação nos três idiomas e mostra o sofrimento das famílias de refugiados cristãos, que morreram durante a guerra, ou foram violados ou sequestrados”.

 

Outro testemunho foi o de Rima, diretora de um hotel na Síria, que perdeu tudo devido à guerra e teve que fugir à Espanha.

 

Conforme assegurou ao Grupo ACI, quando chegou à Espanha em 2015, recebeu muita ajuda da Caritas. “Eles me ofereceram um trabalho e me ajudaram a recomeçar a minha vida”, recordou.

 

Em seguida, Rima fez um apela a fim de que ajudem os sírios que estão deslocados e que querem voltar as suas cidades. “Precisam de muito dinheiro para recomeçar, a guerra destruiu tudo, mas é necessário muito apoio para recomeçar a vida, portanto, precisam de muito dinheiro para reconstruir as casas, as escolas e os hospitais”, disse ao Grupo ACI.

 

Fotos da família de Helaneh depois que o Estado Islâmico entrou na sua aldeia. Ela se escondeu em um cemitério e logo depois fugiu para o Líbano. Foto: Blanca Ruiz

 

A Caritas de Toledo ajudou com a doação de mais de 50 mil euros para a construção de uma clínica na cidade de Alqosh (Síria).

 

Além disso, no ano passado, graças à colaboração da ‘Esclavitud de Nossa Senhora do Sacrário’ e várias empresas, enviaram um contêiner com 12 mil quilos de ajuda humanitária à Síria.

 

Histórias nas fotografias

 

Entre as fotografias expostas, podem ver uma pequena cruz que uma mulher está segurando.

 

Trata-se de uma cruz de madeira que esta mulher conseguiu resgatar depois que a sua casa foi atacada durante um bombardeio em Damasco e que sempre carrega com ela.

 

Outra fotografia mostra Micho, um cristão sírio de 28 anos, preso por militares islâmicos na Síria em fevereiro de 2013, quando voltava para casa.

 

Também foi sequestrado junto com ele o seu amigo, que logo depois foi assassinado. Ficou preso durante seis meses e pensava que ia morrer, mas sobreviveu depois da pior experiência na sua vida.

 

“Tinha muito medo, aterrorizado e pensava que poderia morrer a qualquer momento”, contou Micho.

 

Micho, jovem sírio sequestrado e libertado depois de pagar um resgate. Atualmente vive na Austrália. Foto: Blanca Ruiz

 

Depois de haver sido submetido a um julgamento muçulmano, teve que pagar quatro milhões de libras sírias (aproximadamente 16 mil euros) se quisesse continuar vivo. Graças a sua família conseguiu este dinheiro. Atualmente, Micho vive na Austrália à espera de asilo político.

 

Quando o Daesh assumiu o controle das aldeias perto de Tel-Tamer (Síria), Helaneh, de 67 anos, fugiu junto com sua família.

 

Atualmente Helaneh e a sua família estão refugiados no Líbano, depois de haverem perdido tudo.

(ACI)

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